Extensivo Enem - Do Mundo Antigo ao Feudalismo
10 questões. Resolver no Descomplica
Questão 1
O fenômeno da escravidão, ou seja, da imposição do trabalho compulsório a um indivíduo ou a uma coletividade, por parte de outro indivíduo ou coletividade, é algo muito antigo e, nesses termos, acompanhou a história da Antiguidade até o séc. XIX. Todavia, percebe-se que tanto o status quanto o tratamento dos escravos variou muito da Antiguidade greco-romana até o século XIX em questões ligadas à divisão do trabalho.<br />
As variações mencionadas dizem respeito:ao caráter étnico da escravidão antiga, pois certas etnias eram escravizadas em virtude de preconceitos sociais.
à especialização do trabalho escravo na Antiguidade, pois certos ofícios de prestígio eram frequentemente realizados por escravos.
ao uso dos escravos para a atividade agroexportadora, tanto na Antiguidade quanto no mundo moderno, pois o caráter étnico determinou a diversidade de tratamento.
à absoluta desqualificação dos escravos para trabalhos mais sofisticados e à violência em seu tratamento, independentemente das questões étnicas.
ao aspecto étnico presente em todas as formas de escravidão, pois o escravo era, na Antiguidade greco-romana, como no mundo moderno, considerado uma raça inferior.
Questão 2
Em 24 de junho, dia de São João, os camponeses de Verson (na França) colhiam os frutos dos campos de seu senhor e os levavam ao castelo. Depois, cuidavam dos fossos e, em agosto, faziam a colheita do trigo, também entregue ao senhor. Eles próprios não podiam recolher o seu trigo, senão depois que o senhor tivesse tirado antecipadamente a sua parte. No começo do inverno, trabalhavam
sobre a terra senhorial para prepará-la, passar o arado e semear. No dia 30 de novembro, dia de Santo André, pagava-se uma espécie de bolo. Pelo Natal, “galinhas boas e finas”. Depois, uma certa quantidade de cevada e de trigo. E mais ainda! No moinho, para moer o grão do camponês, cobrava-
se uma parte dos grãos e uma certa quantidade de farinha; no forno, era preciso pagar também, e o “forneiro” dizia que, se não tivesse o seu pagamento, o pão do camponês ficaria malcozido e imprestável.
LUCHAIRE, La Société française au temps de Philippe Auguste. Adaptado
O texto nos revela as principais obrigações servis na idade medieval. Assinale a alternativa que associa corretamente a obrigação ao trabalho realizado.o servo pagava a talha quando ceifava os prados do senhor, levava os frutos ao castelo, cuidava dos fossos e colhia o trigo.
o servo trabalhava apenas de 24 de junho a 30 de novembro em muitas atividades: dos cuidados com os animais ao trabalho no campo.
o servo trabalhava e recebia salário, pois pagava no moinho pela moagem dos grãos e ao forneiro pelo pão assado.
o servo devia a seu senhor a corveia, a talha e as banalidades pelo uso das instalações senhoriais bem como presentes em datas festivas.
o trabalho servil era recompensado no Natal, quando o senhor dava aos servos bolos, finas e gordas galinhas.
Questão 3
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(UEA 2013) Igreja, em torno de 1030, proclamou que, segundo o plano divino, os homens dividiam-se em três categorias: os que rezam, os que combatem, os que trabalham, e que a concórdia reside na troca de auxílios entre eles. Os trabalhadores mantêm, com sua atividade, os guerreiros, que os defendem, e os homens da Igreja, que os conduzem à salvação. Assim a Igreja defendia, de maneira lúcida, o sistema político baseado na senhoria.</div>
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Segundo essa definição do universo social, feita pela Igreja cristã da Idade Média, a sociedade medieval era considerada</div>injusta e imperfeita, na medida em que as atividades dos servos os protegiam dos riscos a que estavam submetidos os demais grupos sociais.
perfeita, porque era sustentada pelas atividades econômicas da agricultura, do comércio e da indústria.
sagrada, contendo três grupos sociais que deveriam contribuir para o congraçamento dos homens.
dinâmica e mutável, na medida em que estava dividida entre três estamentos sociais distintos e rivais.
guerreira, cabendo à Igreja e aos trabalhadores rurais a participação direta nas lutas e empreitadas militares dos cavaleiros.
Questão 4
Analisando as condições de trabalho da Europa medieval, o historiador Marc Bloch afirmou: O servo, em resumo, dependia tão estreitamente de um outro ser humano que, fosse ele para onde fosse, esse laço o seguia e se imprimia à sua descendência. Essas pessoas, para com o senhor, não estavam obrigadas apenas às múltiplas rendas ou prestações de serviços. Deviam-lhe também auxílio e obediência, e contavam com a sua proteção.
BLOCH, Marc. A sociedade feudal. Lisboa: Edições 79, s/d., p. 294-295. Adaptado
De acordo com o texto, é correto afirmar que a servidão na Europa medievalbaseava-se na cobrança de taxas e no trabalho em troca de proteção e moradia.
organizava a produção monocultora de exportação que predominava no período.
proporcionava ampla mobilidade social para os servos e seus descendentes.
garantia aos servos a participação nas decisões políticas dentro dos feudos.
impedia a circulação dos trabalhadores nas lavouras dos territórios senhoriais.
Questão 5
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(Mackenzie 2014) Aquilo que dominava a mentalidade e a sensibilidade dos homens da Idade Média era o seu sentimento de insegurança (…) que era, no fim das contas, a insegurança quanto à vida futura, que a ninguém estava assegurada (…). Os riscos da danação, com o concurso do Diabo, eram tão grandes, e as probabilidades de salvação, tão fracas que, forçosamente, o medo vencia a esperança.</div>
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O mundo medieval configurou-se a partir do medo da insegurança, como retratado no texto acima.</div>
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Encontre a alternativa que melhor condiz com o assunto.</div><p style="text-align: justify;">A crise econômica decorrente do final do Império Romano, a guerra constante, as invasões bárbaras, a baixa demográfica, as pestes, tudo isso aliado a um forte conteúdo religioso de punição divina aos pecados contribuiu para o clima de insegurança medieval.
<p style="text-align: justify;">A peste bubônica provocou redução drástica na demografia medieval, levando a crenças milenaristas e apocalípticas, sufocadas, por sua vez, pela rápida ação da Igreja, disponibilizando recursos médicos e financeiros para a erradicação das várias doenças que afetam seus fiéis.
<p style="text-align: justify;">O clima de insegurança que predominou em toda a Idade Média decorreu das guerras constantes entre nobres – suseranos – e servos – vassalos, contribuindo para a emergência de teorias milenaristas no continente.
<p style="text-align: justify;">As enfermidades que afetavam a população em geral contribuíram para a demonização de algumas práticas sociais, como o hábito de usar talheres nas refeições, adquirido, por sua vez, no contato com povos bizantinos.
<p style="text-align: justify;">A certeza da punição divina a pecados cometidos pelos humanos predominava na mentalidade medieval; por isso, nos vários séculos do período, eram constantes os autos de fé da Inquisição, incentivando a confissão em massa, sempre com tolerância e diálogo.
Questão 6
“Reconheço ter prendido mercadores de Langres que passavam pelo meu domínio. Arrebatei-lhes as mercadorias e guardei-as até o dia em que o bispo de Langres e o abade de Cluny vieram procurar-me para exigir reparações.”
Castelão do século XI.
O texto apresentado permite afirmar que, na Idade Média:o poder da Igreja era, além de religioso, também temporal.
os senhores feudais eram mais poderosos do que a Igreja.
o clero era responsável pela distribuição das mercadorias.
o conflito entre Igrejas e nobreza aproximou o clero dos comerciantes.
o poder do papa era limitado pelos sacerdotes.
Questão 7
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(Enem 2013) Quando ninguém duvida da existência de um outro mundo, a morte é uma passagem que deve ser celebrada entre parentes e vizinhos. O homem da Idade Média tem a convicção de não desaparecer completamente, esperando a ressurreição. Pois nada se detém e tudo continua na eternidade. A perda contemporânea do sentimento religioso fez da morte uma provação aterrorizante, um trampolim para as trevas e o desconhecido.</div>
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<strong>DUBY, G. Ano 1000 ano 2000 na pista dos nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998 (adaptado).</strong></div>
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Ao comparar as maneiras com que as sociedades têm lidado com a morte, o autor considera que houve um processo de:</div>
</div>mercantilização das crenças religiosas.
transformação das representações sociais.
disseminação do ateísmo nos países de maioria cristã.
diminuição da distância entre saber científico e eclesiástico.
amadurecimento da consciência ligada à civilização moderna.
Questão 8
Sou uma pobre e velha mulher,
Muito ignorante, que nem sabe ler.
Mostraram-me na igreja da minha terra
Um Paraíso com harpas pintado
E o Inferno onde fervem almas danadas,
Um enche-me de júbilo, o outro me aterra.
VILLON, F. In: GOMBRICH, E. História da arte. Lisboa: LTC, 1999.Os versos do poeta francês François Villon fazem referência às imagens presentes nos templos católicos medievais. Nesse contexto, as imagens eram usadas com o objetivo de
refinar o gosto dos cristãos.
incorporar ideais heréticos.
educar os fiéis através do olhar.
o divulgar a genialidade dos artistas católicos.
valorizar esteticamente os templos religiosos.
Questão 9
O próprio Deus quis que entre os homens alguns fossem senhores e outros servos, de modo que os senhores veneram e amam a Deus, e que os servos amam e veneram o seu senhor, seguindo a palavra do apóstolo; servos, obedecei vossos senhores temporais com temor e apreensão; senhores, tratai vossos servos de acordo com a justiça e a equidade.
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⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀(Marvin Perry. Civilização Ocidental: Uma História Concisa)
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A partir da leitura do texto é possível assinalar que a respeito da ordem social feudal, o clero:propugnava por uma sociedade dinâmica e de camponeses questionadores;
afirmava que os direitos e deveres das pessoas não dependiam de sua posição na ordem social;
rebatia a avaliação de que a vontade de Deus tivesse qualquer relação com a ordem social;
considerava que a sociedade funcionava bem quando todos aceitavam sua condição e desempenhavam o papel que lhes era atribuído;
era o maior interessado em questionar a ordem social injusta do feudalismo
Questão 10
“A desagregação do Império no Ocidente e o caos trazido pelas invasões permitiram à Igreja não só definir com maior clareza a sua doutrina, como especialmente ampliar e fortalecer as instituições já criadas”.
<p style="text-align: right;"><strong><span style="font-size:11px;">ESPINOSA, Fernanda. Antologia de Textos Históricos Medievais. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1972</span></strong></p>
De acordo com o trecho acima, os fatores que contribuíram para o fortalecimento da Igreja foram o caos trazido pelas invasões e a desagregação do Império do Ocidente, isto porque:se estabeleceu na Europa uma crise política, que levou a Igreja a ter o controle sobre o Estado e toda a sociedade.
a cada invasão o poder do imperador se fortalecia e dava segurança ao povo, que buscava na Igreja apenas o apoio espiritual.
com a queda do império do Ocidente, a sociedade romana se urbanizou, facilitando o processo de evangelização desenvolvido pela Igreja.
a situação política e social gerado pelo fim do império e as invasões criaram condições psicológicas para o fortalecimento do poder da Igreja.
o caos que se instalou no império do Ocidente estimulou a criação de comunidades cristãs que praticavam o comunismo primitivo, atraindo centenas de camponeses