Intensivo Enem — Sociologia no Brasil

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    (UEMA, 2015) Sobre o sentido da ditadura militar brasileira, Octavio Ianni faz a seguinte análise:
    “O que está em questão, no período da ditadura militar, é a ostensiva entrada de militares no processo político e no aparelho estatal, de modo a realizar uma eficaz recuperação do Estado burguês em crise. Trata-se de instaurar, por via militar, as condições de ‘ordem e progresso‘, ou ‘segurança e desenvolvimento‘, que as burguesias não estavam em condições de criar por meio dos partidos. Diante do ascenso político do povo, de operários e camponeses, funcionários e empresários, estudantes e intelectuais, as burguesias nacional e estrangeira apelaram a determinados setores militares, policiais, da Igreja, latifundiários e outros, para quebrar a mesma ordem constitucional burguesa que as lutas de classe estavam fazendo avançar. Diante do ascenso político do povo, no sentido de fazer avançar a democracia, a grande burguesia prefere destruir inclusive as poucas conquistas democrático-burguesas alcançadas em 1946-64: voto secreto, partidos, habeas corpus, liberdade de imprensa, liberdade de reunião e discussão.”
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>Fonte: IANNI, Octavio. Populismo e militarismo. In: Pensamento social no Brasil. Bauru, SP: EDUSC, 2004, p.289. </strong></p>
    Segundo o texto acima, o golpe militar de 1964, no Brasil, resultou de

    1. parceria entre militares e burguesia, sendo, portanto, civil e militar.

    2. fortalecimento da política constitucional brasileira, alcançada em 1946-64.

    3. manutenção da segurança e o desenvolvimento econômico do operariado.

    4. comprometimento das elites econômicas com o avanço da democracia radical.

    5. desejo da cúpula militar na ascensão política do povo excluído.

  2. Questão 2

    (Unioeste, 2013) O antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, em sua obra O Povo Brasileiro, afirma: “Nós, brasileiros, somos um povo sem ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela, fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos oriundos da mestiçagem viveu por séculos sem consciência de si, afundada na ninguendade. Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros.”
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>RIBEIRO, D. O Povo Brasileiro. 1995, p.453.</strong></p>
    Partindo da análise do texto transcrito acima, assinale a alternativa INCORRETA.

    1. A identidade nacional brasileira nasceu do encontro e mestiçagem entre diversos grupos étnicos.

    2. A miscigenação do povo brasileiro se deu fisicamente e principalmente no seu modo de ser e agir.

    3. A mestiçagem no Brasil foi um erro histórico e um obstáculo para a construção de uma identidade nacional.

    4. As identidades não são coisas com as quais nascemos, são formadas e transformadas no interior das representações coletivas.

    5. O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado, é herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e as experiências adquiridas pelas numerosas gerações que o antecederam.

  3. Questão 3

    (Enem PPL, 2015) A população negra teve que enfrentar sozinha o desafio de ascensão social, e frequentemente procurou fazê-lo por rotas originais, como o esporte, a música e a
    dança. Esporte, sobretudo o futebol, música, sobretudo o samba, e dança, sobretudo o carnaval, foram os principais canais de ascensão social dos negros até recentemente. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje, apesar das leis, aos privilégios e
    arrogâncias de poucos correspondem o desfavorecimento e a humilhação de muitos.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006 (adaptado).</strong></p>
    Em relação ao argumento de que no Brasil existe uma democracia racial, o autor demonstra que

    1. essa ideologia equipara a nação a outros países modernos.

    2. esse modelo de democracia foi possibilitado pela miscigenação.

    3. essa peculiaridade nacional garantiu mobilidade social aos negros.

    4. esse mito camuflou formas de exclusão em relação aos afrodescendentes.

    5. essa dinâmica política depende da participação ativa de todas as etnias.

  4. Questão 4

    (Unioeste, 2016) Para Gilberto Freire, a família, não o indivíduo, nem tampouco o Estado nem nenhuma companhia de comércio, é, desde o século XVI, o grande fator colonizador no Brasil, a unidade produtiva, o capital que desbrava o solo, instala as fazendas, compra escravos, bois, ferramentas, a força social que se desdobra em política, constituindo-se na aristocracia colonial mais poderosa da América. Sobre ela, o rei de Portugal quase reina sem governar. Os senados de Câmara, expressões desse familismo político, cedo limitam o poder dos reis e mais tarde o próprio imperialismo ou, antes, parasitismo econômico, que procura estender do reino às colônias os seus tentáculos absorventes
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> (Gilberto Freire. Casa Grande & Senzala. Rio de Janeiro: José Olympio. 1994, p. 19).</strong></p>
    Assinale a afirmativa CORRETA.

    1. Para Freire, o Estado Brasileiro foi o grande impulsionador do desenvolvimento brasileiro.

    2. Para Freire, o rei de Portugal mantinha o total controle sobre o processo de colonização no Brasil.

    3. Para Freire, a família não pode ser considerada o agente colonizador do Brasil.

    4. Para Freire, a família foi predominante no desenvolvimento da sociedade brasileira, sua existência relacionou-se, desde o início, ao domínio das grandes propriedades, tanto na zona rural como posteriormente no meio urbano.

    5. Para Freire, a família manteve-se longe da aristocracia colonial brasileira.

  5. Questão 5

    (Enem, 2015) Em sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que os simples vínculos de pessoa a pessoa, independentes e até exclusivos de qualquer tendência para a cooperação autêntica entre os indivíduos, tenham sido quase sempre os mais decisivos. As agregações e relações pessoais, embora por vezes precárias, e, de outro lado, as lutas entre facções, entre famílias, entre regionalismos, faziam dela um todo incoerente e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece ter sido, por essa época, uma acentuação singularmente enérgica do afetivo, do irracional, do passional e uma estagnação ou antes uma atrofia correspondente das qualidades ordenadoras disciplinadoras, racionalizadoras.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> (HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.)</strong></p>
    Um traço formador da vida pública brasileira expressa-se, segundo a análise do historiador, na

    1. rigidez das normas jurídicas.

    2. prevalência dos interesses privados.

    3. solidez da organização institucional.

    4. legitimidade das ações burocráticas.

    5. estabilidade das estruturas políticas.

  6. Questão 6

    <p style="text-align: justify;">A ideia da exist&ecirc;ncia de uma democracia racial no Brasil foi desconstru&iacute;da pelos estudos de Florestan Fernandes, sobretudo, em seu livro A integra&ccedil;&atilde;o do negro na sociedade de classes. Nesta obra de 1965, o autor argumenta que a democracia racial na sociedade brasileira &eacute; um mito na medida em que a aboli&ccedil;&atilde;o da escravatura libertou os negros &ldquo;oficialmente&rdquo;, mas n&atilde;o os incluiu na sociedade como cidad&atilde;os, mantendo, assim, a discrimina&ccedil;&atilde;o e a submiss&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra aos brancos, permanecendo, portanto, as desigualdades sociais entre negros e brancos.</p>
    <p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
    <p style="text-align: justify;">A democracia racial no Brasil, de fato, ainda se constitui como um mito, identificado na fala cotidiana brasileira com express&otilde;es de preconceito racial, a exemplo de</p>

    1. “Vamos acabar com essa negrinhagem”; “serviço de preto”; “Respeito à diversidade”.

    2. “Cabelo de palha de aço”; “Todas as pessoas nascem iguais.”; “Lápis cor de pele”.

    3. “Nasceu com um pé na cozinha”; “Inveja branca”; “A primeira igualdade é a justiça”.

    4. “Da cor do pecado”; “Ser diferente é legal”; “Não sou tuas negas”.

    5. “A coisa tá preta”; “Cabelo ruim”; “Negro de alma branca”.

  7. Questão 7

    <p style="text-align: justify;">&ldquo;A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes t&atilde;o gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um tra&ccedil;o definido do car&aacute;ter do brasileiro [...]&rdquo;</p>
    <p style="text-align: right;"><strong>HOLANDA, S&eacute;rgio Buarque. Ra&iacute;zes do Brasil. S&atilde;o Paulo, 2011. p. 146.</strong></p>
    <p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
    <p style="text-align: justify;">O fragmento acima representa um conceito e uma ideia desenvolvida na obra de S&eacute;rgio Buarque de Holanda, ao definir uma caracter&iacute;stica do povo brasileiro.</p>
    <p style="text-align: justify;">A esse respeito, marque a alternativa correta.</p>

    1. Trata-se de uma característica que faz uma reflexão sobre a violência no país.

    2. Trata-se daquilo que é conhecida atualmente como capacidade empreendedora do povo brasileiro.

    3. Representa características do coronelismo praticado no Brasil ao longo do Século XX.

    4. Reflete o padrão civilizatório do povo brasileiro.

    5. Descreve elementos ligados à capacidade cooperativa do povo brasileiro.

  8. Questão 8

    (Enem PPL, 2012)

    <p style="text-align: justify;">
    O desenho retrata a fazenda de São Joaquim da Grama com a casa-grande, a senzala e outros edifícios representativos de uma estrutura arquitetônica característica do período escravocrata no Brasil. Esta organização do espaço representa uma

    1. estratégia econômica e espacial para manter os escravos próximos do plantio.

    2. tática preventiva para evitar roubos e agressões por escravos fugidos.

    3. forma de organização social que fomentou o patriarcalismo e a miscigenação.

    4. maneira de evitar o contato direto entre os escravos e seus senhores.

    5. particularidade das fazendas de café das regiões Sul e Sudeste do país.

  9. Questão 9

    <p style="text-align: justify;">A forma&ccedil;&atilde;o do Brasil e a identidade do brasileiro foram bastante discutidas no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX pelos soci&oacute;logos brasileiros Gilberto Freyre, S&eacute;rgio Buarque de Holanda e Caio Prado J&uacute;nior.</p>
    <p style="text-align: justify;">A respeito das an&aacute;lises de Freyre, em seu livro &ldquo;Casa Grande e Senzala&rdquo;, &eacute; correto afirmar:</p>

    1. <p style="text-align: justify;">Criou uma tipologia para estudar a forma&ccedil;&atilde;o do Brasil e do brasileiro, dando &ecirc;nfase explicativa ao tipo aventureiro do portugu&ecirc;s em detrimento do tipo semeador.</p>

    2. <p style="text-align: justify;">Fez um estudo da coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa, descrevendo a forma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia patriarcal brasileira, dando especial import&acirc;ncia &agrave; miscigena&ccedil;&atilde;o como tra&ccedil;o cultural.</p>

    3. <p style="text-align: justify;">Observou que a cordialidade do povo brasileiro lhe dificultava o reconhecimento da moderna impessoalidade nas rela&ccedil;&otilde;es sociais.</p>

    4. <p style="text-align: justify;">Utilizou o materialismo dial&eacute;tico como chave explicativa dos fatos sociais que condicionavam o destino do pa&iacute;s.</p>

    5. Tratou da decadência do patriarcado rural e do crescimento das elites urbanas no Brasil.

  10. Questão 10

    <p style="text-align: justify;">A desagrega&ccedil;&atilde;o do regime escravocrata e senhorial operou-se, no Brasil, sem que se cercasse a destitui&ccedil;&atilde;o dos antigos agentes de trabalho escravo de assist&ecirc;ncia e garantias que os protegessem na transi&ccedil;&atilde;o para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manuten&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a dos libertos, sem que o estado, a igreja ou outra qualquer institui&ccedil;&atilde;o assumissem encargos especiais para prepar&aacute;-los para o novo regime de organiza&ccedil;&atilde;o da vida e do trabalho. [...] Em suma, a sociedade brasileira largou o negro ao seu pr&oacute;prio destino, deitando sobre seus ombros a responsabilidade de reeducar-se e de transformar-se para corresponder aos novos padr&otilde;es de ideais de homem criados pelo advento do trabalho livre, do regime republicano e do capitalismo.</p>
    <p style="text-align: right;"><strong>FERNANDES, Florestan. A integra&ccedil;&atilde;o do negro na sociedade de classes. 5. ed. S&atilde;o Paulo: Globo, 2008.</strong></p>
    <p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
    <p style="text-align: justify;">O abandono e o descuido para com esse grupo &eacute;tnico, descrito por Florestan Fernandes, podem ser apontados nos dias atuais como respons&aacute;veis</p>

    1. pelo baixo índice de escolaridade, preconceito e exclusão social do negro no Brasil.

    2. pelo aumento do sentimento de pertencimento nacional dos grupos afrodescendentes.

    3. pela separação entre brancos e negros nos espaços públicos e no mercado de trabalho brasileiro.

    4. por um dinamismo cultural que integrou a população brasileira em torno de valores oriundos da África.

    5. pela integração do negro na sociedade brasileira, independentemente de ações afirmativas e políticas públicas.