Turma de Fevereiro-Modernismo 2ª fase (prosa)

15 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    Sobre a segunda geração do modernismo brasileiro é correto afirmar:

    1. a cultura indígena e africana foram os principais temas explorados pelos escritores desse período.

    2. chamada de fase de construção, a produção literária desse momento esteve voltada para a denúncia da realidade brasileira.

    3. o índio foi eleito como o herói nacional, reforçando ainda mais a identidade brasileira.

    4. desprovida de engajamento político, nesse momento a preocupação era acerca do aprimoramento da linguagem.

    5. com forte teor indianista, a poesia dessa fase esteve voltada para temas cotidianos.

  2. Questão 2

    Leia o fragmento abaixo transcrito da obra
    “Vidas Secas” e responda à questão a seguir:
    “Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes, utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade, falava pouco. Admira as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas. ”
    (Graciliano Ramos)
    É correto afirmar, em relação à poesia do segundo momento modernista brasileiro, que

    1. deixa de ser influenciada por Mário e Oswald de Andrade.

    2. o poeta para de se questionar como indivíduo e como artista.

    3. amadurece e amplia as conquistas da geração anterior.

    4. fortalece a busca pela poesia construtiva e apolitizada.

    5. se liberta das profundas transformações ocorridas no período.

  3. Questão 3

    “Nunca, porém, o tinham amado pelo que ele era, menino abandonado, aleijado e triste. Muita gente o tinha odiado. E ele odiara a todos. Apanhara na polícia, um homem ria quando o surravam. Para ele é este homem que corre em sua perseguição na figura dos guardas. Se o levarem, o homem rirá de novo. Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.”
    AMADO, Jorge. Capitães da Areia
    Observe as proposições sobre a segunda fase do modernismo e assinale a falsa:

    1. O romance produzido nas décadas de 30 e 40, período em que o país e o mundo viveram profundas crises, pôs-se a serviço da crítica de nossa realidade e teve na obra de Graciliano Ramos a principal expressão desse momento.

    2. Distantes do experimentalismo estético proposto pelos modernistas de 1922, os romancistas de 30 julgavam irreversíveis muitas de suas conquistas, tais como o interesse por temas nacionais, a busca de uma linguagem mais brasileira e o interesse pela vida cotidiana.

    3. O romance de 30 seguiu diferentes caminhos, sendo o regionalismo o mais importante entre todos. Dentre seus principais nomes, estão Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz.

    4. A prosa na segunda geração do modernismo foi marcada pela preocupação com a descoberta e com a exploração de novas técnicas narrativas, além da exploração do universo social e psicológico da condição humana. Dentre os marcos, está Macunaíma, de Mário de Andrade.

  4. Questão 4

    Este, cuja história vou te contar, foi amado e amou muitas mulheres. Vieram brancas, judias e mestiças, tímidas e afoitas, para os seus braços e para o seu leito. Para uma, no entanto, guardou ele suas melhores palavras, as mais doces, as mais ternas, as mais belas. Essa noiva tem um nome lindo, negra: Liberdade.
    Vê no céu, ele brilha, é a mais poderosa das estrelas. Mas o encontrarás também nas ruas de qualquer cidade, no quarto de qualquer casa. Seja onde for que haja jovens corações pulsando pela humanidade, em qualquer desses corações encontrarás Castro Alves.
    Dá-me agora tua mão direita, ouve o abc do poeta.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> Jorge Amado, ABC de Castro Alves (1941)</strong></p>
    Sobre a segunda fase do Modernismo brasileiro, a qual é vinculado Jorge Amado, é INCORRETO afirmar que

    1. utilizou vocabulário de linguagens regionais típicas, conferindo um tom peculiar a uma literatura de caráter social.

    2. a prosa foi afetada pelas crises sociais, econômicas e pela instabilidade política.

    3. os romances do período são documentos da realidade brasileira, destacando as tensões entre o eu e o mundo no qual este se situa.

    4. concedeu destaque para a luta a favor da abolição da escravidão negra, tema presente na maioria das produções poéticas do período.

    5. aproveitou as conquistas literárias obtidas pela geração de 1922.

  5. Questão 5

    (UFT) Leia o fragmento de texto a seguir.
    Chegou a desolação da primeira fome. Vinha seca e trágica, surgindo no fundo sujo dos sacos vazios, na descarnada nudez das latas raspadas.
    – Mãezinha, cadê a janta?
    – Cala a boca, menino! Já vem!
    – Vem lá o quê!…
    Angustiado, Chico Bento apalpava os bolsos… nem um triste vintém azinhavrado… Lembrou-se da rede nova, grande e de listras que comprara em Quixadá por conta do vale de Vicente. Tinha sido para a viagem. Mas antes dormir no chão do que ver os meninos chorando, com a barriga roncando de fome.
    Estavam já na estrada do Castro. E se arrancharam debaixo dum velho pau-branco seco, nu e retorcido, a bem dizer ao tempo, porque aqueles cepos apontados para o céu não tinham nada de abrigo. O vaqueiro saiu com a rede, resoluto:
    – Vou ali naquela bodega, ver se dou um jeito…
    Voltou mais tarde, sem a rede, trazendo uma rapadura e um litro de farinha:
    – Tá aqui. O homem disse que a rede estava velha, só deu isso, e ainda por cima se fazendo de compadecido…
    Faminta, a meninada avançou; e até Mocinha, sempre mais ou menos calada e indiferente, estendeu a mão com avidez.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1979, p. 33.</strong></p>
    “O Quinze”, romance de estreia de Rachel de Queiroz, publicado em 1930, retrata a intensa seca que marcou o ano de 1915 no sertão cearense. Considerando o fragmento apresentado, é CORRETO afirmar.

    1. A linguagem utilizada pela autora, para construir o romance, aproxima-se da oralidade, conforme se vê no fragmento. Tal recurso é utilizado para se contrapor à escrita extremamente rebuscada de alguns modernistas da primeira geração, como Oswald de Andrade.

    2. Na narrativa, estreitamente ligada às propostas de denúncia social dos regionalistas de 30, destacam-se o drama da seca, a miséria e a degradação humana, marcantes em cenas como a do fragmento citado.

    3. O fragmento apresenta um discurso moralizante, recorrente nos romances da segunda geração modernista, e destaca o drama vivido pela família de Chico Bento, diante das dificuldades de sobrevivência.

    4. Apesar de se referir à seca que marcou o ano de 1915, o romance coloca em primeiro plano a violência e o desrespeito que marcam as relações sociais, independente das condições climáticas; exemplo disso é a relação de espoliação entre Chico Bento e o homem da bodega.

    5. Ainda que publicado no início da década de 30, momento de intensas mudanças políticas e culturais no país, o romance liga-se estética e tematicamente às propostas literárias da primeira geração modernista.

  6. Questão 6

    (Enem, 2008) “A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um acontecimento para a meninada… Que talento ela possuía para contar as suas histórias, com um jeito admirável de falar em nome de todos os personagens, sem nenhum dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras!
    Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. E muito da vida, com as suas maldades e as suas grandezas, a gente encontrava naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre castigados com mortes horríveis! O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos. Quando ela queria pintar um reino era como se estivesse falando dum engenho fabuloso. Os rios e florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco.”
    ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> (José Lins do Rego. Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980, p. 49-51 (com adaptações).</strong></p>
    ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    Na construção da personagem “velha Totonha”, é possível identificar traços que revelam marcas do processo de colonização e de civilização do país. Considerando o texto acima, infere-se que a velha Totonha:

    1. tira o seu sustento da produção da literatura, apesar de suas condições de vida e de trabalho, que denotam que ela enfrenta situação econômica muito adversa.

    2. compõe, em suas histórias, narrativas épicas e realistas da história do país colonizado, livres da influência de temas e modelos não representativos da realidade nacional.

    3. retrata, na constituição do espaço dos contos, a civilização urbana europeia em concomitância com a representação literária de engenhos, rios e florestas do Brasil.

    4. aproxima-se, ao incluir elementos fabulosos nos contos, do próprio romancista, o qual pretende retratar a realidade brasileira de forma tão grandiosa quanto a europeia.

    5. imprime marcas da realidade local a suas narrativas, que têm como modelo e origem as fontes da literatura e da cultura europeia universalizada.

  7. Questão 7

    (Unifesp, 2011)
    <div>
    Leia o trecho abaixo:</div>
    <div>
    &ldquo;[Sem-Pernas] queria alegria, uma m&atilde;o que o acarinhasse, algu&eacute;m que com muito amor o fizesse esquecer o defeito f&iacute;sico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera fam&iacute;lia. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava &ldquo;meu padrinho&rdquo; e que o surrava. Fugiu logo que p&ocirc;de compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u&rsquo;a m&atilde;o que passe sobre os seus olhos e fa&ccedil;a com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados b&ecirc;bados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A perna coxa se recusava a ajud&aacute;-lo. E a borracha zunia nas suas costas quando o cansa&ccedil;o o fazia parar. A princ&iacute;pio chorou muito, depois, n&atilde;o sabe como, as l&aacute;grimas secaram. Certa hora n&atilde;o resistiu mais, abateu-se no ch&atilde;o. Sangrava. Ainda hoje ouve como os soldados riam e como riu aquele homem de colete cinzento que fumava um charuto.&rdquo;</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>(Jorge Amado. Capit&atilde;es da areia.)</strong></span></div>
    <div>
    &nbsp;</div>
    <div>
    Considere as afirma&ccedil;&otilde;es seguintes.</div>
    <div>
    I. O fragmento do romance, ambientado na cidade de Salvador das primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo passado, aborda a vida de uma crian&ccedil;a em situa&ccedil;&atilde;o de absoluta exclus&atilde;o social e viol&ecirc;ncia, o que destoa do projeto liter&aacute;rio e ideol&oacute;gico dos escritores brasileiros que comp&otilde;em a &ldquo;Gera&ccedil;&atilde;o de 30&rdquo;.</div>
    <div>
    II. Valendo-se das conquistas do Modernismo, o romance apresenta linguagem fluente e acess&iacute;vel ao grande p&uacute;blico, utilizando-se de um portugu&ecirc;s coloquial, simples, pr&oacute;ximo a um modo natural de falar, com o largo emprego da frase curta e econ&ocirc;mica.</div>
    <div>
    III. Sem-Pernas &eacute; uma personagem que, embora encarne um tipo social claramente delimitado, o do menino &ldquo;pobre, abandonado, aleijado e discriminado&rdquo;, adquire alguma profundidade psicol&oacute;gica, &agrave; medida que seu passado e suas experi&ecirc;ncias dolorosas v&ecirc;m &agrave; tona.</div>
    <div>
    &nbsp;</div>
    <div>
    Conforme o texto, est&aacute; correto o que se afirma apenas em:</div>

    1. I.

    2. II.

    3. III.

    4. I e II.

    5. II e III.

  8. Questão 8

    (Fuvest)
    <div>
    Leia o trecho a seguir:</div>
    <div>
    &ldquo;E Fabiano dep&ocirc;s no ch&atilde;o parte da carga, olhou o c&eacute;u, as m&atilde;os em pala na testa. Arrastara-se at&eacute; ali na incerteza de que aquilo fosse realmente mudan&ccedil;a. Retardara-se e repreendera os meninos, que se adiantavam, aconselhara-os a poupar for&ccedil;as. A verdade &eacute; que n&atilde;o queria afastar-se da fazenda. A viagem parecia-lhe sem jeito, nem acreditava nela. Preparara-a lentamente, adiara-a, tornara a prepar&aacute;-la, e s&oacute; se resolvera a partir quando estava definitivamente perdido. Podia continuar a viver num cemit&eacute;rio? Nada o prendia &agrave;quela terra dura, acharia um lugar menos seco para enterrar-se. Era o que Fabiano dizia, pensando em coisas alheias: o chiqueiro e o curral, que precisavam conserto, o cavalo de f&aacute;brica, bom companheiro, a &eacute;gua alaz&atilde;, as catingueiras, as panelas de losna, as pedras da cozinha, a cama de varas. E os p&eacute;s dele esmoreciam, as alpercatas calavam-se na escurid&atilde;o. Seria necess&aacute;rio largar tudo? As alpercatas chiavam de novo no caminho coberto de seixos.&rdquo;&nbsp;</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>(Vidas secas, Graciliano Ramos)</strong></span></div>
    <div>
    &nbsp;</div>
    <div>
    Assinale a alternativa incorreta:</div>

    1. O trecho mostra as conquistas recentes de Fabiano e a desilusão dele ao perceber que todo seu esforço foi em vão.

    2. Podemos perceber um momento “congelado” da narrativa, ou seja, uma suspensão temporária, permitindo que o foco narrativo se volte à dimensão psicológica de Fabiano.

    3. No momento em que o narrador menciona “coisas alheias”, está reforçando a crítica presente em toda obra, na qual a marginalização social acontece pela exclusão econômica.

    4. Fabiano resiste em abandonar a fazenda, pois sua incapacidade de articular logicamente é limitada, e o pensamento é incapaz de perceber a inevitável chegada da seca.

    5. As referências a “enterro” e “cemitério” radicalizam a caracterização das “vidas secas” do sertão nordestino, uma vez que limitam as perspectivas do sertanejo pobre à luta contra a morte.

  9. Questão 9

    (Enem, 2010) Texto I
    ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava. Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os
    lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das embarcações...
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> AMADO, J. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento) </strong></p>
    Texto II
    ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro – ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento).</strong></p>
    ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos,

    1. a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados.

    2. a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens.

    3. o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social.

    4. o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão.

    5. a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta.

  10. Questão 10

    (Enem, 2009) “No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais.”
    ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀<p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> (CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.)</strong></p>
    ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que:

    1. o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia.

    2. José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.

    3. o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.

    4. a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo.

    5. Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.

  11. Questão 11

    (Enem, 2007)
    <div>
    <strong>Texto I</strong></div>
    <div>
    Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a fam&iacute;lia. Vivia preso como um novilho amarrado ao mour&atilde;o, suportando ferro quente. Se n&atilde;o fosse isso, um soldado amarelo n&atilde;o lhe pisava o p&eacute; n&atilde;o. (&hellip;) Tinha aqueles camb&otilde;es pendurados ao pesco&ccedil;o. Deveria continuar a arrast&aacute;-los? Sinh&aacute; Vit&oacute;ria dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patr&atilde;o invis&iacute;vel, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo.</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>(Graciliano Ramos. Vidas Secas. S&atilde;o Paulo: Martins, 23. ed., 1969, p. 75.)</strong></span></div>
    <div>
    &nbsp;</div>
    <div>
    <strong>Texto II</strong></div>
    <div>
    Para Graciliano, o roceiro pobre &eacute; um outro, enigm&aacute;tico, imperme&aacute;vel. N&atilde;o h&aacute; solu&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil para uma tentativa de incorpora&ccedil;&atilde;o dessa figura no campo da fic&ccedil;&atilde;o. &Eacute; lidando com o impasse, ao inv&eacute;s de f&aacute;ceis solu&ccedil;&otilde;es, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma constitui&ccedil;&atilde;o de narrador em que narrador e criaturas se tocam, mas n&atilde;o se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda &eacute; visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que Vidas Secas faz &eacute;, com pretenso n&atilde;o envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes.</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>(Lu&iacute;s Bueno. Guimar&atilde;es, Clarice e antes. In: Teresa. S&atilde;o Paulo: USP, n.&deg; 2, 2001, p. 254.)</strong></span></div>
    <div>
    &nbsp;</div>
    <div>
    A partir do trecho de Vidas Secas (texto I) e das informa&ccedil;&otilde;es do texto II, relativas &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas do romance social de 1930, avalie as seguintes afirmativas.</div>
    <div>
    I. O pobre, antes tratado de forma ex&oacute;tica e folcl&oacute;rica pelo regionalismo pitoresco, transforma-se em protagonista privilegiado do romance social de 30.</div>
    <div>
    II. A incorpora&ccedil;&atilde;o do pobre e de outros marginalizados indica a tend&ecirc;ncia da fic&ccedil;&atilde;o brasileira da d&eacute;cada de 30 de tentar superar a grande dist&acirc;ncia entre o intelectual e as camadas populares.</div>
    <div>
    III. Graciliano Ramos e os demais autores da d&eacute;cada de 30 conseguiram, com suas obras, modificar a posi&ccedil;&atilde;o social do sertanejo na realidade nacional.</div>
    <div>
    &nbsp;</div>
    <div>
    &Eacute; correto apenas o que se afirma em:</div>

    1. I.

    2. II.

    3. III.

    4. I e II.

    5. II e III.

  12. Questão 12

    No texto II, verifica-se que o autor utiliza

    1. linguagem predominantemente formal, para<br />
      problematizar, na composi&ccedil;&atilde;o de <strong>Vidas Secas</strong>, a<br />
      rela&ccedil;&atilde;o entre o escritor e o personagem popular.

    2. linguagem inovadora, visto que, sem abandonar a<br />
      linguagem formal, dirige-se diretamente ao leitor.

    3. linguagem coloquial, para narrar coerentemente uma<br />
      hist&oacute;ria que apresenta o roceiro pobre de forma<br />
      pitoresca.

    4. linguagem formal com recursos ret&oacute;ricos pr&oacute;prios do<br />
      texto liter&aacute;rio em prosa, para analisar determinado<br />
      momento da literatura brasileira.

    5. linguagem regionalista, para transmitir informa&ccedil;&otilde;es<br />
      sobre literatura, valendo-se de coloquialismo, para<br />
      facilitar o entendimento do texto.

  13. Questão 13

    (Enem PPL 2017) Tenho visto criaturas que trabalham demais e não progridem. Conheço indivíduos preguiçosos que têm faro: quando a ocasião chega, desenroscam-se, abrem a boca e engolem tudo.
    Eu não sou preguiçoso. Fui feliz nas primeiras tentativas e obriguei a fortuna a ser-me favorável nas seguintes.
    Depois da morte do Mendonça, derrubei a cerca, naturalmente, e levei-a para além do ponto em que estava no tempo de Salustiano Padilha. Houve reclamações.
    —Minhas senhoras, Seu Mendonça pintou o diabo enquanto viveu. Mas agora é isto. E quem não gostar, paciência, vá à justiça.
    Como a justiça era cara, não foram à justiça. E eu, o caminho aplainado, invadi a terra do Fidélis, paralítico de um braço, e a dos Gama, que pandegavam no Recife, estudando direito. Respeitei o engenho do Dr. Magalhães, juiz.
    Violências miúdas passaram despercebidas. As questões mais sérias foram ganhas no foro, graças às chicanas de João Nogueira.
    Efetuei transações arriscadas, endividei-me, importei maquinismos e não prestei atenção aos que me censuravam por querer abarcar o mundo com as pernas. Iniciei a pomicultura e a avicultura. Para levar os meus produtos ao mercado, comecei uma estrada de rodagem. Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos, chamou-me patriota, citou Ford e Delmiro Gouveia. Costa Brito também publicou uma nota na Gazeta, elogiando-me e elogiando o chefe político local. Em consequência mordeu-me cem mil réis.
    <p style="text-align:right"><span style="font-size:11px">RAMOS, G. S&atilde;o Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1990</span></p>
    O trecho, de São Bernardo, apresenta um relato de Paulo Honório, narrador-personagem, sobre a expansão de suas terras. De acordo com esse relato, o processo de prosperidade que o beneficiou evidencia que ele:

    1. revela-se um empreendedor capitalista pragmático que busca o êxito em suas realizações a qualquer custo, ignorando princípios éticos e valores humanitários.

    2. procura adequar sua atividade produtiva e função de empresário às regras do Estado democrático de direito, ajustando o interesse pessoal ao bem da sociedade.

    3. relata aos seus interlocutores fatos que lhe ocorreram em um passado distante, e enumera ações que põem em evidência as suas muitas virtudes de homem do campo.

    4. demonstra ser um homem honrado, patriota e audacioso, atributos ressaltados pela realização de ações que se ajustam ao princípio de que os fins justificam os meios.

    5. amplia o seu patrimônio graças ao esforço pessoal, contando com a sorte e a capacidade de iniciativa, sendo um exemplo de empreendedor com responsabilidade social.

  14. Questão 14

    (Unicamp, 2015) O pequeno sentou-se, acomodou-se nas pernas a cabeça da cachorra, pôs-se a contar-lhe baixinho uma história. Tinha um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca. Valia-se, pois, de exclamações e de gestos, e Baleia respondia com o rabo, com a língua, com movimentos fáceis de entender.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> (Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 57.)</strong></p>

    Uma definição possível de alteridade é “a capacidade de se colocar no lugar do outro”. No excerto, o menino mais velho, após ter recebido um cocorote de sinhá Vitória, ao lhe ter feito uma pergunta sobre a palavra “inferno”, conta uma história para Baleia. Da leitura desse trecho, podemos
    concluir que

    1. o narrador tem êxito na construção da alteridade, ao se colocar no lugar do menino e de Baleia e permitir a relação entre essas duas personagens.

    2. o vocabulário minguado do menino mais velho o impede de se relacionar com Baleia, o que demonstra que, sem linguagem, não há alteridade entre o homem e o mundo.

    3. o vocabulário minguado é próprio da infância e não resulta das condições sociais e materiais adversas das personagens

    4. a resposta de Baleia reduz o menino mais velho à condição de bicho, privando-o dos atributos necessários para se tornar homem.

  15. Questão 15

    (Enem PPL, 2015)
    TEXTO I
    Quem sabe, devido às atividades culinárias da esposa, nesses idílios Vadinho dizia-lhe “Meu manuê de milho verde, meu acarajé cheiroso, minha franguinha gorda”, e tais comparações gastronômicas davam justa ideia de certo encanto sensual e caseiro de dona Flor a esconder-se sob uma natureza tranquila e dócil. Vadinho conhecia-lhe as fraquezas e as expunha ao sol, aquela ânsia controlada de tímida, aquele recatado desejo fazendo-se violência e mesmo incontinência ao libertar-se na cama.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> AMADO, J. Dona Flor e seus dois maridos. São Paulo: Martins, 1966.</strong></p>
    TEXTO II
    As suas mãos trabalham na braguilha das calças do falecido. Dulcineusa me confessou mais tarde: era assim que o marido gostava de começar as intimidades. Um fazer de conta que era outra coisa, a exemplo do gato que distrai o olhar enquanto segura a presa nas patas. Esse o acordo silencioso que tinham: ele chegava em casa e se queixava que tinha um botão a cair. Calada, Dulcineusa se armava dos apetrechos da costura e se posicionava a jeito dos prazeres e dos afazeres.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> COUTO, M. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Cia. das Letras, 2002</strong></p>
    Tema recorrente na obra de Jorge Amado, a figura feminina aparece, no fragmento, retratada de forma semelhante à que se vê no texto do moçambicano Mia Couto. Nesses dois textos, com relação ao universo feminino em seu contexto doméstico, observa-se que

    1. o desejo sexual é entendido como uma fraqueza moral, incompatível com a mulher casada.

    2. a mulher tem um comportamento marcado por convenções de papéis sexuais.

    3. à mulher cabe o poder da sedução, expresso pelos gestos, olhares e silêncios que ensaiam.

    4. a mulher incorpora o sentimento de culpa e age com apatia, como no mito bíblico da serpente.

    5. a dissimulação e a malícia fazem parte do repertório feminino nos espaços público e íntimo.