Extensivo Enem - Sartre e o existencialismo

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    (UPE 2018) Sobre a Liberdade Humana, analise os textos a seguir:

    <div>
    &Eacute; o que traduzirei dizendo que o homem est&aacute; condenado a ser livre. Condenado porque n&atilde;o se criou a si pr&oacute;prio; e, no entanto, livre porque, uma vez lan&ccedil;ado ao mundo, &eacute; respons&aacute;vel por tudo quanto fizer.</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>(SARTRE, Jean-Paul. <em>O existencialismo &eacute; um Humanismo</em>. S&atilde;o Paulo: 1973, p. 15.)</strong></span></div>
    <div>
    &nbsp;</div>
    <div>
    Com base no pensamento filos&oacute;fico de Sartre sobre a liberdade, assinale a alternativa <strong>CORRETA</strong>.</div>

    1. O homem não é, senão o seu projeto, escolha e compromisso.

    2. O homem não está condenado à liberdade; ele tem escolha.

    3. O homem é livre sem escolha e sem compromisso.

    4. O homem é seu projeto responsável sem escolha.

    5. O homem é responsável e livre sem escolha.

  2. Questão 2

    (UPE 2018) Sobre a dimensão do homem na perspectiva existencialista, considere o texto a seguir:

    <div>
    O homem, tal como o concebe o existencialista, se n&atilde;o &eacute; defin&iacute;vel, &eacute; porque primeiramente n&atilde;o &eacute; nada. S&oacute; depois ser&aacute; alguma coisa e tal como a si pr&oacute;prio se fizer. Assim, n&atilde;o h&aacute; natureza humana, visto que n&atilde;o h&aacute; Deus para a conceber.</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>(SARTRE, Jean-Paul. <em>O Existencialismo &eacute; um Humanismo</em>. S&atilde;o Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 12).</strong></span></div>
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    &nbsp;</div>
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    O enfoque existencialista questiona o modo de ser do homem. Entende esse modo de ser como o modo de ser-no-mundo. Na perspectiva existencialista, sobre o homem, assinale a alternativa <strong>CORRETA</strong>.</div>

    1. É um projeto de ser.

    2. É um seguidor das escolhas dos outros.

    3. Na sua própria essencialidade e no trajeto de sua liberdade, não tem escolha.

    4. Tem uma natureza concebida por Deus em sua essência.

    5. É irresponsável por si próprio ao conceber seus atos.

  3. Questão 3

    <div>
    Considere o seguinte trecho, extra&iacute;do da obra <em>A n&aacute;usea</em>, do escritor e fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Jean Paul Sartre (1889-1980).</div>
    <div>
    &ldquo;O essencial &eacute; a conting&ecirc;ncia. O que quero dizer &eacute; que, por defini&ccedil;&atilde;o, a exist&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; a necessidade. Existir &eacute; simplesmente estar presente; os entes aparecem, deixam que os encontremos, mas nunca podemos deduzi-los. Creio que h&aacute; pessoas que compreenderam isso. S&oacute; que tentaram superar essa conting&ecirc;ncia inventando um ser necess&aacute;rio e causa de si pr&oacute;prio. Ora, nenhum ser necess&aacute;rio pode explicar a exist&ecirc;ncia: a conting&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; uma ilus&atilde;o, uma apar&ecirc;ncia que se pode dissipar; &eacute; o absoluto, por conseguinte, a gratuidade perfeita.&rdquo;</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>SARTRE, Jean Paul. A N&aacute;usea. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986. Tradu&ccedil;&atilde;o de Rita Braga, citado por: MARCONDES, Danilo Marcondes. <em>Textos B&aacute;sicos de Filosofia</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000.</strong></span></div>
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    &nbsp;</div>
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    Nesse trecho, vemos uma exemplifica&ccedil;&atilde;o ou uma refer&ecirc;ncia ao existencialismo sartriano que se apresenta como</div>

    1. recusa da noção de que tudo é contingente.

    2. fundamentado no conceito de angústia, que deriva da consciência de que tudo é contingente.

    3. denúncia da noção de má fé, que nos leva a admitir a existência de um ser necessário para aplacar o sentimento de angústia.

    4. crítica à metafísica essencialista.

  4. Questão 4

    (UEMA 2011) O tema da liberdade é discutido por muitos filósofos. No existencialismo francês, Jean-Paul Sartre, particularmente, compreende a liberdade enquanto escolha incondicional.
    Entre as afirmações abaixo, a única que está de acordo com essa concepção de liberdade humana é:

    1. O homem primeiramente tem uma essência divinizada e depois uma existência manifestada na história de sua vida.

    2. O homem não é mais do que aquilo que a sociedade faz com ele.

    3. O homem primeiramente existe porque sendo consciente é um ser-em-si e para-o-outro.

    4. O homem é determinado por uma essência superior, que é o Deus da existência, pois, primeiramente não é nada.

    5. O homem primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer.

  5. Questão 5

    Para J.P. Sartre, o conceito de “para-si” diz respeito

    1. a uma criação divina, cujo agir depende de princípio metafísico regulador.

    2. apenas à pura manutenção do ser pleno, completo, da totalidade no seio do que é.

    3. ao nada, na medida em que ele se especifica pelo poder nadificador que o constitui.

    4. a algo empastado de si mesmo e, por isso, não se pode realizar, não se pode afirmar, porque está cheio, completo.

  6. Questão 6

    Na obra “O existencialismo é um humanismo”, Jean-Paul Sartre intenta

    1. desenvolver a ideia de que o existencialismo é definido pela livre escolha e valores inventados pelo sujeito a partir dos quais ele exerce a sua natureza humana essencial.

    2. mostrar o significado ético do existencialismo.

    3. criticar toda a discriminação imposta pelo cristianismo, através do discurso, à condição de ser inexorável, característica natural dos homens.

    4. delinear os aspectos da sensação e da imaginação humanas que só se fortalecem a partir do exercício da liberdade.

  7. Questão 7

    <div>
    &ldquo;Quando dizemos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de n&oacute;s se escolhe a si pr&oacute;prio; mas com isso queremos tamb&eacute;m dizer que, ao escolher-se a si pr&oacute;prio, ele escolhe todos os homens. Com efeito, n&atilde;o h&aacute; de nossos atos um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, n&atilde;o crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser. Escolher isto ou aquilo &eacute; afirmar ao mesmo tempo o valor do que escolhemos, porque nunca podemos escolher o mal, o que escolhemos &eacute; sempre o bem, e nada pode ser bom para n&oacute;s sem que o seja para todos. Se a exist&ecirc;ncia, por outro lado, precede a ess&ecirc;ncia e se quisermos existir, ao mesmo tempo em que constru&iacute;mos a nossa imagem, esta imagem &eacute; v&aacute;lida para todos e para a nossa &eacute;poca. Assim, a nossa responsabilidade &eacute; muito maior do que poder&iacute;amos supor, porque ela envolve toda a humanidade&rdquo;.</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>Sartre.</strong></span></div>
    <div>
    &nbsp;</div>
    <div>
    Considerando o texto citado e o pensamento sartreano, &eacute; INCORRETO afirmar que</div>

    1. o valor máximo da existência humana é a liberdade, porque o homem é, antes de mais nada, o que tiver projetado ser, estando “condenado a ser livre”.

    2. totalmente posto sob o domínio do que ele é, ao homem é atribuída a total responsabilidade pela sua existência e, sendo responsável por si, é também responsável por todos os homens.

    3. o existencialismo sartreano é uma moral da ação, pois o homem se define pelos seus atos e atos, por excelência, livres, ou seja, o “homem não é nada além do conjunto de seus atos”.

    4. o homem é um “projeto que se vive subjetivamente”, pois há uma natureza humana previamente dada e predefinida, e, portanto, no homem, a essência precede a existência.

    5. por não haver valores preestabelecidos, o homem deve inventá-los através de escolhas livres, e, como escolher é afirmar o valor do que é escolhido, que é sempre o bem, é o homem que, através de suas escolhas livres, atribui sentido a sua existência.

  8. Questão 8

    <div>
    &ldquo;O que significa aqui o dizer-se que a exist&ecirc;ncia precede a ess&ecirc;ncia? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que s&oacute; depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se n&atilde;o &eacute; defin&iacute;vel, &eacute; porque primeiramente n&atilde;o &eacute; nada. S&oacute; depois ser&aacute; alguma coisa e tal como a si pr&oacute;prio se fizer. (...) O homem &eacute;, n&atilde;o apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da exist&ecirc;ncia, como ele se deseja ap&oacute;s este impulso para a exist&ecirc;ncia; o homem n&atilde;o &eacute; mais que o que ele faz. (...) Assim, o primeiro esfor&ccedil;o do existencialismo &eacute; o de por todo o homem no dom&iacute;nio do que ele &eacute; e de lhe atribuir a total responsabilidade de sua exist&ecirc;ncia. (...) Quando dizemos que o homem se escolhe a si, queremos dizer que cada um de n&oacute;s se escolhe a si pr&oacute;prio; mas com isso queremos tamb&eacute;m dizer que, ao escolher-se a si pr&oacute;prio, ele escolhe todos os homens. Com efeito, n&atilde;o h&aacute; de nossos atos um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, n&atilde;o crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser&rdquo;.</div>
    <div style="text-align: right;">
    <span style="font-size:14px;"><strong>Sartre.</strong></span></div>
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    &nbsp;</div>
    <div>
    Considerando a concep&ccedil;&atilde;o existencialista de Sartre e o texto acima, &eacute; incorreto afirmar que</div>

    1. o homem é um projeto que se vive subjetivamente.

    2. o homem é um ser totalmente responsável por sua existência.

    3. por haver uma natureza humana determinada, no homem a essência precede a existência.

    4. o homem é o que se lança para o futuro e que é consciente deste projetar-se no futuro.

    5. em suas escolhas, o homem é responsável por si próprio e por todos os homens, porque, em seus atos, cria uma imagem do homem como julgamos que deve ser.

  9. Questão 9

    “Subjetividade” e “intersubjetividade” são conceitos com os quais Sartre pontua o seu existencialismo. Nesse contexto, tais conceitos revelam que

    1. o _cogito_ cartesiano desabou sobre o existencialismo na mesma proporção com que a _virtu_ socrática precipitou-se sobre o materialismo dialético do século XX.

    2. “Penso, logo existo” deve ser o ponto de partida de qualquer filosofia. Tal subjetividade faz com que o Homem não seja visto como objeto, o que lhe confere verdadeira dignidade. A descoberta de si mesmo o leva, necessariamente, à descoberta do outro, implicando uma intersubjetividade.

    3. o Homem é dado, é unidade, é união e é intersubjetividade; portanto, a sua existência é agregadora e desapegada da tão apregoada subjetividade clássica, por isso mesmo tão crucial para Sartre.

    4. não há um só lampejo de subjetividade que não tenha se reinaugurado na intersubjetividade, isto é, na idealidade que instrui as prerrogativas para se instalarem as escolhas do sujeito, definindo-o.

  10. Questão 10

    (UFU, 2012) Leia o excerto abaixo e assinale a alternativa que relaciona corretamente duas das principais máximas do existencialismo de Jean-Paul Sartre, a saber:
    I. “a existência precede a essência”
    II. “estamos condenados a ser livres”
    Com efeito, se a existência precede a essência, nada poderá jamais ser explicado por referência a uma natureza humana dada e definitiva; ou seja, não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Por outro lado, se Deus não existe, não encontramos já prontos, valores ou ordens que possam legitimar a nossa conduta. [...] Estamos condenados a ser livres. Estamos sós, sem desculpas. É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz.
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo. 3ª. ed. S. Paulo: Nova Cultural, 1987.</strong></p>

    1. Se a essência do homem, para Sartre, é a liberdade, então jamais o homem pode ser, em sua existência, condenado a ser livre, o que seria, na verdade, uma contradição.

    2. A liberdade, em Sartre, determina a essência da natureza humana que, concebida por Deus, precede necessariamente a sua existência.

    3. Para Sartre, a liberdade é a escolha incondicional, à qual o homem, como existência já lançada no mundo, está condenado, e pela qual projeta o seu ser ou a sua essência.

    4. O Existencialismo é, para Sartre, um Humanismo, porque a existência do homem depende da essência de sua natureza humana, que a precede e que é a liberdade.