Intensivo Enem — As vozes do texto: intertextualidade

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    (Enem cancelado, 2009)

    A comparação entre os recursos expressivos que constituem os dois textos revela que

    1. o texto 1 perde suas características de gênero poético ao ser vulgarizado por histórias em quadrinho.

    2. o texto 2 pertence ao gênero literário, porque as escolhas linguísticas o tornam uma réplica do texto 1.

    3. a escolha do tema, desenvolvido por frases semelhantes, caracteriza-os como pertencentes ao mesmo gênero.

    4. os textos são de gêneros diferentes porque, apesar da intertextualidade, foram elaborados com finalidades distintas.

    5. as linguagens que constroem significados nos dois textos permitem classificá-los como pertencentes ao mesmo gênero.

  2. Questão 2

    Certa vez, eu jogava uma partida de sinuca, e só havia a bola sete na mesa. De modo que a mastiguei
    lentamente saboreando-lhe os bocados com prazer. Refiro-me à refeição que havia pedido ao garçom. Dei-lhe duas tacadas na cara. Estou me referindo à bola. Em seguida, sai montando nela e a égua, de que estou falando agora, chegou calmamente à fazenda de minha mãe. Fui encontrá-la morta na mesa, meu irmão comia-lhe uma perna com prazer e ofereceu-me um pedaço: “Obrigado”, disse eu, “já comi galinha no almoço”.
    Logo em seguida, chegou minha mulher e deu-me na cara. Um beijo, digo. Dei-lhe um abraço. Fazia calor. Daí a pouco minha camisa estava inteiramente molhada. Refiro-me a que estava na corda secando, quando começou a chover. Minha sogra apareceu para apanhar a camisa.
    Não tive remédio senão esmagá-la com o pé. Estou falando da barata que ia trepando na cadeira.
    Malaquias, meu primo, vivia com uma velha de oitenta anos. A velha era sua avó, esclareço. Malaquias tinha dezoito filhos, mas nunca se casou. Isto é, nunca se casou com uma mulher que durasse mais de um ano. Agora, sentado à nossa frente, Malaquias fura o coração com uma faca. Depois corta as pernas e o sangue do porco enche a bacia.
    Nos bons tempos passeávamos juntos. Eu tinha um carro. Malaquias tinha uma namorada. Um dia rolou a ribanceira. Me refiro a Malaquias. Entrou pela pretoria adentro arrebentando porta e parou resfolegante junto do juiz pálido de susto. Me refiro ao carro. E a Malaquias.
    (FERNANDES, M. Trinta anos de mim mesmo. São Paulo: Abril Cultural, 1973.)
    <br>
    Nesse texto, o autor reorienta o leitor no processo de leitura, usando como recurso expressões como “refiro-me/me refiro”, “estou me referindo”, “de que estou falando agora”, “digo”, “estou falando da”, “esclareço”, “isto é”. Todas elas são expressões linguísticas introdutoras de paráfrases, que servem para

    1. confirmar

    2. contradizer

    3. destacar

    4. retificar

    5. sintetizar

  3. Questão 3

    (Enem cancelado, 2009)
    TEXTO A
    Canção do exílio
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá;
    As aves, que aqui gorjeiam,
    Não gorjeiam como lá.
    Nosso céu tem mais estrelas,
    Nossas várzeas tem mais flores,
    Nossos bosques tem mais vida,
    Nossa vida mais amores.
    […]
    Minha terra tem primores,
    Que tais não encontro eu cá;
    Em cismar – sozinho, a noite –
    Mais prazer eu encontro la;
    Minha terra tem palmeiras
    Onde canta o Sabiá.
    Não permita Deus que eu morra,
    Sem que eu volte para lá;
    Sem que desfrute os primores
    Que não encontro por cá;
    Sem qu’inda aviste as palmeiras
    Onde canta o Sabiá.
    DIAS, G. Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1998.
    TEXTO B
    Canto de regresso à Pátria
    Minha terra tem palmares
    Onde gorjeia o mar
    Os passarinhos daqui
    Não cantam como os de lá
    Minha terra tem mais rosas
    E quase tem mais amores
    Minha terra tem mais ouro
    Minha terra tem mais terra
    Ouro terra amor e rosas
    Eu quero tudo de lá
    Não permita
    Deus que eu morra
    Sem que volte para lá
    Não permita Deus que eu morra
    Sem que volte pra São Paulo
    Sem que eu veja a rua 15
    E o progresso de São Paulo
    ANDRADE, O. Cademos de poesia do aluno Oswald. São Paulo: Cfrculo do Livro. s/d.
    Os textos A e B, escritos em contextos históricos e culturais diversos, enfocam o mesmo motivo poético: a paisagem brasileira entrevista a distância. Analisando-os, conclui-se que:

    1. o ufanismo, atitude de quem se orgulha excessivamente do país em que nasceu, e o tom de que se revestem os dois textos.

    2. a exaltação da natureza é a principal característica do texto B, que valoriza a paisagem tropical realçada no texto A.

    3. o texto B aborda o tema da nação, como o texto A, mas sem perder a visão crítica da realidade brasileira.

    4. o texto B, em oposição ao texto A, revela distanciamento geográfico do poeta em relação à pátria.

    5. ambos os textos apresentam ironicamente a paisagem brasileira.

  4. Questão 4

    Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos:
    I. Quando nasci, um anjo torto
    Desses que vivem na sombra
    Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida
    ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964.
    II. Quando nasci veio um anjo safado
    O chato dum querubim
    E decretou que eu tava predestinado
    A ser errado assim
    Já de saída a minha estrada entortou
    Mas vou até o fim.
    BUARQUE, Chico. Letra e Música. São Paulo: Cia das Letras, 1989.
    III. Quando nasci um anjo esbelto
    Desses que tocam trombeta, anunciou:
    Vai carregar bandeira.
    Carga muito pesada pra mulher
    Esta espécie ainda envergonhada.
    PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
    Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por:

    1. reiteração de imagens

    2. oposição de ideias

    3. falta de criatividade

    4. negação dos versos

    5. ausência de recursos

  5. Questão 5

    A charge dialoga com uma parte do enigma da Esfinge de Tebas, criatura mitológica grega: “Decifra-me, ou devoro-te”. Assinale a alternativa que contenha o nome que pode ser dado ao diálogo entre a charge e o enigma.

    1. Ambiguidade.

    2. Coesão.

    3. Desfecho.

    4. Intertextualidade.

    5. Transitividade.

  6. Questão 6

    Hora do mergulho
    Feche a porta, esqueça o barulho
    feche os olhos, tome ar: é hora do mergulho
    eu sou moço, seu moço, e o poço não é tão fundo
    super-homem não supera a superfície
    nós mortais viemos do fundo
    eu sou velho, meu velho, tão velho quanto o mundo
    eu quero paz:
    uma trégua do lilás-neon-Las Vegas
    profundidade: 20.000 léguas
    "se queres paz, te prepara para a guerra"
    "se não queres nada, descansa em paz"
    "luz" - pediu o poeta
    (últimas palavras, lucidez completa)
    depois: silêncio
    esqueça a luz... respire o fundo
    eu sou um déspota esclarecido
    nessa escura e profunda mediocracia.
    (Engenheiros do Hawaii, composição de Humberto Gessinger)
    Na letra da canção, Humberto Gessinger faz referência a um famoso provérbio latino: si uis pacem, para bellum, cuja tradução é Se queres paz, te prepara para a guerra. Nesse tipo de citação, encontramos o seguinte recurso:

    1. intertextualidade explícita.

    2. intertextualidade implícita.

    3. intertextualidade implícita e explícita.

    4. tradução.

    5. referência e alusão.

  7. Questão 7

    Modinha do exílio
    Os moinhos têm palmeiras
    Onde canta o sabiá.
    Não são artes feiticeiras!
    Por toda parte onde eu vá,
    Mar e terras estrangeiras,
    Posso ver mesmo as palmeiras
    Em que ele cantando está.
    Meu sabiá das palmeiras
    Canta aqui melhor que lá.
    Mas, em terras estrangeiras,
    E por tristezas de cá,
    Só à noite e às sextas-feiras.
    Nada mais simples não há!
    Canta modas brasileiras.
    Canta – e que pena me dá!
    Ribeiro Couto
    Os versos dos poetas modernistas e românticos apresentam relação de intertextualidade com o poema de Ribeiro Couto, EXCETO em uma alternativa. Assinale-a.

    1. "Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei / Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei” (Manuel Bandeira)

    2. “Dá-me os sítios gentis onde eu brincava / Lá na quadra infantil; / Dá que eu veja uma vez o céu da pátria, / O céu do meu Brasil!” (Casimiro de Abreu)

    3. “Minha terra tem macieiras da Califórnia / onde cantam gaturamos de Veneza. / Os poetas da minha terra / são pretos que vivem em torres de ametista,” (Murilo Mendes)

    4. “Ouro terra amor e rosas / Eu quero tudo de lá / Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá” (Oswald de Andrade)

    5. “Em cismar, sozinho, à noite, / Mais prazer eu encontro lá; / Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.” (Gonçalves Dias)

  8. Questão 8

    O mercado publicitário tem implementado, sobretudo após o advento da informática, práticas de linguagem bastante inovadoras. O texto se utiliza de duas modalidades de formas linguísticas, mais especificamente de uma linguagem verbal e outra não verbal. Logo, considerando que o público-alvo da campanha tenha o conhecimento de mundo necessário para a compreensão do texto publicitário, conclui-se que seu objetivo basilar é

    1. provocar um questionamento sobre a necessidade de uma dieta mais saudável.

    2. fazer, indiretamente, a propaganda de um filme em cartaz nos cinemas.

    3. combater o consumo desenfreado de alimentos com teor calórico muito alto.

    4. influenciar a conduta do leitor através de um apelo visual e da intertextualidade.

    5. democratizar o consumo de legumes entre a as classes sociais mais carentes.

  9. Questão 9

    Para responder à questão, considere a tela Guernica, de Pablo Picasso (figura 1), pintada em protesto ao bombardeio a cidade espanhola de mesmo nome, e a imagem criada pelo cartunista argentino, Quino (figura 2).

    Na cena criada por Quino, está presente a intertextualidade, pois

    1. o humor surge em consequência da falta de dedicação e de empenho da faxineira no momento de realizar as tarefas da casa.

    2. a dona da casa é uma pessoa que aprecia pintura e possui várias obras de artistas cubistas em sua residência.

    3. as alterações realizadas pela faxineira na pintura de Picasso mantiveram a ideia original proposta pelo pintor para Guernica.

    4. o cartunista reproduz a famosa pintura de Picasso, inserindo-a em um novo contexto que é a sala em desordem de uma residência.

    5. a faxineira irrita-se com a sujeira deixada pelos adolescentes da casa os quais frequentemente realizam festas para os amigos.

  10. Questão 10

    Há entre o enunciado “não atacar é o melhor ataque” e o ditado futebolístico “a melhor defesa é o ataque” uma relação denominada de

    1. intertextualidade

    2. contextualidade

    3. prolixidade

    4. informatividade