Extensivo Enem - Política

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    (UERJ, 2015) A um grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes começaram a espancar condutores, esfaquear mulas, virar bondes e arrancar trilhos ao longo da rua Uruguaiana. Dois pelotões do Exército ocuparam o Largo de São Francisco, postando-se parte da tropa em frente à Escola Politécnica, atual prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. A multidão dispersou-se e, salvo pequenos distúrbios nos três dias seguintes, estava findo o motim do vintém. A cobrança da taxa passou a ser quase aleatória. As próprias companhias de bondes pediam ao governo que a revogasse. Desmoralizado, o ministério caiu a 28 de março. O novo ministério revogou o desastrado tributo.
    Adaptado de CARVALHO, José Murilo de. A Guerra do Vintém. _Revista de História_, setembro/2007

    Ocorrida entre o final de 1879 e o início de 1880, a Revolta do Vintém representou a manifestação de segmentos populares descontentes com a decisão do governo de aumentar os preços das passagens dos bondes puxados a burro, que trafegavam na então capital do Império.
    Um dos principais efeitos dessa revolta naquele momento foi:

    1. politização dos oficiais militares

    2. privatização dos serviços públicos

    3. modernização dos meios de transporte

    4. enfraquecimento das instituições monárquicas

  2. Questão 2

    <p> (Enem, 2014) Em 1879, cerca de cinco mil pessoas reuniram-se para solicitar a D. Pedro II a revogação de uma taxa de 20 réis, um vintém, sobre o transporte urbano. O vintém era a moeda de menor valor da época. A polícia não permitiu que a multidão se aproximasse do palácio. Ao grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes espancaram condutores, esfaquearam mulas, viraram bondes e arrancaram trilhos. Um oficial ordenou fogo contra a multidão. As estatísticas de mortos e feridos são imprecisas, Muitos interesses se fundiram nessa revolta, de grandes e de políticos, de gente miúda e de simples cidadãos. Desmoralizado, o ministério caiu. Uma grande explosão social, detonada por um pobre vintém.</p>
    <p style="text-align: right;"><small><strong><span style="font-size:14px">Dispon&iacute;vel em: www.revistadehistoria.com.br. Acesso em: 4 abr. 2014 (adaptado).</span></strong></small></p>

    A leitura do trecho indica que a coibição violenta das manifestações representou uma tentativa de

    1. capturar os ativistas radicais.

    2. proteger o patrimônio privado.

    3. salvaguardar o espaço público.

    4. conservar o exercício do poder.

    5. sustentar o regime democrático.

  3. Questão 3

    (Unicentro, 2018)<p style="text-align: justify;"> "&Agrave; estrat&eacute;gia do poder autocr&aacute;tico pertence n&atilde;o apenas o n&atilde;o dizer, mas tamb&eacute;m o dizer em falso: al&eacute;m do sil&ecirc;ncio, a mentira. Quando &eacute; obrigado a falar, o autocrata pode servir-se da palavra n&atilde;o para manifestar em p&uacute;blico as suas pr&oacute;prias e reais inten&ccedil;&otilde;es, mas para escond&ecirc;-las. [...] O povo, ou n&atilde;o deve saber, porque n&atilde;o &eacute; capaz de entender, ou deve ser enganado, porque n&atilde;o suporta a luz da verdade.&rdquo;</p>
    <p align="right" style="margin-left:148.85pt;"><strong>(BOBBIO, Norberto. Teoria geral da pol&iacute;tica. A filosofia pol&iacute;tica e a li&ccedil;&atilde;o dos cl&aacute;ssicos. Rio de Janeiro: Campus, 2000, p. 389).</strong></p>

    <p style="text-align: justify;">Embora a democracia seja a ant&iacute;tese de todo o poder autocr&aacute;tico, o exerc&iacute;cio do poder muitas vezes perverte-se nas m&atilde;os de quem o det&eacute;m. Qual, das caracter&iacute;sticas abaixo, N&Atilde;O compreende um princ&iacute;pio democr&aacute;tico?</p>

    1. O poder na democracia não deve privilegiar um grupo ou classe; ao contrário, deve permitir que todos os setores da sociedade sejam legitimamente representados.

    2. Na democracia, a informação deve circular livremente e a cultura não deve ser privilégio de alguns.

    3. Na democracia, o pensamento do povo deve ser homogeneizado, no sentido que o conflito de ideias, o debate, devam ser evitados.

    4. É interessante que o povo seja instruído, pois assim ele aumentará o seu poder de reivindicação; daí a necessidade da ampla extensão da educação.

    5. Divergir é inerente à sociedade pluralista. A democracia deve respeitar o pensamento divergente, os múltiplos discursos, bem como admitir uma heterogeneidade essencial.

  4. Questão 4

    (Enem PPL, 2016) <p style="text-align: justify;">As informa&ccedil;&otilde;es sugeridas por Ant&ocirc;nio Manuel est&atilde;o imersas em um jornal dividido entre o &quot;real&quot; e o que podemos chamar de &quot;situacional&quot;. O artista transforma todo o clima de repress&atilde;o na pr&oacute;pria mat&eacute;ria de seu trabalho, utilizando os meios de comunica&ccedil;&atilde;o como arma (ir&ocirc;nica) contra a estrutura de poder de um Estado autorit&aacute;rio.</p>
    <p align="right"><strong>SCOVINO, F. Com as armas do inimigo. Revista de Hist&oacute;ria da Biblioteca Nacional, n. 84. set. 2012 (adaptado).</strong></p>

    No contexto histórico descrito, a estratégia adotada por alguns segmentos da imprensa para a construção de uma crítica sociopolítica foi a de

    1. burlar a censura, contribuindo para a análise da vida social.

    2. justificar o regime vigente, apresentando versões diversas da realidade.

    3. estimular a livre interpretação dos fatos, atendendo aos interesses dominantes.

    4. aprimorar o alcance das informações, apresentando as notícias em tempo real.

    5. manipular a visão coletiva, promovendo interpretações distorcidas das notícias oficiais

  5. Questão 5

    <p style="text-align: justify;">C&uacute;pula dos Povos come&ccedil;a como contraponto &agrave; Rio+20</p>
    <p style="text-align: justify;">Enquanto a confer&ecirc;ncia oficial no Riocentro, na Barra, &eacute; restrita a participantes credenciados, que s&oacute; entram depois de passar por um forte controle de seguran&ccedil;a, a C&uacute;pula dos Povos &eacute; aberta ao p&uacute;blico, em tendas ao ar livre no Aterro do Flamengo. Ela &eacute; aberta tamb&eacute;m &agrave;s tribos e discuss&otilde;es mais diversas, em mesas de debate e pain&eacute;is geridos pelos pr&oacute;prios participantes, buscando promover a mobiliza&ccedil;&atilde;o social. Problemas ambientais, econ&ocirc;micos, sociais, pol&iacute;ticos e de minorias ser&atilde;o discutidos no evento, afirma uma ativista norte-americana, em alus&atilde;o ao movimento que ocupou Wall Street, em Nova York, no ano passado.</p>
    <p style="text-align: right;"><strong>Dispon&iacute;vel em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 14 ago. 2012.</strong></p>

    Uma articulação entre as agendas ambientalistas e a antiglobalização indica a

    1. humanização do sistema capitalista financeiro.

    2. consolidação do movimento operário internacional.

    3. promoção de consenso com as elites políticas locais.

    4. constituição de espaços de debates transversais globais.

    5. construção das pautas com os partidos políticos socialistas.

  6. Questão 6

    (Enem PPL, 2018)
    Colonizar, afirmava, em 1912, um eminente jurista “é relacionar-se com os países novos para tirar benefícios dos recursos de qualquer natureza desses países, aproveitá-los no interesse nacional, e ao mesmo tempo levar às populações primitivas as vantagens da cultura intelectual, social, científica, moral, artística, literária, comercial e industrial, apanágio das raças superiores. A colonização é, pois, um estabelecimento fundado em país novo por uma raça de civilização avançada, para realizar o duplo fim que acabamos de indicar."
    MÉRIGNHAC. Précis de législation et d´économie coloniales. Apud LINHARES, M. Y. A luta contra a Metrópole (Ásia e África). São Paulo: Brasiliense, 1981.
    A definição de colonização apresentada no texto tinha a função ideológica de

    1. dissimular a prática da exploração mediante a ideia de civilização.

    2. compensar o saque das riquezas mediante a educação formal dos colonos.

    3. formar uma identidade colonial mediante a recuperação de sua ancestralidade.

    4. reparar o atraso da Colônia mediante a incorporação dos hábitos da Metrópole.

    5. promover a elevação cultural da Colônia mediante a incorporação de tradições metropolitanas.

  7. Questão 7

    (Enem 2011) Embora o Brasil seja signatário de convenções e tratados internacionais contra a tortura e tenha incorporado em seu ordenamento jurídico uma lei tipicando o crime, ele continua a ocorrer em larga escala. Mesmo que a lei tipifica a tortura esteja vigente desde de 1997, até o ano 2000 não se conhece nenhum caso de condenação a torturadores julgados em ultima instância, embora tenham sido registrados nesse período centenas de casos, além de numerosos outros presumíveis, mas não registrados.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>Disponível em: http://www.dhnet.org.br. Acesso em: 16 jun. 2010 (adaptado).</strong></p>
    O texto destaca a questão da tortura no país, apontando que

    1. a justiça brasileira, por meio de tratados e leis, tem conseguido inibir e, inclusive, extinguir a prática da
      tortura.

    2. a existência da lei não basta como garantia de justiça para as vítimas e testemunhas dos casos de tortura.

    3. as denúncias anônimas dificultam a ação da justiça, torturadores sejam reconhecidos e identificado pelo crime cometido

    4. a falta de registro da tortura por parte das autoridades policiais, em razão do desconhecimento da tortura como crime, legitima a impunidade.

    5. a justiça tem esbarrado na precária existência de jurisprudência a respeito da tortura, o que a impede de atuar nesses casos.

  8. Questão 8

    (FDSM, 2017) <p style="text-align: justify;">Para Maquiavel &ldquo;o Pr&iacute;ncipe&rdquo; &eacute; o &uacute;nico que carrega em seus ombros o peso da press&atilde;o e da responsabilidade do governo do Estado e dos interesses de toda a coletividade. Portanto, n&atilde;o deve e nem pode ter, quando governa, os valores morais das pessoas comuns. Em alguns momentos &eacute; at&eacute; conveniente, se necess&aacute;rio, que ele utilize recursos como a for&ccedil;a e a mentira.</p>
    <p style="text-align: justify;">Podemos dizer que Maquiavel, em sua obra &ldquo;O Pr&iacute;ncipe&rdquo;:</p>

    1. Apresenta fundamentos do liberalismo político que o colocam como um precursor do pensamento iluminista.

    2. Opõe-se ao pensamento político do Antigo Regime.

    3. Propõe a sofocracia, o governo de um rei-filósofo.

    4. Reafirma os valores iluministas de sua época.

    5. Reavalia as relações entre ética e política durante um período de governos absolutistas.

  9. Questão 9

    <p style="text-align: justify;">O soci&oacute;logo alem&atilde;o Max Weber (1864-1920) definiu domina&ccedil;&atilde;o como a &ldquo;possibilidade de encontrar obedi&ecirc;ncia para ordens espec&iacute;ficas (ou todas) dentro de determinado grupo de pessoas&rdquo;</p>
    <p align="right" style="margin-left:36.0pt;"><strong>(WEBER, M. Economia e sociedade. Bras&iacute;lia: UnB, 1991. p. 139).</strong></p>

    <p style="text-align: justify;">Em Weber este conceito est&aacute; relacionado &agrave; ideia de autoridade e a partir dele &eacute; poss&iacute;vel analisar a estrutura das organiza&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es como empresas, igrejas e governos. Na sociedade capitalista, dentre os v&aacute;rios tipos de domina&ccedil;&atilde;o existentes, predomina a domina&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica ou racional.
    Assinale a alternativa que indica corretamente a quem se deve obedi&ecirc;ncia nesse tipo de domina&ccedil;&atilde;o.</p>

    1. “À ordem impessoal, objetiva e legalmente estatuída e aos superiores por ela determinados, em virtude da legalidade formal de suas disposições.”

    2. “Aos mais velhos, pois são eles os melhores conhecedores da tradição sagrada.”

    3. “Ao líder carismaticamente qualificado como tal, em virtude de confiança pessoal na sua capacidade de revelação, heroísmo ou exemplaridade.”

    4. “À pessoa do senhor nomeada pela tradição e vinculada a esta, em virtude de devoção aos hábitos costumeiros.”

    5. “Ao senhor, mas não a normas positivas estabelecidas. E isto unicamente segundo a tradição.”

  10. Questão 10

    (Enem, 2017) Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência sobre essa vida? Se assim é, esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das outras, de modo que essa finalidade será o bem humano.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991 (adaptado).</strong></p>
    Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que

    1. o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses.

    2. o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade.

    3. a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade.

    4. a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente.

    5. a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum.