O artigo
9 questões. Resolver no Descomplica
Questão 1
Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
"não há vagas"
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
(Ferreira Gullar)
<br>
Na penúltima estrofe do poema “Não há vagas”, foram empregados artigos definidos com a finalidade degeneralizar o significado dos substantivos
substantivar termos
indicar substantivos próprios
especificar os termos subsequentes, delimitando-os
enfatizar os substantivos comuns como marcadores de tempo
Questão 2
Independentemente de sua função social, o chat é um gênero marcado pela interatividade [...] os usuários não monitoram suas escolhas lingüísticas, de maneira que o resultado é um estilo de tendência informal. Como bem mostra Hilgert, a interação via chat “acontece por escrito, por força das características do meio eletrônico usado, mas os interlocutores sentem-se numa interação falada”. Isto significa que o chat parece ter sua pré-existência em gêneros genuinamente orais, independente das esferas de comunicação destes últimos. Portanto, ao serem transmutados pelo chat, tais gêneros tendem a simular elementos próprios da oralidade.
<br>
O ato de simular a oralidade através de elementos próprios da escrita permitiu que os usuários do gênero chat desenvolvessem um estilo híbrido. Ou seja, não é qualquer modo que se escreve nesse gênero.
http://www.nehte.com.br/artigos/Chat-Julio-Araujo.pdf
<br>
A partir do ponto de vista apresentado no texto, a natureza híbrida do chat está relacionada ao seu duplo caráter derealização oral e texto escrito.
situação informal e subjetividade.
instantaneidade e perpetuação das mensagens.
comunicação virtual e afastamento físico.
formalidade escrita e comunicação virtual.
Questão 3
Porta de colégio<br />
Passando pela porta de um colégio, me veio a sensação nítida de que aquilo era a porta da própria vida. Banal, direis. Mas a sensação era tocante. Por isso, parei, como se precisasse ver melhor o que via e previa.<br />
Primeiro há uma diferença de clima entre aquele bando de adolescentes espalhados pela calçada, sentados sobre carros, em torno de carrocinhas de doces e refrigerantes, e aqueles que transitam pela rua. Não é só o uniforme. Não é só a idade. É toda uma atmosfera, como se estivessem ainda dentro de uma redoma ou aquário, numa bolha, resguardados do mundo. Talvez não estejam. Vários já sofreram a pancada da separação dos pais. Aprenderam que a vida é também um exercício de separação. Um ou outro já transou droga, e com isso deve ter se sentido (equivocadamente) muito adulto. Mas há uma sensação de pureza angelical misturada com palpitação sexual, que se exibe nos gestos sedutores dos adolescentes.<br />
Onde estarão esses meninos e meninas dentro de dez ou vinte anos?<br />
Aquele ali, moreno, de cabelos longos corridos, que parece gostar de esporte, vai se interessar pela informática ou economia; aquela de cabelos louros e crespos vai ser dona de boutique; aquela morena de cabelos lisos quer ser médica; a gorduchinha vai acabar casando com um gerente de multinacional; aquela esguia, meio bailarina, achará um diplomata. Algumas estudarão Letras, se casarão, largarão tudo e passarão parte do dia levando filhos à praia e à praça e pegando-os de novo à tardinha no colégio. [...]<br />
Estou olhando aquele bando de adolescentes com evidente ternura. Pudesse passava a mão nos seus cabelos e contava-lhes as últimas histórias da carochinha antes que o lobo feroz as assaltasse na esquina. Pudesse lhes diria daqui: aproveitem enquanto estão no aquário e na redoma, enquanto estão na porta da vida e do colégio. O destino também passa por aí. E a gente pode às vezes modificá-lo.<br />
<br />
Atente para o que se diz a respeito da preposição de que entra na composição do título da crônica: “Porta de colégio”.<br />
I. A preposição de, sozinha, sem contração, como é usada nesse título, generaliza o substantivo, no caso do texto, colégio.<br />
II. A contração da preposição de com o pronome demonstrativo aquele, que resultaria em daquele, manteria inalterado o sentido do título.<br />
III. A introdução, no título do texto, do artigo definido o, que resultaria em do, alteraria o sentido do título.<br />
Está correto o que se diz apenas emI.<br />
I e III.<br />
II e III.<br />
II.
Questão 4
“Labaredas nas trevas”. Fragmentos do diário secreto de Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski
20 DE JULHO [1912]
Peter Sumerville pede-me que escreva um artigo sobre Crane. Envio-lhe uma carta: “Acredite-me, prezado senhor, nenhum jornal ou revista se interessaria por qualquer coisa que eu, ou outra pessoa, escrevesse sobre Stephen Crane. Ririam da sugestão. […] Dificilmente encontro alguém, agora, que saiba quem é Stephen Crane ou lembre-se de algo dele. Para os jovens escritores que estão surgindo ele simplesmente não existe.”
20 DE DEZEMBRO [1919]
Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal. Sou reconhecido como o maior escritor vivo da língua inglesa. Já se passaram dezenove anos desde que Crane morreu, mas eu não o esqueço. E parece que outros também não. The London Mercury resolveu celebrar os vinte e cinco anos de publicação de um livro que, segundo eles, foi “um fenômeno hoje esquecido” e me pediram um artigo.
FONSECA, R. Romance negro e outras histórias. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 (fragmento).
Na construção de textos literários, os autores recorrem com frequência a expressões metafóricas. Ao empregar o enunciado metafórico “Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal”, pretendeu-se estabelecer, entre os dois fragmentos do texto em questão, uma relação semântica de:causalidade, segundo a qual se relacionam as partes de um texto, em que uma contém a causa e a outra, a consequência.
temporalidade, segundo a qual se articulam as partes de um texto, situando no tempo o que é relatado nas partes em questão.
condicionalidade, segundo a qual se combinam duas partes de um texto, em que uma resulta ou depende de circunstâncias apresentadas na outra.
adversidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto em que uma apresenta uma orientação argumentativa distinta e oposta à outra.
finalidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto em que uma apresenta o meio, por exemplo, para uma ação e a outra, o desfecho da mesma.
Questão 5
<br />
o assassino era o escriba<br />
1 Meu professor de análise sintática era o tipo do<br />
2 sujeito inexistente.<br />
3 Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,<br />
4 regular como um paradigma da 1.ª conjugação.<br />
5 Entre uma oração subordinada e um adjunto<br />
6 adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um<br />
7 jeito assindético de nos torturar com um aposto.<br />
8 Casou com uma regência.<br />
9 Foi infeliz.<br />
10 Era possessivo como um pronome.<br />
11 E ela era bitransitiva.<br />
12 Tentou ir para os EUA.<br />
13 Não deu.<br />
14 Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.<br />
15 A interjeição do bigode declinava partículas <br />
16 [expletivas, <br />
17 conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.<br />
18 Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.<br />
Paulo Leminski, Caprichos e Relaxos, 1983<br />
<br />
Pelos versos, percebe-se que a poesia de Leminskimantém relação com a geometrização das formas e<br />
volumes cubista.<br />
tem como base os dilemas financeiros do ser humano.<br />
valoriza a concisão e é transgressora.<br />
é composta por uma observação rigorosa do mundo<br />
material.<br />
é composta por personagens positivamente<br />
idealizados.
Questão 6
(Enem 2007) O artigo 1° da Lei Federal n° 9.433/1997 (Lei das Águas) estabelece, entre outros, os seguintes fundamentos:
<ol style="list-style-type: upper-roman;">
<li style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">a água é um bem de domínio público;</span></li>
<li style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;</span></li>
<li style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">em situações de escassez, os usos prioritários dos recursos hídricos são o consumo humano e a dessedentação de animais;</span></li>
<li style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas.</span></li>
</ol>
Considere que um rio nasça em uma fazenda cuja única atividade produtiva seja a lavoura irrigada de milho e que a companhia de águas do município em que se encontra a fazenda colete água desse rio para abastecer a cidade. Considere, ainda, que, durante uma estiagem, o volume de água do rio tenha chegado ao nível crítico, tornando-se insuficiente para garantir o consumo humano e a atividade agrícola mencionada. Nessa situação, qual das medidas abaixo estaria de acordo com o artigo 1° da Lei das Águas?Manter a irrigação da lavoura, pois a água do rio pertence ao dono da fazenda.
Interromper a irrigação da lavoura, para se garantir o abastecimento de água para consumo humano.
Manter o fornecimento de água apenas para aqueles que pagam mais, já que a água é bem dotada de valor econômico.
Manter o fornecimento de água tanto para a lavoura quanto para o consumo humano, até o esgotamento do rio.
Interromper o fornecimento de água para a lavoura e para o consumo humano, a fim de que a água seja transferida para outros rios.
Questão 7
A cada canto um grande conselheiro,<br />
Que nos quer governar cabana e vinha;<br />
Não sabem governar sua cozinha,<br />
E podem governar o mundo inteiro.<br />
<br />
Em cada porta um bem frequente olheiro,<br />
Que a vida do vizinho e da vizinha<br />
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,<br />
Para levar à praça e ao terreiro.<br />
Muitos mulatos desavergonhados,<br />
Trazidos sob os pés os homens nobres,<br />
Posta nas palmas toda a picardia,<br />
<br />
Estupendas usuras nos mercados,<br />
Todos os que não furtam muito pobres:<br />
E eis aqui a cidade da Bahia.<br />
<em>MATOS, G. Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia. Disponível em: http://www.franklinmartins.com.br/estacao_historia_artigo.php?titulo=cinco-poemas-de-gregorio-de-matos-o-boca-do-inferno-bahia-1682. Acesso em: 20 fev. 2015.</em><br />
<br />
<br />
Gregório de Matos Guerra, foi o autor mais importante do Barroco no Brasil (1601-1768), e ficou conhecido como “Boca do Inferno”, devido sua poesia satírica. O soneto “Descreve naquele tempo o que era a cidade da Bahia”,<p>ironiza o clero, abordando os duelos entre pecado e perdão, salvação e inferno.</p>
<p>tira sarro das classes baixas, que sofrem com a situação da cidade e apoia a elite governante.</p>
<p>critica a sociedade preconceituosa, por isso é sempre dirigido aos negros e mulatos, utilizando linguagem ambígua e termos chulos.</p>
<p>critica as autoridades do país inteiro, por serem todas oportunistas e despreocupadas com a população.</p>
<p>critica a situação econômica e social da cidade, satirizando os detentores de poder.</p>
Questão 8
A sintaxe de concordância é determinada por regras<br />
presentes na Gramática Normativa da Língua<br />
Portuguesa. Uma delas refere-se ao sujeito constituído<br />
por palavras que têm forma plural precedidos ou não de<br />
artigo. Identifique o caso em que o sujeito é um plural<br />
aparente:“Comparados os países com veículos, veremos que<br />
os Estados Unidos são uma locomotiva elétrica; a<br />
Argentina um automóvel; o México uma carroça; e o<br />
Brasil um carro de boi.”“A colossal produção agrícola e industrial dos americanos<br />
voa para os mercados com a velocidade média<br />
de 100 km por hora.”“Os trigos e carnes argentinas afluem para os portos<br />
em autos e locomotivas que uns 50 km por hora, na<br />
certa, desenvolvem.”“As fibras do México saem por carroças e se um<br />
general revolucionário não as pilha em caminho, chegam<br />
a salvo com relativa presteza.”“E lá seguem bois, homens, o diabo para desatolar o<br />
carro.”
Questão 9
AO BARATO<br />
SOARES & MAVIGNIER<br />
RUA DA ORDEM N<sup>O</sup>. 1 EM PARANAGUÁ<br />
Esta nova loja de fazendas acaba de receber pelo vapor Maracanã o seguinte: Chales de touquim; leques de madreperola e de marfim, bengallas d’unicorne; mantelletes guarnecidas de filó e rendas de seda; paletós de cassa e filó bordado, para s.ras e meninas; camisinhas inteiramente modernas, infeitadas com rendas de seda; sedas lavradas em xadrês; nobrezas furta-cores e preta; tapetes para shopás; chapéos de sol; ditos de mollas para cabeça; toucados para sras; grinaldas francezas; camisas ditas, peitos para camisas; merinós setins de cores; gravatinhas de touquim para sras; panno de linho para lençóes com 10 palmos de largura; véos pretos, sarja espanholla e franceza. Além d’estas fazendas, encontra-se na mesma casa um extraordinário e variado sortimento de fazendas grossas e de gosto; chapéos e calçados para homens e sras e artigos de armarinho.<br />
(Fonte: <em>O 19 de dezembro</em>, 22 de abril de 1854)<br />
<br />
O texto foi escrito no jornal com o objetivo de:Descrever um ponto comercial.
Anunciar produtos de uma casa comercial.
Fazer o levantamento do estoque de uma loja comercial.
Contar, em relato pessoal, a diversidade de estoque existente em uma loja.
Provocar humor, explorando mercadorias totalmente fora de época.