Semi Enem - Cultura
11 questões. Resolver no Descomplica
Questão 1
(ENEM LIBRAS-2017) Na segunda metade do século XIX, a capoeira era uma marca da tradição rebelde da população trabalhadora urbana na maior cidade do Império do Brasil, que reunia escravos e livres, brasileiros e imigrantes, jovens e adultos, negros e brancos. O que mais os unia era pertencer aos porões da sociedade, e na última escala do piso social estavam os escravos africanos.
SOARES, C. E. L. Capoeira mata um. In: FIGUEIREDO, L. História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.
De acordo com o texto, um fator que contribuiu para a construção da tradição mencionada foi aelitização de ritos católicos.
desorganização da vida rural.
redução da desigualdade racial.
mercantilização da cultura popular.
diversificação dos grupos participantes.
Questão 2
(Enem, 2019)

Fala-se aqui de uma arte criada nas ruas e para as ruas, marcadas antes de tudo pela vida cotidiana, seus conflitos e suas possibilidades, que poderiam envolver técnicas, agentes e temas que não fossem encontrados nas instituições mais tradicionais e formais.
<p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> VALVERDE, R. R. H. F. Os limites da inversão: a heterotopia do Beco do Batman. Boletim Goiano de Geografia (Online). Goiânia, v. 37, n. 2, maio/ago. 2017 (adaptado). </strong></p>
A manifestação artística expressa na imagem e apresentada no texto integra um movimento contemporâneo de:regulação das relações sociais.
apropriação dos espaços públicos.
padronização das culturas urbanas.
valorização dos formalismos estéticos.
revitalização dos patrimônios históricos.
Questão 3
O Cafundó é um bairro rural situado no município de Salto de Pirapora, a 150 km de São Paulo. Sua população, predominantemente negra, divide-se em duas parentelas: a dos Almeida Caetano e a dos Pires Pedroso. Cerca de oitenta pessoas vivem no bairro. Dessas, apenas nove detêm o título de proprietários legais dos 7,75 alqueires de terra que constituem a extensão do Cafundó, que foram doados a dois escravos, ancestrais de seus habitantes atuais, pelo antigo senhor e fazendeiro, pouco antes da Abolição, em 1888. Nessas terras, seus moradores plantam milho, feijão e mandioca e criam galinhas e porcos. Tudo em pequena escala. Sua língua materna é o português, uma variação regional que, sob muitos aspectos, poderia ser identificada como dialeto caipira. Usam um léxico de origem banto, quimbundo principalmente, cujo papel social é, sobretudo, de representá-Ios como africanos no Brasil.
Disponível em: <http://www.revista.iphan.gov.br>. Acesso em: 6 abr. 2009 (adaptado).
O bairro de Cafundó integra o patrimônio cutural do Brasil porquepossui terras herdadas de famílias antigas da região.
preservou o modo de falar de origem banto e quimbundo.
tem origem no período anterior à abolição da escravatura.
pertence a uma comunidade rural do interior do estado de São Paulo.
possui moradores que são africanos do Brasil e perderam o laço com sua origem.
Questão 4
Segundo Franz Boas, as pessoas diferem porque suas culturas diferem. De fato, é assim que deveríamos nos referir a elas: a cultura esquimó ou a cultura judaica, e não a raça esquimó ou a raça judaica. Apesar de toda a ênfase que deu à cultura, Boas não era um relativista que acreditava que todas as culturas eram equivalentes, nem um empirista que acreditava na tábula rasa. Ele considerava a civilização europeia superior às culturas tribais, insistindo apenas em que todos os povos eram capazes de atingi-la. Não negava que devia existir uma natureza humana universal ou que poderia haver diferenças entre as pessoas de um mesmo grupo étnico. O que importava para ele era a ideia de que todos os grupos étnicos são dotados das mesmas capacidades mentais básicas.
<div style="text-align: right;">
<span style="font-size:14px;">(Steven Pinker. Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana, 2004. Adaptado.)</span></div>
Considerando o texto, é correto afirmar que, de acordo com o antropólogo Franz Boas:os critérios para comparação entre as culturas são inteiramente relativos
a vida em estado de natureza é superior à vida civilizada
as diferenças culturais podem ser avaliadas por critérios universalistas
as diferenças entre as culturas são biologicamente condicionadas
o progresso cultural é uma ilusão etnocêntrica europeia
Questão 5
Considere o seguinte excerto do texto intitulado Adolescência em Samoa, da antropóloga Margaret Mead: Nas partes mais remotas do mundo, sob condições históricas muito diferentes daquelas que fizeram Grécia e Roma florescer e declinar, grupos de seres humanos desenvolveram padrões de vida tão diferentes dos nossos que não podemos arriscar a conjectura de que iriam chegar algum dia as nossas próprias soluções. Cada povo primitivo escolheu um conjunto de valores humanos e moldou para si mesmo uma arte, uma organização social, uma religião, que são sua contribuição singular para a história do espírito humano. Samoa é apenas um desses padrões diversos e graciosos, mas, assim como viajante que um dia se afastou de casa é mais sábio que o homem que nunca foi além da soleira da própria porta, o conhecimento de outra cultura deveria aguçar nossa capacidade de esquadrinhar com mais sobriedade, de apreciar mais amorosamente, a nossa própria cultura.
<p style="text-align: right;"><strong>(MEAD, Margaret. Adolescência em Samoa. In: CASTRO, Celso (org.). Cultura e personalidade: Ruth Benedict, Margaret Mead e Edward Sapir. Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 28.)</strong></p>
A partir dessa consideração feita pela autora, é correto afirmar:A antropologia demonstra que as práticas culturais da ilha de Samoa, situada no Pacifico Sul, foram imprescindíveis na composição dos valores e da visão de mundo que orientou a formação das sociedades grega e romana.
Uma cultura não ocidental será́de extrema importância para os estudos antropológicos, pelo fato de o isolamento geográfico permitir ao antropólogo o despojamento de seus referenciais e, por conseguinte, produzir uma ciência neutra, sem viés ideológico.
O estudo de nossa própria cultura está estreitamente vinculado aos padrões de sociabilidade das comunidades nativas aborígenes, daí a importância dos habitantes da ilha de Samoa para os estudos antropológicos no Ocidente.
Samoa constituiu um padrão importante de dinâmica social, e considerá-lo nas análises antropológicas é constatar que a etnografia precisa ser aprimorada, a fim de que a história das sociedades primitivas não seja relegada ao esquecimento com o avanço da civilização.
Observar as práticas culturais e todo o sistema de valores de uma sociedade que estruturalmente diferencia-se dos padrões referenciais de quem observa permite não só́ compreender as dinâmicas sociais dos grupos observados como também refletir sobre as categorias de análise que possibilitam a mesma observação.
Questão 6
(Enem, 2017) Pude entender o discurso do cacique Aniceto, na assembleia dos bispos, padres e missionários, em que exigia nada mais, nada menos que os índios fossem batizados. Contestava a pastoral da Igreja, de não interferir nos costumes tribais, evitando missas e batizados. Para Aniceto, o batismo aparecia como sinal do branco, que dava reconhecimento de cristão, isto é, de humano, ao índio.
MARTINS, J. S. A chegada do estranho. São Paulo: Hucitec, 1993 (adaptado).
<br/>
O objetivo do posicionamento do cacique xavante em relação ao sistema religioso externo às tribos eraflexibilizar a crença católica e seus rituais como forma de evolução cultural.
acatar a cosmologia cristã e suas divindades como orientação ideológica legítima.
incorporar a religiosidade dominante e seus sacramentos como estratégia de aceitação social.
prevenir retaliações de grupos missionários como defesa de práticas religiosas sincréticas.
reorganizar os comportamentos tribais como instrumento de resistência da comunidade indígena.
Questão 7
<p><strong>TEXTO I</strong><br />
Frantz Fanon publicou pela primeira vez, em 1952, seu estudo sobre colonialismo e racismo, Pele negra, máscaras brancas. Ao dizer que “para o negro, há somente um destino” e que esse destino é branco, Fanon revelou que as aspirações de muitos povos colonizados foram formadas pelo pensamento colonial predominante.</p>
<p style="text-align: right;">BUCKINGHAM, W. et al. <strong>O livro da filosofia.</strong> São Paulo: Globo, 2011 (adaptado).</p>
<p><strong>TEXTO II</strong><br />
Mesmo que não queiramos cobrar desses estabelecimentos (salões de beleza) uma eficácia política nos moldes tradicionais da militância, uma vez que são estabelecimentos comerciais e não entidades do movimento negro, o fato é que, ao se autodenominarem “étnicos” e se apregoarem como divulgadores de uma autoimagem positiva do negro em uma sociedade racista, os salões se colocam no cerne de uma luta política e ideológica.</p>
<p style="text-align: right;">GOMES, N. <strong>Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra.</strong> São Paulo: Globo, 2011 (adaptado).</p>
<p>Os textos apresentam uma mudança relevante na constituição identitária frente à discriminação racial. No Brasil, o desdobramento dessa mudança revela o(a):</p>valorização de traços culturais.
utilização de resistência violenta.
fortalecimento da organização partidária.
enfraquecimento dos vínculos comunitários.
aceitação de estruturas de submissão social.
Questão 8
Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), é importante promover e proteger monumentos, sítios históricos e paisagens culturais. Mas não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. As tradições, o folclore, os saberes, as línguas, as festas e diversos outros aspectos e manifestações devem ser levados em consideração. Os afro-brasileiros contribuíram e ainda contribuem fortemente na formação do patrimônio imaterial do Brasil, que concentra o segundo contingente de população negra do mundo, ficando atrás apenas da Nigéria.
MENEZES, S. A força da cultura negra: Iphan reconhece manifestações como patrimônio imaterial. Disponível em: www.ipea.gov.br. Acesso em: 29 set. 2015.
Considerando a abordagem do texto, os bens imateriais enfatizam a importância das representações
culturais para aconstrução da identidade nacional.
elaboração do sentimento religioso.
dicotomia do conhecimento prático.
reprodução do trabalho coletivo.
reprodução do saber tradicional.
Questão 9
Quando falamos em identidade, logo pensamos em quem somos. A construção de identidades como: “ser brasileiro”, “ser português”, “ser cigano”, “ser gremista”, “ser homem”, “ser mulher” é um processo sociocultural pelo qual se marca as fronteiras de pertencimento social e/ou cultural. Tendo por base o anúncio transcrito acima, é correto afirmar que
as identidades são estáticas, é algo natural, ela nos acompanha por toda a vida.
as identidades são construídas nas relações sociais, são situacionais, relacionais e constroem-se na relação entre o “nós” e os “outros”, cria um nós coletivo
identidades surgem através de um determinismo geográfico que molda o nosso modo de ser e agir.
identidades são produtos de marketing e geram vínculos entre os indivíduos.
identidades são heranças genéticas.
Questão 10
Leia o texto a seguir:
A identidade cultural é um conjunto vivo de relações sociais e patrimônios simbólicos historicamente compartilhados, que estabelece a comunhão de determinados valores entre os membros de uma sociedade.
Sendo um conceito de trânsito intenso e tamanha complexidade, podemos compreender a constituição de uma identidade em manifestações que podem envolver um amplo número de situações que vão desde a fala até a participação em certos eventos.
<p style="text-align: right;"><strong>(Disponível em: www.mundoeducacao.com.br/sociologia.)</strong></p>
A sociologia tem grande interesse pelo assunto discutido no texto, pois, na vida social, os indivíduos compartilham a mesma cultura, e isso os caracteriza como membros do grupo social.
Sobre esse tema, assinale a alternativa incorreta.As discussões sobre desigualdade de gênero e diversidade sexual são importantes para se compreender a identidade cultural de um grupo social.
A cultura tem um papel importante na compreensão das personalidades, nos padrões de conduta e nas características próprias de cada indivíduo ou grupo.
A cultura como mercadoria é um elemento importante para a formação da identidade cultural de um indivíduo ou grupo, pois diferencia os que possuem e os que não possuem cultura por meio do acúmulo intelectual.
A identidade cultural contribui para que o indivíduo possa se adaptar à organização de seu grupo social, e isso permite um equilíbrio entre o mundo sociocultural e os indivíduos que vivem nele.
A capacidade de um indivíduo se identificar com sua cultura não pode ser compreendida como um fenômeno composto por valores morais fixos, pois estes devem ser associados às transformações históricas do grupo.
Questão 11
(UNESP-2012) Cada cultura tem suas virtudes, seus vícios, seus conhecimentos, seus modos de vida, seus erros, suas ilusões. Na nossa atual era planetária, o mais importante é cada nação aspirar a integrar aquilo que as outras têm de melhor, e a buscar a simbiose do melhor de todas as culturas. A França deve ser considerada em sua história não somente segundo os ideais de Liberdade-Igualdade-Fraternidade promulgados por sua Revolução, mas também segundo o comportamento de uma potência que, como seus vizinhos europeus, praticou durante séculos a escravidão em massa, e em sua colonização oprimiu povos e negou suas aspirações à emancipação. Há uma barbárie europeia cuja cultura produziu o colonialismo e os totalitarismos fascistas, nazistas, comunistas. Devemos considerar uma cultura não somente segundo seus nobres ideais, mas também segundo sua maneira de camuflar sua barbárie sob esses ideais.
Edgard Morin. Le Monde, 08.02.2012. Adaptado.
No texto citado, o pensador contemporâneo Edgard Morin desenvolvereflexões elogiosas acerca das consequências do etnocentrismo ocidental sobre outras culturas.
um ponto de vista idealista sobre a expansão dos ideais da Revolução Francesa na história.
argumentos que defendem o isolamento como forma de proteção dos valores culturais.
uma reflexão crítica acerca do contato entre a cultura ocidental e outras culturas na história.
uma defesa do caráter absoluto dos valores culturais da Revolução Francesa.