Extensivo ENEM - Filosofia da linguagem

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    Leia o texto a seguir sobre a Linguagem Humana:
    Considera-se o homem um ser que fala e a palavra, a senha de entrada no mundo humano. Nesse sentido, a linguagem é um sistema simbólico, e o homem, o único animal capaz de criar símbolos.
    (ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando –
    Introdução à Filosofia, São Paulo: Moderna, 1993, p. 28). Adaptado.
    No universo humano, a dimensão da linguagem tem a singularidade na edificação formativa do mundo cultural. No âmbito dessa questão, é CORRETO afirmar que.

    1. a linguagem possibilita transcender a nossa experiência

    2. o mundo cultural declina do sistema simbólico.

    3. a condição humana prescinde da linguagem.

    4. a dimensão da linguagem restringe a comunicação.

    5. a linguagem limita a inteligência humana

  2. Questão 2

    <p style="text-align: justify;">Moramos na tenda da linguagem. N&oacute;s e todas as coisas! Na tenda da linguagem, n&atilde;o nos fechamos, n&atilde;o nos enclausuramos; abrimo-nos &agrave; percep&ccedil;&atilde;o da realidade, entregamo-nos a muitas experi&ecirc;ncias; devotamo-nos a m&uacute;ltiplas aprendizagens.</p>
    <p align="right"><strong>(BUZZI. Arc&acirc;ngelo R. Introdu&ccedil;&atilde;o ao pensar, 1991, p. 233.)</strong></p>

    Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar que

    1. o homem é o único animal capaz de criar símbolos para poucas experiências no seu processo de aprendizagem.

    2. a linguagem como atividade humana por excelência permite a comunicação entre os seus integrantes. A linguagem está fechada para as múltiplas aprendizagens e aberta para as muitas experiências.

    3. a linguagem nos fecha à realidade e nos abre à percepção da experiência.

    4. dentre as muitas experiências, é na aprendizagem da ciência e da técnica que a linguagem aparentemente mostra mais sua função de organização da realidade.

    5. na tenda da linguagem, a comunicação humana não consegue transpor os limites da simples transmissão e recepção para as múltiplas aprendizagens.

  3. Questão 3

    <p style="text-align: justify;">A escolha de uma forma teatral implica a escolha de um tipo de teatralidade, de um estatuto de fic&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade. A teatralidade disp&otilde;e de meios espec&iacute;ficos para transmitir uma cultura-fonte a um p&uacute;blico-alvo; &eacute; sob esta &uacute;nica condi&ccedil;&atilde;o que temos o direito de falar em interculturalidade teatral.</p>
    <p align="right"><strong>PAVIS, P. O teatro no cruzamento de culturas. S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 2008.</strong></p>

    A partir do texto, o meio especificamente cênico utilizado para transmitir uma cultura estrangeira implica

    1. buscar nos gestos, compreender e explicitar conceitos ou comportamentos.

    2. procurar na filosofia a tradução verdadeira daquela cultura.

    3. apresentar o videodocumentário sobre a cultura-fonte durante o espetáculo.

    4. eliminar a distância temporal ou espacial entre o espetáculo e a cultura-fonte.

    5. empregar um elenco constituído de atores provenientes da cultura-fonte.

  4. Questão 4

    Normalmente numa discussão em grupo, de amigos ou mesmo entre pessoas de classe e de cultura diferentes, ao tratar de um assunto polêmico, é fácil e também legítimo observar que cada pessoa manifesta opinião própria em razão de sua formação, classe social, educação e cultura. Tal como na situação a seguir.
    No leito de morte, Ribeiro, um ateu convicto, recebe o amigo Leonardo, um cristão autêntico para uma última conversa:
    Leonardo:
    – você não será recebido por Deus Pai, mas Mãe!
    Ribeiro:
    – Será uma deusa! Leonardo: – Sim, e, por sua demora, terá muitos afagos e muita festa!
    Ribeiro:
    – Muita farra pelo visto... ah, como eu gostaria que fosse verdade!... invejo você por ter fé... eu não tenho.
    Leonardo:
    – não importa a fé, mas o amor. E toda sua vida é um ato de amor; aos famintos, às crianças abandonadas, aos índios marginalizados, aos negros, às mulheres oprimidas...
    Ribeiro:
    – Continuo não acreditando, mas gosto de farra.
    Em situações como a descrita acima, parece que a discussão não chega a um acordo, o da aceitação de uma vida pós-morte com os divinos conforme as tradições religiosas nos expõem. Porém, nem sempre esse acordo é possível, sobretudo quando temos posições diferentes e as radicalizamos.
    A impossibilidade de acordo, do ponto de vista filosófico, ocorre, sobretudo, quando se está diante de um:

    1. indutivismo, visto que o somatório de todas as opiniões se equivalem.

    2. criticismo, em razão das pessoas serem críticas sobre as opiniões alheias.

    3. criacionismo, porque Deus existe e é a causa criadora de todas as coisas.

    4. relativismo, devido às pessoas se alojarem em posições particulares.

    5. sofisma, pois as pessoas nunca falam realmente o que pensam.

  5. Questão 5

    Procura da Poesia
    Não faças versos sobre acontecimentos.
    Não há criação nem morte perante a poesia.
    Diante dela, a vida é um sol estático,
    não aquece nem ilumina.
    (...)
    Penetra surdamente no reino das palavras.
    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
    Estão paralisados, mas não há desespero,
    há calma e frescura na superfície intata.
    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
    (...)
    (Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo.)
    No contexto do livro, a afirmação do caráter verbal da poesia e a incitação a que se penetre “no reino das palavras”, presentes no excerto, indicam que, para o poeta de A rosa do povo:

    1. praticar a arte pela arte é a maneira mais eficaz de se opor ao mundo capitalista.

    2. a procura da boa poesia começa pela estrita observância da variedade padrão da linguagem.

    3. fazer poesia &eacute; produzir enigmas verbais que n&atilde;o
      podem nem devem ser interpretados.

    4. as inten&ccedil;&otilde;es sociais da poesia n&atilde;o a dispensam de ter
      em conta o que &eacute; pr&oacute;prio da linguagem.

    5. os poemas metaling&uuml;&iacute;sticos, nos quais a poesia fala
      apenas de si mesma, s&atilde;o superiores aos poemas que
      falam tamb&eacute;m de outros assuntos.

  6. Questão 6

    Ludwig Wittgenstein influenciou decisivamente a Filosofia da Linguagem contemporânea, também identificada como Filosofia Analítica. Da obra “Tratado lógico-filosófico”, uma das afirmações mais célebres é: “Sobre aquilo de que não se pode falar, devemos calar”. Sobre tal argumento, está INCORRETO concluir que

    1. a análise da linguagem é a mais eficiente para resolver os problemas filosóficos.

    2. a tarefa da Filosofia consiste mais em construir teorias metafísicas do que em elaborar métodos de análise.

    3. o problema da Filosofia tem sido o desconhecimento das regras ocultas nos jogos de linguagem.

    4. as proposições da metafísica, da estética, da religião e da ética representam absurdos lógicos.

    5. os problemas filosóficos não são necessariamente falsos, mas, em grande parte, são desprovidos de significado lógico e linguístico.

  7. Questão 7

    Sobre Wittgenstein e sua Filosofia é correto afirmar:

    1. Defende que a tarefa da crítica consiste em examinar os limites da razão teórica e estabelecer os critérios do conhecimento legítimo.

    2. É o responsável pela superação do aristotelismo e pelo advento do conceito moderno de ciência.

    3. É considerado o iniciador da corrente filosófica conhecida como Filosofia Analítica, que tem como interesse a investigação acerca das formas e dos modos de funcionamento da linguagem.

    4. A sua obra Tractatus Logicus Philosophicus versa sobre a relação entre forma lógica da linguagem e a sua relação com o divino.

    5. Estabeleceu a dúvida hiperbólica acerca da veracidade das coisas que nos são apresentadas como verdadeiras.

  8. Questão 8

    <p style="text-align: center;"><strong>As quest&otilde;es de 8 e 9 tomam por base o seguinte fragmento do livro Reflex&otilde;es sobre a linguagem, de Noam Chomsky (1928-):</strong></p>
    <p style="text-align: justify;">Por que estudar a linguagem? H&aacute; muitas respostas poss&iacute;veis e, ao focalizar algumas delas, n&atilde;o pretendo, &eacute; claro, depreciar outras ou questionar sua legitimidade. Algumas pessoas, por exemplo, podem simplesmente achar os elementos da linguagem fascinantes em si mesmos e querer descobrir sua ordem e combina&ccedil;&atilde;o, sua origem na hist&oacute;ria ou no indiv&iacute;duo, ou os modos de sua utiliza&ccedil;&atilde;o no pensamento, na ci&ecirc;ncia ou na arte, ou no intercurso social normal. Uma das raz&otilde;es para estudar a linguagem &ndash; e para mim, pessoalmente, a mais premente delas &ndash; &eacute; a possibilidade instigante de ver a linguagem como &ldquo;um espelho do esp&iacute;rito&rdquo;, como diz a express&atilde;o tradicional. Com isto n&atilde;o quero apenas dizer que os conceitos expressados e as distin&ccedil;&otilde;es desenvolvidas no uso normal da linguagem nos revelam os modelos do pensamento e o universo do &ldquo;senso comum&rdquo; constru&iacute;dos pela mente humana. Mais intrigante ainda, pelo menos para mim, &eacute; a possibilidade de descobrir, atrav&eacute;s do estudo da linguagem, princ&iacute;pios abstratos que governam sua estrutura e uso, princ&iacute;pios que s&atilde;o universais por necessidade biol&oacute;gica e n&atilde;o por simples acidente hist&oacute;rico, e que decorrem de caracter&iacute;sticas mentais da esp&eacute;cie. Uma l&iacute;ngua humana &eacute; um sistema de not&aacute;vel complexidade. Chegar a conhecer uma l&iacute;ngua humana seria um feito intelectual extraordin&aacute;rio para uma criatura n&atilde;o especificamente dotada para realizar esta tarefa. Uma crian&ccedil;a normal adquire esse conhecimento expondo-se relativamente pouco e sem treinamento espec&iacute;fico. Ela consegue, ent&atilde;o, quase sem esfor&ccedil;o, fazer uso de uma estrutura intrincada de regras espec&iacute;ficas e princ&iacute;pios reguladores para transmitir seus pensamentos e sentimentos aos outros, provocando nestes ideias novas, percep&ccedil;&otilde;es e ju&iacute;zos sutis.</p>
    <p align="right"><strong>(Noam Chomsky. Reflex&otilde;es sobre a linguagem. Trad. Carlos Vogt. S&atilde;o Paulo: Editora Cultrix, 1980.)</strong></p>
    <p>&nbsp;</p>

    Lendo atentamente o fragmento apresentado, percebemos que Chomsky considera que os princípios abstratos e universais que regem a linguagem decorrem de características mentais da espécie. Isso significa que considera a linguagem ligada:

    1. o plano da divindade.

    2. a acidentes históricos.

    3. a fenômenos aleatórios da natureza.

    4. ao plano biológico.

    5. à necessidade de sobrevivência.

  9. Questão 9

    <p style="text-align: justify;">Chomsky usa para explicar seu ponto de vista uma express&atilde;o tradicional: a linguagem como &ldquo;espelho do esp&iacute;rito&rdquo;. O autor quer dizer, ao utilizar tal imagem:</p>

    1. que a linguagem é o melhor meio de comunicação entre os homens.

    2. que o estudo da linguagem tem de se basear em fundamentos rigorosamente científicos.

    3. que descobrir como a linguagem funciona pode conduzir ao conhecimento de como o pensamento funciona.

    4. que a linguagem, como um espelho, pode revelar o espírito, mas não em sua totalidade.

    5. que o homem tem um modo de ser peculiaríssimo que não se revela pela linguagem.

  10. Questão 10

    <p style="text-align: justify;">O universal &eacute; o conceito, a ideia, a ess&ecirc;ncia comum a todas as coisas (por exemplo, o conceito de ser humano). Em outras palavras, pergunta-se se os g&ecirc;neros e as esp&eacute;cies t&ecirc;m exist&ecirc;ncia separada dos objetos sens&iacute;veis: as esp&eacute;cies (por exemplo, o c&atilde;o) ou os g&ecirc;neros (por exemplo, o animal) teriam exist&ecirc;ncia real? Ou seriam apenas ideias na mente ou apenas palavras?</p>
    <p align="right"><strong>(ARANHA, M. L. A. &amp; MARTINS, M. H. Filosofando. 3&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Moderna, 2003, p. 126.)</strong></p>

    A resposta correta à pergunta formulada no texto acima, sobre os universais, é:

    1. Segundo os nominalistas, as espécies e gêneros universais são meras palavras que expressam um conteúdo mental, sem existência real.

    2. Segundo os nominalistas, os universais são conceitos, mas têm fundamento na realidade das coisas.

    3. Segundo os nominalistas, os universais (gêneros e espécies) são entidades realmente existentes no mundo das Ideias, sendo as coisas deste mundo meras cópias destas Ideias.

    4. Segundo os nominalistas, os gêneros e as espécies universais existem realmente, mas apenas na mente.

    5. Segundo os nominalistas, os gêneros e as espécies universais são enunciados constatativos que comunicam uma informação.