Extensivo Enem - Guy Debord e a sociedade do espetáculo

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    (Unesp, 2018) A sociedade do espetáculo corresponde a uma fase específica da sociedade capitalista, quando há uma interdependência entre o processo de acúmulo de capital e o processo de acúmulo de imagens. O papel desempenhado pelo marketing, sua onipresença, ilustra perfeitamente bem o que Guy Debord quis dizer: das relações interpessoais à política, passando pelas manifestações religiosas, tudo está mercantilizado e envolvido por imagens. Assim como o conceito de “indústria cultural”, o conceito de “sociedade do espetáculo” faz parte de uma postura crítica com relação à sociedade capitalista. São conceitos que procuram apontar aquilo que se constitui em entraves para a emancipação humana.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>(Cláudio N. P. Coelho. “Mídia e poder na sociedade do espetáculo”. https://revistacult.uol.com.br. Adaptado.) </strong></p>
    Segundo o texto,

    1. a transformação da cultura em mercadoria é uma característica fundamental desse fenômeno social.

    2. a padronização da estética pela sociedade do espetáculo restringe-se ao campo da publicidade.

    3. a hegemonia do espetáculo desempenha papel fundamental na formação da autonomia do sujeito.

    4. o universo estético de produção das imagens não é determinado pela base material da sociedade.

    5. o conceito de sociedade do espetáculo realiza uma reflexão contestadora sobre a indústria cultural.

  2. Questão 2

    (UECE, 2018) Ricciotto Canudo (1877-1923), jornalista, poeta, intelectual e um dos primeiros críticos cinematográficos, escreveu, no ano de 1912, um ensaio que recebeu o título de “O nascimento da sétima arte”, no qual exalta o cinema como um novo meio de expressão capaz de sintetizar as artes do espaço e do tempo, e o coloca no elenco convencional das artes: a arquitetura, a música, a pintura, a escultura, a poesia e a dança. A questão fundamental é que, na primeira década do século XX, o cinema já estava se tornando

    1. o maior concorrente da fabricação de automóveis a preço acessível.

    2. um veículo para a propagação de cultura para as massas.

    3. o substituto das apresentações teatrais e de hipnose populares da época.

    4. mais uma mercadoria comum da nascente indústria da fotografia.

    5. Uma ferramenta de emancipação contra as várias formas de controle social

  3. Questão 3

    (Interbits, 2012) No dia 12/07/2012, no Programa “Na Moral”, de Pedro Bial, o ator Pedro Cardoso comentou sobre o trabalho dos paparazzi. Leia abaixo um trecho de seu comentário:
    Pedro Cardos – Todo mundo tem curiosidade de saber quem eu sou. [...] E através dessa falsa e ridícula mídia que vende a vida particular das pessoas, ninguém está sabendo verdadeiramente quem eu sou. São falsas notícias. Artistas que programam com seus paparazzi particulares falsos encontros... Tudo isso é mentira. A verdade é aqui, eu aqui e ela ali, você aqui, isso é uma coisa verdadeira. Essa indústria que vende a nossa vida, ela vende a mentira. [...] Há uma demanda, mas a verdadeira demanda é pela verdade, não é pela mentira.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> Programa Na Moral apresentado em 12/07/2012 [transcrição]. Disponível em: <http://tvg.globo.com/programas/na-moral...i/2038750/>. Acesso em 15/07/2012.</strong></p>
    A fala de Pedro Cardoso aproxima-se à abordagem sociológica a respeito da transmissão de cultura em um contexto capitalista. Qual dos conceitos sociológicos abaixo é aquele que serve melhor para a compreensão da crítica de Pedro Cardoso à mídia?

    1. Fetichismo da mercadoria.

    2. Indústria Cultural.

    3. Classe social.

    4. Cultura erudita.

    5. Cultura burguesa.

  4. Questão 4

    (UFGD, 2018) A busca incessante pelo corpo perfeito, do ponto de vista estético, é significativamente incentivada pela mídia na atualidade. Esse fenômeno contribui, sobretudo, para

    1. a integração social da maioria das pessoas nos mais diversos contextos.

    2. a melhoria significativa da saúde de grande parcela da população.

    3. o estabelecimento de estereótipos ou modelos corporais cuja compleição é condizente com a da maioria da população.

    4. a satisfação plena da maioria da população, devido ao massivo alcance do objetivo de obtenção de um corpo estereotipado.

    5. o estabelecimento de estereótipos ou modelos corporais cuja compleição não é condizente com a da maioria da população.

  5. Questão 5

    (Unemat, 2019) “O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizadas por imagens”.
    “No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso”
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>(DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. 2003, pp. 9-11. Disponível em: http://www.cisc.org.br/portal/biblioteca/socespetaculo.pdf. Acesso em: abr. 2019.)</strong></p>
    A partir dos dois enunciados acima é possível compreender que as mídias sociais, na atualidade, têm modificado as relações entre as pessoas, espetacularizando o mundo. Assinale a alternativa correta que representa a ideia sociológica expressa no texto.

    1. O texto refere-se à solidariedade mecânica de Èmile Durkheim e os modos como se estabelecem as relações a partir do trabalho com as mídias sociais, criando uma inversão da realidade.

    2. O texto refere-se às interpretações sociológicas de Èmile Durkheim, porque apresentam a ideia de que as relações sociais entre as pessoas se desenvolvem a partir da soma dos interesses individuais.

    3. O texto refere-se à separação entre o mundo do trabalho não midiatizado e o midiatizado, ao processo de secularização explicado por Max Weber.

    4. O texto refere-se à aplicação do conceito de alienação de Karl Marx, pois as mídias sociais, ao mediatizar as relações entre as pessoas, muitas vezes invertem o senso de realidade e o falso passa a ser o verdadeiro.

    5. O texto refere-se às ideias de Karl Marx a respeito de como as imagens exercem uma dominação carismática nas pessoas e atua nelas de um modo falso.

  6. Questão 6

    (Unesp, 2018) A mídia é estética porque o seu poder de convencimento, a sua força de verdade e autoridade, passa por categorias do entendimento humano que estão pautadas na sensibilidade, e não na racionalidade. A mídia nos influencia por imagens, e não por argumentos. Se a propaganda de um carro nos promete o dom da liberdade absoluta e não o entrega, a propaganda política não vai ser mais cuidadosa na entrega de suas promessas simbólicas, mesmo porque ela se alimenta das mesmas categorias de discurso messiânico que a religião, outra grande área de venda de castelos no ar.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> (Francisco Fianco. “O desespero de pensar a política na sociedade do espetáculo”. http://revistacult.uol.com.br, 11.01.2017. Adaptado.)</strong></p>
    Considerando o texto, a integração entre os meios de comunicação de massa e o universo da política apresenta como implicação<br>

    1. a redução da discussão política aos padrões da propaganda e do marketing.

    2. a ampliação concreta dos horizontes de liberdade na sociedade de massas.

    3. o fortalecimento das instituições democráticas e dos direitos de cidadania.&nbsp;

    4. o apelo a recursos intelectuais superiores de interpretação da realidade.

    5. a mobilização de recursos simbólicos ampliadores da racionalidade.

  7. Questão 7

    (ENEM-2015) Na sociedade contemporânea, onde as relações sociais tendem a reger-se por imagens midiáticas, a imagem de um indivíduo, principalmente na indústria do espetáculo, pode agregar valor econômico na medida de seu incremento técnico: amplitude do espelhamento e da atenção pública. Aparecer é então mais do que ser; o sujeito é famoso porque é falado. Nesse âmbito, a lógica circulatória do mercado, ao mesmo tempo que acena democraticamente para as massas com supostos “ganhos distributivos" (a informação ilimitada, a quebra das supostas hierarquias culturais), afeta a velha cultura disseminada na esfera pública. A participação nas redes sociais, a obsessão dos selfies, tanto falar e ser falado quanto ser visto são índices do desejo de “espelhamento".
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>SODRÉ, M. Disponível em: http://alias.estadao.com.br. Acesso em: 9 fev. 2015 (adaptado).</strong></p>
    A crítica contida no texto sobre a sociedade contemporânea enfatiza

    1. a prática identitária autorreferente.

    2. a dinâmica política democratizante.

    3. a produção instantânea de notícias.

    4. os processos difusores de informações.

    5. os mecanismos de convergência tecnológica.

  8. Questão 8

    <p>A cr&iacute;tica &eacute; uma quest&atilde;o de dist&acirc;ncia certa. O olhar hoje mais essencial, o olho mercantil que penetra no cora&ccedil;&atilde;o das coisas, chama-se propaganda. Esta arrasa o espa&ccedil;o livre da contempla&ccedil;&atilde;o e aproxima tanto as coisas, coloca-as t&atilde;o debaixo do nariz quanto o autom&oacute;vel que sai da tela de cinema e cresce, gigantesco, tremeluzindo em dire&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s. E, do mesmo modo que o cinema n&atilde;o oferece m&oacute;veis e fachadas a uma observa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica completa, mas d&aacute; apenas a sua espetacular, r&iacute;gida e repentina proximidade, tamb&eacute;m a propaganda aut&ecirc;ntica transporta as coisas para primeiro plano e tem um ritmo que corresponde ao de um bom filme.</p>
    <p style="text-align: right;"><span style="font-size:12px">BENJAMIN, W.<strong>&nbsp;Rua de m&atilde;o &uacute;nica</strong>: inf&acirc;ncia berlinense &ndash; 1900. Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica, 2013 (adaptado).</span></p>
    <p>O texto apresenta um entendimento do fil&oacute;sofo Walter Benjamin, segundo o qual a propaganda dificulta o procedimento de an&aacute;lise cr&iacute;tica em virtude do(a)</p>

    1. caráter ilusório das imagens.

    2. evolução constante da tecnologia.

    3. aspecto efêmero dos acontecimentos.

    4. conteúdo objetivo das informações.

    5. natureza emancipadora das opiniões

  9. Questão 9

    (UNISC, 2015) A indústria de bens simbólicos
    O desenvolvimento industrial não se limitou à produção em massa de bens de consumo como casas, roupas, móveis e cosméticos. Direcionada à produção de bens simbólicos, a indústria cultural também conheceu o desenvolvimento de suas atividades e o aumento de sua importância. Assim como a produção material, a indústria cultural é caracterizada pela produção em série com forte investimento tecnológico, cujo principal objetivo é o lucro. Contudo, ela está voltada ao entretenimento, à informação e ao consumo de um amplo público, independentemente de sexo, idade, religião, formação ou classe social.
    Desse modo, a indústria cultural, alimentando o imaginário das mais diversas, desenvolveu-se rapidamente pelos meios de comunicação de massa, como a imprensa, o rádio, a televisão e o cinema. Trata-se de uma mercadoria, o “objetosigno”, como definiu o sociólogo francês Jean Baudrillard. Os signos não são arbitrários. Eles reproduzem as relações sociais e têm o poder de trazer aquilo que significam aos seus consumidores. Assim, por exemplo, uma casa se transforma em objeto de consumo, catalisando aquilo que o consumidor tem direito.
    A casa-signo atribui status, importância, situação social. Ao desejá-la e adquiri-la, o consumidor reafirma sua condição social e um estilo de vida que lhe é próprio. Mas, se não chegar a adquiri-la, ele pode apenas compartilhar o que a casa representa como signo e passar a desejá-la. Isso pode ocorrer por meio da publicidade ou por diversas situações nas quais ele experimenta a casa no imaginário – filmes, programas televisivos, concursos, campanhas, etc.
    Os sonhos, desejos e anseios, estimulados pela publicidade e por outros meios, mobilizam o consumidor ao mesmo tempo que reafirmam a lógica social e os padrões nos quais se sustentam. Quando chega a adquirir a mercadoria, o consumidor já não está preocupado com o valor do uso, mas com o valor simbólico que o objeto representa na afirmação de sua identidade social. Processa-se um deslocamento entre valor de uso e valor simbólico. Isso significa que, muitas vezes, adquirindo o objetosigno, o consumidor nada quer de sua utilidade, mas tão somente o que ele representa como status e prestígio. Outras vezes, tendo acesso ao bem simbólico, o indivíduo já não precisa obter a mercadoria útil, concreta e material. Há um deslocamento entre signo, referente, produto e utilidade, quer para o consumidor do produto, quer para o consumidor da imagem.
    Outro tipo de mercadoria criado pela indústria cultural, além da mera simbolização do produto consumível, é o bem simbólico propriamente dito, ou a informação. É outro bem imaterial e abstrato, produzido socialmente e que tem, cada vez mais, um valor monetário, ou seja, um valor de troca. A chamada sociedade da informação caracteriza-se por transformar suas relações, instituições e trabalho material em informação, convertendo-se no mais valioso produto da sociedade. A informação distingue-se da publicidade por ter um valor concreto que coincide com sua utilidade, enquanto a propaganda, o discurso que mobiliza o consumo, tem como utilidade apenas o estímulo que representa para o mercado.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>(COSTA, Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2010, p. 447.)</strong></p>
    Na perspectiva modalizada pelo texto, aponte qual é a alternativa incorreta

    1. a indústria cultural também possui uma mercadoria, sendo esta de natureza simbólica.

    2. os signos são imotivados, uma vez que reproduzem as relações sociais.

    3. os signos carregam em si o valor de sentido que representam às plateias a que se dirigem.

    4. o objeto-signo é um bem material (produto, serviço) transformado em percepção simbólica do status que representa.

    5. a posse do objeto-signo reafirma o lugar do sujeito quanto à sua condição social e estilo de vida.

  10. Questão 10

    (Enem, 2018) A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda realização humana, uma evidente degradação do ser para o ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo ter efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015 </strong></p>

    Uma manifestação contemporânea do fenômeno descrito no texto é o(a)

    1. valorização dos conhecimentos acumulados.

    2. exposição nos meios de comunicação.

    3. aprofundamento da vivência espiritual.

    4. fortalecimento das relações interpessoais.

    5. reconhecimento na esfera artística.