Enem Extensivo - Weber e a ética protestante

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    (UEM-2014 Adaptada) A busca racional do lucro era um dos aspectos essenciais do modelo que Max Weber (1864-1920) construiu para compreender a origem do capitalismo moderno. Segundo Everaldo Lorensetti (2006), o sociólogo alemão considerava que essa característica teve como uma de suas origens a ação social dos protestantes, especialmente dos calvinistas, que “tinham uma ética de vida voltada ao trabalho e à disciplina muito forte, pois acreditavam que trabalho e sucesso seriam indícios de que além de estarem glorificando a Deus estariam garantindo a sua salvação”
    (LORENSETTI, Everaldo. As teorias sociológicas na compreensão do presente. In: LORENSETTI, Everaldo et al. Sociologia: ensino médio. Curitiba: SEED-PR, 2006 p. 42.
    A partir dessa afirmação, é correto afirmar que:

    1. Weber desmereceu a importância da religião para o nascimento do capitalismo.

    2. Weber destacou a importância da religião para diminuir a ânsia capitalista por lucro.

    3. Weber considerou que, apesar da importância da religiosidade na vida das pessoas, ela não teve influência sobre a origem do capitalismo moderno.

    4. Weber destacou uma relação de influência da ética da religião calvinista sobre o objetivo de acumulação de riquezas por parte dos indivíduos nas sociedades capitalistas.

    5. Para Weber, a ética religiosa pode tem uma influência decisiva sobre a vida econômica.

  2. Questão 2

    “O desenvolvimento do racionalismo econômico é parcialmente dependente da técnica e do direito racionais, mas é ao mesmo tempo determinado pela habilidade e disposição do homem em adotar certos tipos de conduta racional prática […]. As forças mágicas e religiosas e as ideias éticas de dever nelas baseadas têm estado sempre, no passado, entre as mais importantes influências formativas de conduta.”
    WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1981. p. 09
    Uma das mais conhecidas explicações sobre a origem do capitalismo é a do sociólogo alemão Max Weber, que postula a afinidade entre a ética religiosa e as práticas capitalistas. Essa relação se mostra claramente na ética do

    1. Catolicismo romano, que por meio da cobrança de dízimos e vendas de indulgências estimulou a acumulação de capital.

    2. Puritanismo calvinista, que concebe o sucesso econômico como indício da predestinação para a salvação.

    3. Luteranismo alemão, que defendia que cada pessoa devia seguir a sua vocação profissional para conseguir a salvação.

    4. Anglicanismo britânico, que, ao desestimular as esmolas, permitiu o incremento da poupança nas famílias burguesas.

    5. Catolicismo Ortodoxo, que, ao abrir mão dos luxos nas construções arquitetônicas, canalizou capital para investimentos econômicos.

  3. Questão 3

    _“A crescente intelectualização e racionalização não indicam um conhecimento maior e geral das condições sob as quais vivemos. Significa a crença em que, se quiséssemos, poderíamos ter esse conhecimento a qualquer momento. Não há forças misteriosas incalculáveis; podemos dominar todas as coisas pelo cálculo.”_
    WEBER, M. A ciência como vocação. In: GERTH, H.; MILLS, W. (Org.). Max Weber: ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 (adaptado).
    Tal como apresentada no texto, a proposição de Max Weber a respeito do processo de desencantamento do mundo evidencia o(a)

    1. progresso civilizatório como decorrência da expansão do industrialismo.

    2. extinção do pensamento mítico como um desdobramento do capitalismo.

    3. emancipação como consequência do processo de racionalização da vida.

    4. afastamento de crenças tradicionais como uma característica da modernidade.

    5. fim do monoteísmo como condição para a consolidação da ciência.

  4. Questão 4

    (ENEM-2015) “O impulso para o ganho, a perseguição do lucro, do dinheiro, da maior quantidade possível de dinheiro não tem, em si mesma, nada que ver com o capitalismo. Tal impulso existe e sempre existiu. Pode-se dizer que tem sido comum a toda sorte e condição humanas em todos os tempos e em todos os países, sempre que se tenha apresentada a possibilidade objetiva para tanto. O capitalismo, porém, identifica-se com a busca do lucro, do lucro sempre renovado por meio da empresa permanente, capitalista e racional. Pois assim deve ser: numa ordem completamente capitalista da sociedade, uma empresa individual que não tirasse vantagem das oportunidades de obter lucros estaria condenada à extinção.”
    WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2001 (adaptado).
    O capitalismo moderno, segundo Max Weber, apresenta como característica fundamental a

    1. competitividade decorrente da acumulação de capital.

    2. implementação da flexibilidade produtiva e comercial.

    3. ação calculada e planejada para obter rentabilidade.

    4. socialização das condições de produção.

    5. mercantilização da força de trabalho.

  5. Questão 5

    Para Max Weber a economia capitalista não é marcada pela irracionalidade e pela “anarquia da produção”. Ao contrário de Karl Marx, que frisava a irracionalidade do capitalismo, para Weber as instituições do capitalismo moderno podem ser consideradas como a própria materialização da racionalidade. Segundo Weber, uma das características do capitalismo moderno é a estrutura burocrática com instituições administradas racionalmente com funções combinadas e especializadas. Para o sociólogo alemão, o controle burocrático é marcado pela eficiência, precisão e racionalidade.
    Considerando a importância do tema da burocracia na obra de Weber, é correto afirmar que

    1. Marx Weber identifica a burocracia com a irracionalidade, com o processo de despersonalização e com a rotina opressiva. A irracionalidade, nesse contexto, é vista como favorável à liberdade pessoal.

    2. segundo Weber, a ocupação de um cargo na estrutura burocrática é considerada uma atividade com finalidade objetiva pessoal. Trata-se de uma ocupação que não exige senso de dever e nenhum treinamento profissional.

    3. na burocracia moderna os funcionários são altamente qualificados, treinados em suas áreas específicas, enfim, pessoas que tem ou devem ter qualificações consideradas necessárias para serem designadas para tais funções.

    4. para Weber, o elemento central da estrutura burocrática é a ausência da hierarquia funcional e a obediência à ordem pessoal e subjetiva.

    5. a burocratização do capitalismo moderno impede segundo Weber, a possibilidade de se colocar em prática o princípio da especialização das funções administrativas.

  6. Questão 6

    (UNISC-2016) “Max Weber frequentemente utilizou a imagem da máquina na análise da natureza da organização burocrática. Tal como uma máquina, a burocracia era o sistema de utilização de energias para a execução de tarefas específicas. O membro de uma burocracia ‘é apenas uma peça em um mecanismo móvel que lhe prescreve uma marcha essencialmente fixa. A burocracia, em comum com a máquina, poderia ser posta a serviço de muitas questões diferentes. Mais ainda, uma organização burocrática funciona tão eficientemente a ponto de seus membros serem ‘desumanizados’: a burocracia ‘desenvolvida mais perfeitamente... mais completamente tem sucesso em eliminar das atribuições dos funcionários amor, ódio e todos os elementos puramente pessoais, irracionais e emocionais que escapem ao cálculo’. [...] O avanço da burocracia aprisionava as pessoas na Gehäuse der Hörigkeit, a ‘jaula de ferro’ da divisão especializada do trabalho da qual dependia a administração da ordem social e econômica moderna [...]”.
    GIDDENS, Anthony. Política, sociologia e teoria social: encontros com o pensamento social clássico e contemporâneo. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1998, p. 58-59.
    Segundo o texto acima, sobre o conceito de burocracia de Max Weber, é correto afirmar que:

    1. a burocracia é um sistema eficiente de organização do trabalho somente quando é aplicado em poucas questões específicas.

    2. a burocracia consiste em um sistema de divisão especializada do trabalho que busca a eficiência a partir de atribuições impessoais, racionais e calculadas impostas aos seus funcionários.

    3. os funcionários burocráticos podem se expressar livremente, desde que dentro de regras prescritas de forma impessoal e calculada.

    4. a burocracia é um sistema arcaico que deve ser superado por outros processos de administração do trabalho típicos da modernidade.

    5. nenhuma das alternativas acima pode ser afirmada corretamente sobre o conceito de burocracia.

  7. Questão 7

    (UFU-2007) “[...] o racionalismo econômico, embora dependa parcialmente da técnica e do direito racional, é ao mesmo tempo determinado pela capacidade e disposição dos homens em adotar certos tipos de conduta racional. [...] Ora, as forças mágicas e religiosas, e os ideais éticos de dever deles decorrentes, sempre estiveram no passado entre os mais importantes elementos formativos da conduta.”
    WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Livraria Pioneira Editora,1989, 6 ed., p. 11.
    A respeito das relações de causalidade que o sociólogo Max Weber propõe entre as origens do capitalismo moderno, o processo de racionalização do mundo e as religiões de salvação, assinale a alternativa correta.

    1. Coube às éticas religiosas do confucionismo (China) e hinduísmo (Índia) redefinirem o padrão das relações econômicas que, a partir do século XVI, culminaria no capitalismo de tipo moderno.

    2. As seitas protestantes que floresceram nas sociedades orientais, a partir do século XVI, são responsáveis pela prematura posição de destaque do Japão, China e Índia no cenário econômico internacional que se seguiu à Revolução Industrial.

    3. A partir de sua doutrina da predestinação, o calvinismo foi responsável pela introdução de um padrão ético que, ao estimular a racionalização da conduta cotidiana de seus fiéis, contribuiu de maneira inédita para o desenvolvimento das relações capitalistas modernas.

    4. O processo de encantamento do mundo (irracionalização do conhecimento e das relações cotidianas) encontra-se na base da ética protestante, cujas prescrições de conduta se revelaram condição imprescindível para o desenvolvimento e consolidação das relações capitalistas modernas.

    5. Várias doutrinas religiosas ao redor do globo defendiam o lucro e a riqueza como benefícios ao homem. A negação dessas condições é característica quase exclusiva do catolicismo. Quando proposto, o protestantismo herdou essa característica.

  8. Questão 8

    (UEL-2018) A menos que seja um físico, quem anda num bonde não tem ideia de como o carro se movimenta. E não precisa saber. Basta-lhe poder contar com o comportamento do bonde a orientar sua conduta de acordo com sua expectativa; mas nada sabe sobre o que é necessário para produzir o bonde ou movimentá-lo. O selvagem tem um conhecimento incomparavelmente maior sobre suas ferramentas.
    WEBER, M. A ciência como vocação. In: GERTH, H.; MILLS, W. Max Weber. Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. p. 165.
    Com base no texto e nos conhecimentos sobre a sociedade moderna, conforme Max Weber, assinale a alternativa correta.

    1. A secularização da vida moderna e o consequente desencantamento do mundo são expressões da racionalização ocidental.

    2. O homem moderno detém menor controle sobre as forças da natureza, em comparação com o domínio que possuía o “selvagem”.

    3. O avanço da racionalidade produz, também, uma maior revitalização da cultura clássica, dado que amplia o alcance das escolhas efetivas disponíveis.

    4. O desencantamento do mundo é um fato social que atua como força coercitiva sobre as vontades individuais, visando à construção da consciência coletiva.

    5. O desencantamento do mundo destitui o Ocidente de um elemento diferenciador em relação ao Oriente: as ações sociais dotadas de sentido.

  9. Questão 9

    A F-1 começou a perder as características que encantaram gerações nos anos 1990 quando o salto tecnológico tornou o piloto quase um coadjuvante no cockpit. “Os carros de corrida são equipamentos e não mais automóveis. No volante, há mais de 100 botões. O condutor virou um operador de máquinas”, reclama Bird Clemente, 72 anos, primeiro brasileiro a guiar, profissionalmente, um carro de corrida. No passado, esse esporte dependia muito mais do talento do piloto para regular um carro. Hoje, espremido no cockpit como mais um funcionário de um negócio que movimenta bilhões de dólares, o piloto cumpre religiosamente as regras do mercado.”
    Adaptado de: CARDOSO, R.; LOES, J., O Esporte Perdeu. Revista Isto É, 4 ago. 2010, ano 34, n. 2125, p. 84-85.
    A lógica do esporte e da fruição é englobada pela lógica do mercado. A importância dada ao negócio (negar o ócio), conforme análise de Max Weber em sua “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, revela que:
    I. o trabalho atende às regras do mercado, destacando a prevalência do negócio, em razão da necessidade de produção capitalista.
    II. a dimensão religiosa, presente nos primórdios do capitalismo, na figura do protestantismo de orientação luterana, valoriza o caráter sagrado da atividade fabril, em detrimento do trabalho braçal.
    III. o negócio, quando praticado de acordo com os preceitos divinos, viabiliza a distribuição igual e solidária das riquezas produzidas.
    IV. o ato de negociar, próprio do comércio, depende da força produtiva, conectada à divisão social do trabalho no mundo secularizado.
    Assinale a alternativa correta.

    1. Somente as afirmativas I e II são corretas.

    2. Somente as afirmativas I e IV são corretas.

    3. Somente as afirmativas III e IV são corretas.

    4. Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

    5. Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

  10. Questão 10

    (UEL-2009) Observe a figura a seguir:

    Sobre o processo de organização do trabalho representado na figura, é correto afirmar que esse expressa, segundo a forma pela qual Max Weber o analisa,

    1. o papel libertador da técnica na vida dos indivíduos, pois potencializa as capacidades físico- intelectuais humanas.

    2. o tipo ideal de sociedade, pois esta, por ser justa, aloca cada um nas funções para as quais tem aptidões inatas.

    3. o declínio das formas racionais de dominação burocrática que, tradicionalmente, estiveram presentes nas sociedades orientais.

    4. a formação de uma ordem econômica e técnica que define violentamente a vida dos indivíduos nascidos sob esse sistema.

    5. que o trabalho fabril escapa à tipologia das ações racionais, por ser repetitivo e marcado pela tradição, aproximando-se, assim, do trabalho outrora existente nas comunidades