Enem extensivo - Metafísica de Aristóteles
10 questões. Resolver no Descomplica
Questão 1
"Todos os homens, por natureza, desejam conhecer. Sinal disso é o prazer que nos proporcionam os nossos sentidos; pois, ainda que não levemos em conta a sua utilidade, são estimados por si mesmos; e, acima de todos os outros, o sentido da visão". Mais adiante, Aristóteles afirma: "Por outro lado, não identificamos nenhum dos sentidos com a Sabedoria, se bem que eles nos proporcionem o conhecimento mais fidedigno do particular. Não nos dizem, contudo, o porquê de coisa alguma".
_Fonte: ARISTÓTELES, Metafísica. Tradução de Leonel Vallandro. Porto Alegre: Globo, 1969, p. 36 e 38._
Com base nos textos acima e nos conhecimentos sobre a metafísica de Aristóteles, considere as afirmativas a seguir:
I. Para Aristóteles, o desejo de conhecer é inato ao homem.
II. O desejo de adquirir sabedoria em sentido pleno representa a busca do conhecimento em mais alto grau.
III. O grau mais alto de conhecimento manifesta-se no prazer que sentimos em utilizar nossos sentidos.
IV. Para Aristóteles, a sabedoria é a ciência das causas particulares que produzem os eventos.
A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é:I e II
II e IV
I, II e III
I, III e IV
II, III e IV
Questão 2
Aristóteles rejeitou a dicotomia estabelecida por Platão entre mundo sensível e mundo inteligível. No entanto, acabou fundindo os dois conceitos em um só. Esse conceito é
a forma, aquilo que faz com que algo seja o que é. É o princípio de inteligibilidade das coisas.
a matéria, enquanto princípio indeterminado de que o mundo físico é composto, e aquilo de que algo é feito.
a substância, enquanto aquilo que é em si mesmo e enquanto é suporte dos atributos.
o Ato Puro ou Primeiro Motor Imóvel, causa incausada e causa primeira e necessária de todas as coisas.
Questão 3
“A substância, no sentido o mais fundamental, primeiro e principal do termo, é o que não se afirma de um sujeito, nem ocorre num sujeito; por exemplo, o homem individual ou o cavalo individual.”
<right>(ARISTÓTELES. Categorias, V.2 a, p. 11-14.)<right>
André é um homem branco, tem dois metros de altura, e hoje se encontra sentado na esquina, lendo um romance que o emociona a cada página. Considerando os textos acima, é correto afirmar que:o conceito aristotélico de substância expressa uma crítica ao abstracionismo da ideia platônica e, segundo Aristóteles, podemos afirmar que o essencial na descrição de “André” é o fato de que hoje ele se emocionou na sua leitura.
o conceito aristotélico de substância é um outro nome para ideia platônica e, segundo Aristóteles, podemos afirmar que “André” participa da ideia de homem.
o conceito aristotélico de substância expressa uma crítica à teoria das ideias de Platão e, segundo Aristóteles, podemos considerar “André” como substância, homem como sua espécie e os outros atributos da sua descrição como acidentais.
o conceito aristotélico de substância é uma ideia cuja existência encontramos em um mundo inteligível diferente do sensível e, segundo Aristóteles, podemos considerar “André” como uma ideia e os outros atributos da sua descrição como as imagens que o complementam.
Questão 4
“Em primeiro lugar, é claro que, com a expressão “ser segundo a potência e o ato”, indicam-se dois modos de ser muito diferentes e, em certo sentido, opostos. Aristóteles, de fato, chama o ser da potência até mesmo de não-ser, no sentido de que, com relação ao ser-em-ato, o ser-em-potência é não-ser-em-ato.”
(REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. Vol. II. Trad. de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994, p. 349.)
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A partir da leitura do trecho acima e em conformidade com a Teoria do Ato e Potência de Aristóteles, assinale a alternativa correta.Para Aristóteles, ser-em-ato é o ser em sua capacidade de se transformar em algo diferente dele mesmo, como, por exemplo, o mármore (ser-em-ato) em relação à estátua (ser-em-potência).
Segundo Aristóteles, a teoria do ato e potência explica o movimento percebido no mundo sensível. Tudo o que possui matéria possui potencialidade (capacidade de assumir ou receber uma forma diferente de si), que tende a se atualizar (assumindo ou recebendo aquela forma).
Para Aristóteles, a bem da verdade, existe apenas o ser-em-ato. Isto ocorre porque o movimento verificado no mundo material é apenas ilusório, e o que existe é sempre imutável e imóvel.
Segundo Aristóteles, o ato é próprio do mundo sensível (das coisas materiais) e a potência se encontra tão-somente no mundo inteligível, apreendido apenas com o intelecto.
Questão 5
(UEL 2015) É pois manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras (pois dizemos que conhecemos cada coisa somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa); ora, causa diz-se em quatro sentidos: no primeiro, entendemos por causa a substância e a essência (o “porquê” reconduz-se pois à noção última, e o primeiro “porquê” é causa e princípio); a segunda causa é a matéria e o sujeito; a terceira é a de onde vem o início do movimento; a quarta causa, que se opõe à precedente, é o “fim para que” e o bem (porque este é, com efeito, o fim de toda a geração e movimento).
Adaptado de: ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. De Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril S. A. Cultural, 1984. p.16. (Coleção Os Pensadores.)
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Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que indica, corretamente, a ordem em que Aristóteles apresentou as causas primeiras.
⠀Causa final, causa eficiente, causa material e causa formal.
Causa formal, causa material, causa final e causa eficiente.
Causa formal, causa material, causa eficiente e causa final.
Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final.
Causa material, causa formal, causa final e causa eficiente
Questão 6
(UECE 2019, Adaptada) Chamo de princípio de demonstração às convicções comuns das quais todos partem para demonstrar: por exemplo, que todas as coisas devem ser afirmadas ou negadas e que é impossível ser e não ser ao mesmo tempo.
ARISTÓTELES. Metafísica, 996b27-30.
Em sua Metafísica, Aristóteles apresenta um conjunto de princípios lógico-metafísicos que ordenam a realidade e nosso conhecimento acerca dela. Dentre eles está o princípio de não contradição, o qualindica que afirmações contraditórias são lógica e metafisicamente aceitáveis, pois a contradição faz parte da realidade.
estabelece que é possível que as coisas que tenham tais e tais características não as tenham ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias.
afirma que é impossível que as coisas que tenham tais e tais características não as tenham ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias.
é normativo, ou moral; portanto, deve ser rejeitado como antimetafísico, ou seja, não caracteriza a realidade.
Só os elementos primordiais podem ser mais de uma coisa ao mesmo tempo nas mesmas condições e, mesmo assim, serem considerados iguais.
Questão 7
(Enem, 2012) "Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer justificá-las racionalmente, pode-se desprezar as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum homem honesto pode ignorar que uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de adotar crenças com base em razões e evidências e questionar tudo o mais a fim de descobrir seu sentido último."
<p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002.</strong></p>Platão e Aristóteles marcaram profundamente a formação do pensamento Ocidental. No texto, é ressaltado importante aspecto filosófico de ambos os autores que, em linhas gerais, refere-se à
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀adoção da experiência do senso comum como critério de verdade.
incapacidade de a razão confirmar o conhecimento resultante de evidências empíricas.
pretensão de a experiência legitimar por si mesma a verdade.
defesa de que a honestidade condiciona a possibilidade de se pensar a verdade.
compreensão de que a verdade deve ser justificada racionalmente.
Questão 8
A filosofia de Aristóteles representou uma nova interpretação sobre o problema do ser. Nesse sentido, Aristóteles define a ciência como
conhecimento verdadeiro, isto é, conhecimento que se fundamenta apenas na compreensão do mundo inteligível porque as idéias, enquanto entidades metafísicas, não mudam.
conhecimento verdadeiro, isto é, conhecimento pelas causas, capaz de compreender a natureza do devir e superar os enganos da opinião.
conhecimento relativo porque o ser é mobilidade, eterno fluxo e a verdade não pode, portanto, ser absoluta.
conhecimento relativo porque a ciência, enquanto produção do homem, é determinada pelo desenvolvimento histórico.
Questão 9
“[...] após ter distinguido em quantos sentidos se diz cada um [destes objetos], deve-se mostrar, em relação ao primeiro, como em cada predicação [o objeto] se diz em relação àquele.”
Aristóteles, Metafísica. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2002.
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De acordo com a ontologia aristotélica,a metafísica é “filosofia primeira” porque é ciência do particular, do que não é nem princípio, nem causa de nada.
o primeiro entre os modos de ser, ontologicamente, é o “por acidente”, isto é, diz respeito ao que não é essencial.
a substância é princípio e causa de todas as categorias, ou seja, do ser enquanto ser
a substância é princípio metafísico, tal como exposto por Platão em sua doutrina
Questão 10
Leia atentamente o texto abaixo.
"Logo, o que é primeiramente, isto é, não em sentido determinado, mas sem determinações, deve ser a substância. Ora, em vários sentidos se diz que uma coisa é primeira, e em todos eles o é a substância: na definição, na ordem de conhecimento, no tempo."
(ARISTÓTELES. METAFÍSICA. (1028830-35). TRADUÇÃO DE LEONEL VALLANDRO. PORTO ALEGRE. GLOBO. 1969. P.147-148.)
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De acordo com o pensamento de Aristóteles, marque a alternativa INCORRETA.Para Aristóteles, o conhecimento somente é possível tendo por objeto as substâncias, pois dos acidentes não é possível se fazer ciência.
A substância, ao contrário do acidente, é a categoria por meio da qual sabemos o que uma coisa é, pois é a partir da substância que definimos uma coisa.
Pode-se dizer que, para a metafísica aristotélica, a substância é a característica necessária de uma coisa, uma vez que nos indica em que sentido uma coisa é.
Segundo a metafísica aristotélica, a definição de cada ser é apreendida pela ordenação e classificação de suas características acidentais.