Enem Intensivo - Os EUA no século XIX: Expansão e Guerra

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    Para Edward Said (1935-2003) − intelectual, crítico literário e ativista palestino − as regiões do mundo que chamamos Ocidente e Oriente não são lugares “naturais”, mas invenções humanas. O Ocidente foi identificado pelos europeus como o “lugar” onde aconteceu sua história e a construção de seus valores culturais. O Oriente, por sua vez, também foi uma invenção dos “ocidentais”. Os povos que viviam ao leste da Europa, em particular árabes, chineses e indianos − e também alguns africanos −, foram chamados de “orientais”.
    (VAINFAS, Ronaldo et al. História. Volume Único. São Paulo: Editora Saraiva, 2010, p. 891)
    Um dos temas presentes nos estudos de Said é o imperialismo, marcante na história política do Ocidente. São exemplos da política imperialista norte-americana algumas ações, discursos e medidas tomadas no âmbito da política externa voltada para a América Latina e o Caribe, no século XIX, tais como a

    1. Guerra Mexicano-americana e a Doutrina Monroe.

    2. Diplomacia do Dólar e o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca.

    3. Guerra Hispano-americana e a Emenda Platt.

    4. Política da Boa Vizinhança e o Big Stick.

    5. Construção do Canal do Panamá e a Operação Pan-americana

  2. Questão 2

    "A Guerra Civil Norte-americana (1861-65) representou uma confissão de que o sistema político falhou, esgotou os seus recursos sem encontrar uma solução (para os conflitos políticos mais importantes entre as grandes regiões norte-americanas, a Norte e a Sul). Foi uma prova de que mesmo numa das democracias mais antigas, houve uma época em que somente a guerra podia superar os antagonismos políticos."
    (Eisenberg, Peter Louis. GUERRA CIVIL AMERICANA. S. Paulo, Brasiliense, 1982.)
    Dentre os conflitos geradores dos antagonismos políticos referidos no texto está a

    1. manutenção, pela sociedade sulista, do regime de escravidão, o que impediria a ampliação do mercado interno para o escoamento da produção industrial nortista.

    2. opção do Norte pela produção agrícola em larga escala voltada para o mercado externo, o que chocava com a concorrência dos sulistas que tentavam a mesma estratégia.

    3. necessidade do Sul de conter a onda de imigração da população nortista para seus territórios, o que ocorria em função da maior oferta de trabalho e da possibilidade do exercício da livre-iniciativa.

    4. ameaça exercida pelos sulistas aos grandes latifundiários nortistas, o que se devia aos constantes movimentos em defesa da reforma agrária naquela região em que havia concentração da propriedade da terra.

    5. adesão dos trabalhadores sulistas ao movimento trabalhista internacional, o que ameaçava a estabilidade das relações trabalhistas praticadas na região norte.

  3. Questão 3

    "... era como se os Estados Unidos tivessem como objetivo uma missão civilizatória junto aos povos da América Latina."
    Herbert Croly, The Promisse of American Life
    A consolidação do capitalismo nos Estados Unidos da América, ao longo do século XIX, identificou-se em seu processo de expansão territorial, que se relaciona corretamente com o(a):

    1. Destino Manifesto, que fundamentava a distinção política e econômica entre os estados sulistas escravocratas e os nortistas industriais.

    2. Fim da guerra hispano-americana, que acarretou a incorporação da Flórida, de Cuba do Panamá.

    3. Vitória no conflito contra o México, que resultou na anexação dos territórios do Texas, Novo México e Califórnia.

    4. Marcha para o Pacífico, que estendeu o território americano até a costa oeste, com a invasão e a ocupação do Alasca e dos territórios do noroeste do Canadá.

    5. Doutrina Monroe, que ratificou a compra dos territórios franceses e ingleses na América, tais como a Luisiana e o Oregon.

  4. Questão 4

    "Os Estados Confederados podem adquirir novo território. [...] Em todos esses territórios, a instituição da escravidão negra, tal como ora existe nos Estados Confederados, será reconhecida e protegida pelo Congresso e pelo governo territorial; e os habitantes dos vários Estados Confederados e Territórios terão o direito de levar para esse território quaisquer escravos legalmente possuídos por eles em quaisquer Estados ou Territórios dos Estados Confederados [...]."
    "Constituição dos Estados Confederados da América", Art. IV, seção 3, 1861.
    O texto acima reflete um dos pontos centrais de discórdia que geraram a Guerra Civil Americana. Esta guerra civil foi o resultado:

    1. da ação imperialista americana que, a partir da Doutrina Monroe, passou a intervir na América Latina.

    2. da luta entre os colonos e a Metrópole Inglesa, o que redundaria na independência dos Estados Unidos.

    3. da Grande Depressão, intensificando a pobreza e o desemprego nas grandes cidades americanas.

    4. da luta pelos direitos civis, particularmente dos negros, forçando uma reinterpretação da Constituição Americana.

    5. da oposição dos interesses dos Estados do Sul e do Norte em torno da questão da escravidão e da expansão para o Oeste.

  5. Questão 5

    A Ku-Klux-Klan foi organizada para segurança própria... o povo do Sul se sentia muito inseguro. Havia muitos nortistas vindos para cá (Sul), formando ligas por todo o país. Os negros estavam se tornando muito insolentes e o povo branco sulista de todo o estado de Tennessee estava bastante alarmado."
    ENTREVISTA DE NATHAN BEDFORD FORREST ao JORNAL DE CINCINNATI, Ohio, 1868.
    A leitura deste depoimento, feito por um membro da Ku-Klux-Klan, permite entender que esta organização tinha por objetivo:

    1. assegurar os direitos políticos da população branca, pelo voto censitário, eliminando as possibilidades de participação dos negros nas eleições.

    2. impedir a formação de ligas entre nortistas e negros, que propunham a reforma agrária nas terras do sul dos Estados Unidos.

    3. unir os brancos para manter seus privilégios e evitar que os negros, com apoio dos nortistas, tivessem direitos garantidos pelo governo.

    4. proteger os brancos das ameaças e massacres dos negros, que criavam empecilhos para o desenvolvimento econômico dos estados sulistas.

    5. evitar confrontos com os nortistas, que protegiam os negros quando estes atacavam propriedades rurais dos sulistas brancos.

  6. Questão 6

    No caso da história americana, um dos eventos mais retratados pela memória social é, sem dúvida, a chamada Marcha para o Oeste. Mesmo antes do surgimento do cinema, esses temas já faziam parte das imagens da história americana. A fronteira foi um tema constante dos pintores do século XIX. A imagem das caravanas de colonos e peregrinos, da corrida do ouro, dos cowboys, das estradas de ferro cruzando os desertos, dos ataques dos índios marcam a arte, a fotografia e também a cinematografia americana.
    CARVALHO, Mariza Soares de. In: http://www.historia.uff.br/primeirosescritos/files/pe02-2.pdf, acessado em 29.08.2009
    Entre os fatores que motivaram e favoreceram a Marcha para o Oeste está:

    1. a possibilidade de as famílias de colonos tornarem-se proprietárias, o que também atraiu imigrantes europeus.

    2. o desejo de fugir da região litorânea afundada em guerras com tribos indígenas fixadas ali desde o período da colonização.

    3. a beleza das paisagens americanas, o que atraiu muitos pintores e fotógrafos para aquela região.

    4. o avanço da indústria cinematográfica, que encontrou no Oeste o lugar perfeito para a realização de seus filmes.

    5. a existência de terras férteis que incentivaram a ida, para o Oeste, de agricultores que buscavam ampliar suas plantações de algodão.

  7. Questão 7

    _A ideia de ocupação do continente pelo povo americano teve também raízes populares, no senso comum e também em fundamentos religiosos. O sonho de estender o princípio da “união” até o Pacífico foi chamado de “Destino Manifesto”._
    (Nancy Priscilla S. Naro. A formação dos Estados Unidos. São Paulo: Atual, 1986, p. 19.)
    A concepção de “Destino Manifesto”, cunhada nos Estados Unidos da década de 1840,

    1. difundiu a ideia de que os norte-americanos eram um povo eleito e contribuiu para justificar o desbravamento de fronteiras e a expansão em direção ao Oeste.

    2. tinha origem na doutrina judaica e enfatizava que os homens deviam temer a Deus e respeitar a todos os semelhantes, independentemente de sua etnia ou posição social.

    3. baseava-se no princípio do multiculturalismo e impediu a propagação de projetos ou ideologias racistas no Sul e no Norte dos Estados Unidos.

    4. derivou de princípios calvinistas e rejeitava a valorização do individualismo e do aventureirismo nas campanhas militares de conquista territorial, privilegiando as ações coordenadas pelo Estado.

    5. defendia a necessidade de se preservar a natureza e impediu o prosseguimento das guerras contra indígenas, na conquista do Centro e do Oeste do território norte-americano.

  8. Questão 8

    <p style="text-align: justify;">Durante a expansão territorial, a forma encontrada pelo governo americano para incentivar a ocupação de todo esse “vazio territorial” foi a partir da Homestead Act, que determinava:

    1. A distribuição gratuita de territórios para todo cidadão americano, desde que ele não fosse pertencente à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

    2. A venda da terra a um preço muito baixo desde que a pessoa tivesse ao menos 21 anos e que habitasse e cultivasse a terra por, pelo menos, cinco anos.

    3. A distribuição de terra gratuita para todos aqueles que tivessem informações que levassem à prisão de criminosos.

    4. A distribuição de terras para os veteranos da Guerra Mexicano-Americana.

    5. A venda da terra por preços normais com condições de pagamento facilitadas para todos que lutassem contra as nações indígenas hostis.

  9. Questão 9

    A saga de pioneiros e desbravadores (e também bandidos, exterminadores de índios, grileiros e pistoleiros) foi retratada em uma série de filmes do gênero western, mais conhecida no Brasil como faroeste ou bangue-bangue. Ao contar a Marcha para o Oeste, esses filmes mostraram também a formação de uma mentalidade tipicamente americana. Uma série de fatores, como a escassez de terras na faixa atlântica, a necessidade dos estados do Norte, em fase de industrialização, de conseguir matérias-primas e a construção de ferrovias, motivou e favoreceu a Marcha para o Oeste que foi:

    1. a corrida do ouro na Califórnia e a ocupação da Flórida, recém-adquirida da Espanha.

    2. a ocupação de todos os territórios onde os americanos nativos eram hostis ao homem branco.

    3. a colonização de terras do lado ocidental dos Apalaches e da margem leste do rio Mississipi por imigrantes dispostos a desbravar o interior do continente, acelerando a ocupação rumo ao Pacífico.

    4. A ocupação de áreas além do rio São Lourenço para efetivar a posse da Louisiana.

    5. a anexação dos estados do Texas, Utah, Arizona e Novo México, conquistados do México em 1848, depois de uma guerra.

  10. Questão 10

    Em 1865, encerrada a Guerra de Secessão, morto assassinado Abraham Lincoln, o vice-presidente Andrew Johnson governou uma reconstrução difícil. Sob a presidência de Ulisses Grant, a começar pelo Tennessee, em 1870, os sulistas brancos promulgaram leis contra o casamento inter-racial. Cinco anos depois, o Tennessee adotou a primeira Lei Jim Crow e o resto do sul o seguiu rapidamente. O termo ‘Jim Crow’, nascido de uma música popular, refere-se a toda a lei (foram dezenas) que determinasse o afastamento entre negros e brancos nos trens, estações ferroviárias, hotéis, barbearias, restaurantes, teatros e escolas. Em 1885, a maior parte das escolas sulistas foram divididas em instituições para brancos e outras para negros.
    (Leandro Karnal. História dos EUA)
    O texto trata de efeitos da Guerra de Secessão que afetaram a sociedade dos EUA e que apenas nas décadas de 1950 e 1960 foram sendo derrubados pela Suprema Corte. A alternativa que melhor demonstra o que as chamadas Leis Jim Crow consagravam é:

    1. integracionismo;

    2. escravismo;

    3. cordialidade;

    4. segregacionismo;

    5. reconciliação.