Exercícios discursivos - Exercícios sobre Independências da América Inglesa e Espanhola
10 questões. Resolver no Descomplica
Questão 1
(PUC-PR-2017) O mapa mostra as Treze Colônias inglesas na América do Norte, normalmente divididas entre Norte, de Massachusetts até a Pensilvânia, e sul, a partir de Maryland até a Geórgia. Colonização de iniciativa particular no século XVI, as Treze Colônias inglesas mantinham grandes diferenças entre si, sendo as principais entre o Norte e o Sul.

Dentre elas, podemos citar
as colônias do sul eram voltadas à exploração, possuíam um sistema de produção baseado no plantation com trabalho escravo, monocultura e voltado para a exportação.
o norte foi caracterizado por receber um grande fluxo de imigrantes ingleses, estimulados pelos cercamentos e pelas perseguições religiosas sofridas na Inglaterra, vieram para colônia e montaram grandes fazendas de açúcar, tabaco e algodão, voltadas à exportação para a Europa.
o sul abrigou colônias de povoamento, onde a pequena propriedade para subsistência e o trabalho livre foram predominantes.
a coroa inglesa se manteve presente nas Treze Colônias, cobrando impostos e fundando a Companhia Geral do Comércio, órgão cuja competência era fiscalizar e manter o monopólio inglês sobre os produtos exportados pela colônia.
as colônias ao norte foram conhecidas pela exploração de matéria-prima que abastecia as manufaturas inglesas, contudo, a partir das revoltas de escravos e o início do trabalho assalariado, o valor das transações aumenta muito, tornando inviável para a Inglaterra continuar ligada às colônias.
Questão 2
Eles não tinham deixado a Inglaterra para escapar a toda forma de governo, mas para trocar o que acreditavam ser um mau governo por um bom, ou seja, formado livremente por eles mesmos. Tanto no plano político como no religioso, acreditavam que o indivíduo só poderia se desenvolver em liberdade. Entretanto, convencidos de que a liberdade consiste em dar ao homem a oportunidade de obedecer aos desígnios divinos, ela apenas permitia ao indivíduo escolher o Estado que deveria governá-lo e a Igreja na qual ele iria louvar a Deus. [...]
CRÉTÉ, Liliane. As raízes puritanas. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/as_raizes_puritanas.html.> Acesso em: 28 de janeiro de 2016.
A historiografia sobre a colonização da América costuma realçar as peculiaridades da colonização britânica nas colônias do Norte. As diferenças, entretanto, em relação às colonizações portuguesa e inglesa não são absolutas, poisambos os modelos de colonização eram predominantemente mercantis, ainda que a agricultura de subsistência fosse mais presente na colonização portuguesa.
tanto os colonos ingleses quanto os portugueses eram profundamente marcados pelas disputas entre as potências europeias, sendo que os portugueses eram aliados preferenciais da França.
em ambas as modalidades de colonização, a administração colonial era formalmente descentralizada, havendo espaço para uma expressiva margem de autonomia dos colonos.
o sentido de missão religiosa estava presente nas duas modalidades de colonização, refletindo a ainda forte presença do misticismo no mundo europeu.
as duas formas de colonização contaram com um grande industrialismo a partir do século XVIII com predominância do trabalho escravo.
Questão 3
Leia o texto para responder a questão abaixo.
Os diários, as memórias e as crônicas de viagens escritas por marinheiros, comerciantes, militares, missionários e exploradores, ao lado das cartas náuticas, seriam as principais fontes de conhecimento e representação da África dos séculos XV ao XVIII.
A barbárie dos costumes, o paganismo e a violência cotidiana foram atribuídos aos africanos ao mesmo tempo em que se justificava a sua escravização no Novo Mundo. A desumanização de suas práticas serviria como justificativa compensatória para a coisificação dos negros e para o uso de sua força de trabalho nas plantations da América.
Regina Claro. Olhar a África, 2012. Adaptado.
As “plantations da América”, citadas no texto, correspondem aum esforço de coordenação da colonização ao redor do Atlântico, com a aplicação de modelos econômicos idênticos nas colônias ibéricas da América e da costa africana.
uma estratégia de valorização, na colonização da América e na África, das atividades agrícolas baseadas em mão de obra escrava, com a consequente eliminação de toda forma de artesanato e de comércio local.
um modelo de organização da produção agrícola caracterizado pelo predomínio de grandes propriedades monocultoras, que utilizavam trabalho escravo e destinavam a maior parte de sua produção ao mercado externo.
uma forma de organização da produção agrícola, implantada nas colônias africanas a partir do sucesso da experiência de povoamento das colônias inglesas na América do Norte.
uma política de utilização sistemática de mão de obra de origem africana na pecuária, substituindo o trabalho dos indígenas, que não se adaptavam ao sedentarismo e à escravidão.
Questão 4
Observe o mapa, em que estão representados os intercâmbios comerciais das Colônias Inglesas da América do Norte:

Considerando-se as informações desse mapa e outros conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que
as Antilhas Britânicas, com uma economia basicamente extrativista, ocupavam um papel secundário tanto para os interesses metropolitanos, quanto nos intercâmbios comerciais das Colônias Inglesas da América do Norte.
as Colônias Inglesas do norte e do centro desenvolveram um intenso comércio intercontinental com as Antilhas, a África e a Europa, em detrimento das Colônias Inglesas do sul, que estavam isoladas.
o comércio intercolonial e intercontinental se desenvolveu nas Colônias Inglesas da América do Norte, apesar das tentativas, ineficazes, de aplicação das Leis de Navegação por parte da Metrópole.
os comerciantes metropolitanos compravam diversos produtos manufaturados da América Inglesa, onde a atividade fabril era intensa, em razão da abundância de matérias-primas e de mão de obra barata.
as colônias inglesas do norte e do sul eram fieis ao exclusivo metropolitano, comercializando exclusivamente com os ingleses e as nações amigas.
Questão 5
As transformações ocorridas nas Américas durante a Era das Revoluções Atlânticas estiveram marcadas por dois grandes eventos, ambos igualmente radicais: (a) a Revolução Americana, que, com a independência das 13 colônias em 1776, causou uma primeira séria fratura na ordem do Antigo Regime e cujo pioneirismo na criação da primeira república moderna não seria esquecido e (b) a Revolução de Santo Domingo, no Haiti, nos anos de 1790, a qual veio associada a uma gigantesca, única e bem sucedida rebelião de escravos nos tempos modernos.
Esta libertou os escravos e criou a segunda república independente do novo mundo.
a) Explique a contribuição da Revolução Americana para a ideia de República no mundo moderno.
b) Caracterize como os cidadãos franceses, em meio às próprias experiências revolucionárias iniciadas em 1789 na metrópole, reagiram à rebelião dos escravos em sua colônia e à subsequente abolição da escravidão.Envie sua resposta!
Questão 6
Leia o texto a seguir.
Afluente da margem direita do Rio Vermelho, ao norte de Cambé, próximo ao Distrito da Prata, o Rio Palmeira forma um vale onde a mata nativa ainda concentra reservas. Ali, séculos atrás havia um lago. Era um ponto estratégico com água, peixe, caça e floresta subtropical. Ali, em 1625 foi construída a redução jesuítica de San Joseph – o termo missão foi adotado pelos portugueses, enquanto espanhóis e pesquisadores preferem redução
Jornal de Londrina, 3 mar. 2013. p. 21.
Recentemente no município de Cambé, localizado no norte do Paraná, foram descobertas ruínas de fundações da Redução Jesuítica, que comportou cerca de 200 pessoas, com fácil acesso à água e aos produtos oriundos da floresta.
As Reduções ou Missões Jesuíticas no Brasil estão associadasàs ações das bandeiras, que buscavam, nas Reduções, mão de obra indígena para a escravização.
às atividades mercantis de minérios e de drogas do sertão que abasteciam a metrópole.
à cristianização facultativa dos indígenas pelos irmãos jesuítas com o apoio da Santa Sé.
à libertação dos indígenas do jugo católico, conquistando a autonomia para professarem a sua fé.
ao desenvolvimento de práticas agrícolas e de pecuária extensiva que vieram a abastecer o comércio metropolitano.
Questão 7
“A colonização do Peru ilustra seguramente a variedade de ritmos de aculturação num mesmo espaço cultural. Economicamente, o processo foi rápido: introduziu-se o cultivo de frutas e legumes europeus, a criação de aves e de gado (...). Por outro lado, todo o sistema de recrutamento de aldeãos, montado no Império Inca, foi canalizado para suprir o trabalho nas empresas coloniais, notadamente a produção mineradora. Apesar de tudo, o milho e a batata permaneceram como os alimentos essenciais das comunidades, e em pouco tempo foram difundidos entre os europeus. Socialmente, o processo foi lento e ambivalente: à progressiva ‘hispanização’ dos Kuracas [chefes tribais] (...) contrapôs-se a preservação, pela massa aldeã, dos costumes e normas do parentesco e da própria língua quíchua ou aymara (...). Enfim, no terreno religioso, campo das mentalidades coletivas, a tendência foi no sentido da ‘inércia’, ou seja, da manutenção, ainda que dissimulada e perseguida, dos cultos tradicionais –as wakas–, especialmente entre a população trabalhadora das aldeias”.
VAINFAS, Ronaldo. Economia e Sociedade na América Espanhola. Rio de Janeiro: Graal, 1984, p. 44
A leitura do texto permite afirmar que o processo colonizador espanhol, na região americana ali analisada, estabeleceu um espaço sócio histórico no qual ocorreua aniquilação rápida dos traços culturais e dos laços sociais autóctones pelos colonizadores.
a prevalência unilateral do ritmo de exploração econômica mercantilista sobre os demais fatores socioculturais.
o surgimento diferenciado de relações socioculturais complexas de dominação e resistência.
a tolerância jurídica por parte da administração laica metropolitana das manifestações religiosas locais.
a irrelevância dos fatores linguísticos como elementos de defesa cultural dos povos colonizados.
Questão 8
O historiador Sérgio Buarque de Holanda analisou as diferenças entre as cidades construídas, no início da colonização do continente sul-americano, por espanhóis e portugueses. Segundo esse autor, “para muitas nações conquistadoras, a construção de cidades foi o mais decisivo instrumento de dominação que conheceram”. Além disso, o autor observou que “ao contrário da colonização portuguesa, que foi antes de tudo litorânea, a espanhola preferiu as terras do interior e os planaltos”.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1995, p. 95-99. Adaptado
Sobre as opções de portugueses e de espanhóis para a localização das cidades coloniais, é correto afirmar queas condições geográficas não foram levadas em consideração na escolha dos locais para a fundação das cidades.
a dominação europeia nas Américas utilizou as estruturas urbanas construídas anteriormente pelos indígenas.
os territórios portugueses e os territórios espanhóis foram igualmente urbanos, pois ambos eram colônias de povoamento.
a colonização portuguesa baseou-se em feitorias comerciais litorâneas, e a espanhola baseou-se na extração de minerais no interior.
as cidades coloniais portuguesas seguiram o modelo de construção católico, e as espanholas seguiram o modelo arquitetônico protestante.
Questão 9
<p style="text-align: justify;">(Enem 2012) Mas uma coisa ouso afirmar, porque há muitos testemunhos, e é que vi nesta terra de Veragua [Panamá] maiores indícios de ouro nos dois primeiros dias do que na Hispaniola em quatro anos, e que as terras da região não podem ser mais bonitas nem mais bem lavradas. Ali, se quiserem podem mandar extrair à vontade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Carta de Colombo aos reis da Espanha, julho de 1503. Apud AMADO, J.; FIGUEIREDO, L. C. Colombo e a América: quinhentos anos depois. São Paulo: Atual, 1991 (adaptado).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O documento permite identificar um interesse econômico espanhol na colonização da América a partir do século XV. A implicação desse interesse na ocupação do espaço americano está indicada na:</p><p style="text-align: justify;">expulsão dos indígenas para fortalecer o clero católico.
<p style="text-align: justify;">promoção das guerras justas para conquistar o território.
<p style="text-align: justify;">imposição da catequese para explorar o trabalho africano.
<p style="text-align: justify;">opção pela policultura para garantir o povoamento ibérico.
<p style="text-align: justify;">fundação de cidades para controlar a circulação de riquezas.
Questão 10
Em todas as áreas das Américas onde se estabeleceram grupos de fugitivos, destaca-se a maneira como se forjaram políticas de alianças destes com outros setores da sociedade envolvente. Assim foi na Jamaica, nas Guianas, na Colômbia, no Brasil, na Venezuela e em outras regiões onde quilombolas, cimarrones, palenques, cumbes e marrons procuraram se organizar econômica e socialmente em grupos e comunidades.
GOMES, Flávio dos Santos. A hidra e os pântanos. São Paulo: Editora da Unesp, 2005, p. 25.
Quilombolas, “cimarrones”, “palenques”, “cumbes” e “marrons”, são palavras usadas nas diversas regiões da América para se referir à mesma questão, durante o chamado período colonial, qual seja, as resistências de africanos e afro-descendentes escravizados. Sobre essa resistência na forma de quilombos é correto afirmar:Os quilombolas, ao mesmo tempo que tentavam a todo custo manter sua liberdade, procuravam agenciar estratégias de resistências, nem sempre pacíficas, junto a comerciantes, piratas, indígenas, fazendeiros e escravos.
Viviam isolados em regiões distantes, sem nenhum contato com a sociedade colonial.
Os quilombos foram combatidos e derrotados no Brasil ainda durante o período colonial como mostra o fato de não se encontrar remanescentes desses grupos fugitivos em território nacional.
No Brasil, os maiores quilombos estavam nas regiões Sul e Centro-Oeste.
Além da luta contra a ordem escravista, os quilombolas tinham como objetivo organizar reinos e fundar impérios no interior das Américas.