Enem Extensivo - Epistemologia
10 questões. Resolver no Descomplica
Questão 1
(Enem PPL, 2016) Estamos, pois, de acordo quando, ao ver algum objeto, dizemos: "Este objeto que estou vendo agora tem tendências para assemelhar-se a um outro ser, mas, por ter defeitos, não consegue ser tal como o ser em questão, e lhe é, pelo contrário, inferior". Assim, para podermos fazer estas reflexões, é necessário que antes tenhamos tido ocasião de conhecer esse ser de que se aproxima o dito objeto, ainda que imperfeitamente.
<p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong>
PLATÃO, Fédon. São Paulo: Abril Cultural, 1972.</strong></p>
Na epistemologia platônica, conhecer um determinado objeto implicaestabelecer semelhanças entre o que é observado em momentos distintos.
comparar o objeto observado com uma descrição detalhada dele.
descrever corretamente as características do objeto observado.
fazer correspondência entre o objeto observado e seu ser.
identificar outro exemplar idêntico ao observado.
Questão 2
(Enem PPL, 2017) Dado que, dos hábitos racionais com os quais captamos a verdade, alguns são sempre verdadeiros, enquanto outros admitem o falso, como a opinião e o cálculo, enquanto o conhecimento científico e a intuição são sempre verdadeiros, e dado que nenhum outro gênero de conhecimento é mais exato que o conhecimento científico, exceto a intuição, e, por outro lado, os princípios são mais conhecidos que as demonstrações, e dado que todo conhecimento científico constitui-se de maneira argumentativa, não pode haver conhecimento científico dos princípios, e dado que não pode haver nada mais verdadeiro que o conhecimento científico, exceto a intuição, a intuição deve ter por objeto os princípios.
<p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> ARISTÓTELES. Segundos analíticos. In: REALE, G. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1994</strong></p>
Os princípios, base da epistemologia aristotélica, pertencem ao domínio do(a)opinião, pois fazem parte da formação da pessoa.
cálculo, pois são demonstrados por argumentos.
conhecimento científico, pois admitem provas empíricas.
intuição, pois ela é mais exata que o conhecimento científico.
prática de hábitos racionais, pois com ela se capta a verdade.
Questão 3
“A concepção da infinitude do universo é, naturalmente, uma doutrina puramente metafísica; pode, certamente, como fez de fato, servir de base à ciência empírica; não pode jamais basear-se no empirismo. Isto foi bem compreendido por Kepler que, portanto, rejeitou a doutrina – o que é particularmente interessante e instrutivo – não só por motivos metafísicos como ainda por motivos puramente científicos. Antecipando certas epistemologias de hoje, ele chega a declará-la despida de significação científica”
(Koyré, A. Do Mundo Fechado ao Universo Infinito. Rio de Janeiro: Ed. Forense Universitária, São Paulo: Edusp, 1979, p.63)
No trecho acima, Alexandre Koyré identifica continuidade entre certos aspectos do pensamento de Johannes Kepler e:as doutrinas de Giordano Bruno acerca da infinitude do mundo.
o empirismo e o positivismo característicos do século XX.
a filosofia da natureza dos filósofos pré-socráticos.
as suas convicções religiosas sobre a onipotência divina.
as únicas hipóteses defensáveis diante das observações de Galileu
Questão 4
Consideremos o campo da epistemologia contemporânea; sob esse aspecto, podemos afirmar que a posição de Thomas Kuhn (1922-1996), em relação à ciência, se contrapôs à concepção científica de Karl Popper (1902-1994)? Assinale a alternativa correta.
Sim, Kuhn se contrapôs à teoria de Popper ao negar que o desenvolvimento da ciência se dê mediante o ideal de refutação. Ao contrário, Kuhn afirma que a ciência progride pela tradição intelectual representada pelo paradigma, que é a visão de mundo expressa numa teoria.
Não, Kuhn absorve a teoria da refutabilidade de Popper ao desenvolver sua concepção de paradigma científico. Para ambos, o que garante a verdade de um discurso científico é sua condição de justificação, ou seja, quando uma teoria é justificada ela é corroborada.
Não, Kuhn argumentou que uma teoria, como paradigma, deve ser desenvolvida em vez de criticada, motivo pelo qual ele não poderia opor-se ao pensamento de Popper. Sua tentativa será outra: tentar harmonizar aqueles pontos de vista que divergem do seu.
Sim, Kuhn cedo abandonou o empirismo, classificando-se como anarquista epistemológico. Dessa forma, opôs-se não apenas à concepção metodológica de Popper como também de outros contemporâneos seus, como Lakatos, por exemplo. Diferentemente de Popper, Kuhn anuncia que as teorias não são nem verdadeiras, nem falsas, mas úteis.
Sim, diferentemente de Popper, para quem a física newtoniana era considerada a imagem verdadeira do mundo, tendo como pressupostos o mecanicismo e o determinismo, Kuhn estabelece como paradigma de sua concepção de ciência o irracionalismo de Heisenberg e seu princípio da incerteza.
Questão 5
Esta é uma concepção de ciência que considera a abordagem crítica sua característica mais importante. Para avaliar uma teoria o cientista deve indagar se pode ser criticada - se se expõe a críticas de todos os tipos e, em caso afirmativo, se resiste a essas críticas.
(POPPER, Karl. Conjecturas e refutações. Trad. Sérgio Bath. Brasília: UnB, 1982. p. 284).
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Popper, assinale a alternativa correta.A concepção de ciência da qual fala Popper é aquela que possui o princípio de verificabilidade, com proposições rigorosas que procuram corrigir as teorias científicas..
A ciência busca alcançar o conhecimento de tipo essencial, pois ele garante a verdade de uma teoria científica, permitindo o desenvolvimento em direção à verdade objetiva visada pela ciência.
Uma teoria científica é verdadeira se suas proposições são empiricamente falsificáveis via testes, permitindo que sejam autocorrigidas e desenvolvidas na direção de uma verdade objetiva.
Os testes empíricos nas ciências humanas, tais como psicologia e sociologia, visam confirmar seu valor de cientificidade, pois suas teorias são falsificáveis.
A concepção de ciência que Popper sustenta é a passivista ou receptacular, na qual as teorias científicas são elaboradas por meio dos sentidos e o erro surge ao interferirmos nos dados obtidos da experiência
Questão 6
“As experiências e erros do cientista consistem de hipóteses. Ele as formula em palavras, e muitas vezes por escrito. Pode então tentar encontrar brechas em qualquer uma dessas hipóteses, criticando-a experimentalmente, ajudado por seus colegas cientistas, que ficarão deleitados se puderem encontrar uma brecha nela. Se a hipótese não suportar essas críticas e esses testes pelo menos tão bem quanto suas concorrentes, será eliminada”.
(POPPER, Karl. Conhecimento objetivo. Trad. de Milton Amado. São Paulo: Edusp & Itatiaia, 1975. p. 226).
Com base no texto e nos conhecimentos sobre ciência e método científico, é CORRETO afirmar:A crítica no meio científico significa o fracasso do cientista e a derrota da ciência.
Não deve haver a participação e a ajuda de outros cientistas quando ocorrer conflito de hipóteses científicas, devendo tal conflito ser resolvido por quem formulou tais hipóteses.
O método científico implica a possibilidade constante de refutações teóricas por meio de experimentos essenciais e comprovados.
O método crítico consiste em impedir que as hipóteses científicas tenham brechas.
Todo o conhecimento científico deve possuir um rigor de verificabilidade semelhante ao da Física.
Questão 7
“… esta palavra, Filosofia, significa o estudo da sabedoria, e por sabedoria não se deve entender apenas a prudência nos negócios, mas um conhecimento perfeito de todas as coisas que o homem pode saber, tanto para a conduta da sua vida como para a conservação da saúde e invenção de todas as artes. E para que este conhecimento assim possa ser, é necessário deduzi-lo das primeiras causas, de tal modo que, para se conseguir obtê-lo – e a isto se chama filosofar –, há que começar pela investigação dessas primeiras causas, ou seja, dos princípios. Estes devem obedecer a duas condições: uma, é que sejam tão claros e evidentes que o espírito humano não possa duvidar da sua verdade, desde que se aplique a considerá-los com atenção; a outra, é que o conhecimento das outras coisas dependa deles, de maneira que possam ser conhecidos sem elas, mas não o inverso. Depois disto, é indispensável que, a partir desses princípios, se possa deduzir o conhecimento das coisas que dependem deles, de tal modo que, no encadeamento das deduções realizadas, não haja nada que não seja perfeitamente conhecido.”
Descartes.
“À medida que Descartes vai desenvolvendo sua ideia de um sistema reconstruído de conhecimento, vemos surgir dois componentes específicos da visão cartesiana. O primeiro é um individualismo radical: a ciência tradicional, ‘composta e acumulada a partir das opiniões de inúmeras e variadas pessoas, jamais logra acercar-se tanto da verdade quanto os raciocínios simples de um indivíduo de bom senso’. O segundo componente é uma ênfase na unidade e no sistema: ‘Todas as coisas que se incluem no alcance do conhecimento humano são interligadas’”.
Cottingham.
Considerando os textos acima, que tratam da teoria cartesiana do conhecimento, é INCORRETO afirmar quea teoria cartesiana do conhecimento implica um sistema em que todos os conteúdos encontram-se intimamente relacionados.
a teoria do conhecimento cartesiana pretende, a partir da elaboração de um método preciso, reconstruir o conhecimento em bases sólidas.
a teoria do conhecimento cartesiana, que tem como objetivo a elaboração de uma ciência universal, serve-se, em certa medida, do modelo indutivista para alcançar seu objetivo.
o conhecimento que se tem de cada coisa deriva de um processo no qual cada etapa pode ser conhecida sem o concurso de etapas posteriores, mas não o inverso.
quando determinada noção se apresenta com clareza e com distinção, o sujeito pensante entende que se encontra frente a um conhecimento verdadeiro pela própria natureza da concepção cartesiana do conhecimento.
Questão 8
Nas propagandas televisivas é comum a apresentação de produtos de uso doméstico (como sabão em pó ou creme dental) ao lado de cientistas vestindo jalecos brancos. Esse tipo de publicidade promove uma imagem da ciência como um conjunto de leis verdadeiras descobertas por cientistas e válidas eternamente. A teoria da ciência desenvolvida pelo físico e filósofo austríaco Karl Popper contesta essa imagem e caracteriza-se por sustentar que a ciência é um(a).
conjunto de hipóteses corroboradas por testes empíricos.
atividade social regulada pela presença de paradigmas.
conjunto de processos assistemáticos de descoberta.
grupo de crenças não muito mais consistente do que o vodu ou a magia.
conjunto de leis verdadeiras apoiadas em processos de observação e indução.
Questão 9
Karl Popper, em “A lógica da investigação científica”, se opõe aos métodos indutivos das ciências empíricas. Em relação a esse tema, diz Popper: “Ora, de um ponto de vista lógico, está longe de ser óbvio que estejamos justificados ao inferir enunciados universais a partir dos singulares, por mais elevado que seja o número destes últimos”.
(POPPER, K. R. A lógica da investigação científica. Tradução de Pablo Rubén
Mariconda. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p.3.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre Popper, assinale a alternativa correta:Para Popper, qualquer conclusão obtida por inferência indutiva é verdadeira.
De acordo com Popper, o princípio da indução não tem base lógica porque a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão.
Uma inferência indutiva é aquela que, a partir de enunciados universais, infere enunciados singulares.
A observação de mil cisnes brancos justifica, segundo Popper, a conclusão de que todos os cisnes são brancos.
Para Popper, a solução para o problema do princípio da indução seria passar a considerá-lo não como verdadeiro, mas apenas como provável.
Questão 10
A ciência é uma das poucas atividades humanas – talvez a única – em que os erros são criticados sistematicamente (e com freqüencia corrigidos). Por isso podemos dizer que, no campo da ciência, aprendemos muitas vezes com os nossos erros; por isso podemos falar com clareza e sensatez sobre o progresso científico. Na maior parte dos outros campos de atividade do homem ocorrem mudanças, mas raramente há progresso – a não ser dentro de uma perspectiva muito estreita dos nossos objetivos neste mundo. Quase todos os ganhos são neutralizados por alguma perda – e quase nunca sabemos como avaliar as mudanças..
(POPPER, K. R. Conjecturas e refutações. 2 ed. Brasília: Editora da UNB. 1982. p. 242).
O texto nos apresenta um dos aspectos mais fundamentais das reflexões de Karl Popper (1902-1994) sobre a constituição das ciências. Segundo o autor, para que haja progresso nas ciências.é necessário que todas as consequências de uma teoria científica sejam verificadas a fim de se atingir a verdade em si, formando uma ciência imutável.
devemos buscar desenvolver teorias que não contêm a possibilidade de erros, de forma que a experimentação seja irrelevante.
os cientistas estruturam as informações disponíveis em um dado momento histórico, incorporando saberes anteriores, tendo como método a coordenação e articulação de teorias.
são suprimidas definitivamente as idéias metafísicas, pois historicamente é nula a sua contribuição para as descobertas científicas.
se faz necessária a eliminação dos erros das teorias anteriores e a substituição destas por outras mais verossímeis e, portanto, mais próximas da verdade.