Enem Extensivo - Descartes e o Racionalismo

10 questões. Resolver no Descomplica

  1. Questão 1

    Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias.
    DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
    Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da<br>

    1. investigação de natureza empírica.&nbsp;

    2. retomada da tradição intelectual.&nbsp;

    3. imposição de valores ortodoxos.&nbsp;

    4. autonomia do sujeito pensante.&nbsp;

    5. liberdade do agente moral.&nbsp;

  2. Questão 2

    (Enem, 2014) É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.
    SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).
    Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia cartesiana tem caráter positivo por contribuir para o(a)

    1. dissolução do saber científico.

    2. recuperação dos antigos juízos.

    3. exaltação do pensamento clássico.

    4. surgimento do conhecimento inabalável.

    5. fortalecimento dos preconceitos religiosos.

  3. Questão 3

    Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e culturalmente.
    CUPANI, A. _A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia._ São Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado).
    Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em

    1. expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes.

    2. oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia.

    3. ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso.

    4. explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos.

    5. explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos.

  4. Questão 4

    TEXTO I
    Há já de algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.
    <p><span style="font-size:11px"><strong>DESCARTES, R. Medita&ccedil;&otilde;es concernentes &agrave; Primeira Filosofia. S&atilde;o Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado).</strong></span></p>
    TEXTO II
    É de caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.
    <p><span style="font-size:11px"><strong>SILVA, F. L. Descartes: a metaf&iacute;sica da modernidade. S&atilde;o Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).</strong></span></p>
    A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do conhecimento, deve-se:

    1. retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade

    2. questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções

    3. investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos

    4. buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados

    5. encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.

  5. Questão 5

    TEXTO I
    Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez.
    <p><span style="font-size:11px"><strong>DESCARTES, R. Medita&ccedil;&otilde;es Metaf&iacute;sicas. S&atilde;o Paulo: Abril Cultural, 1979.</strong></span></p>
    TEXTO II
    Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita.
    <p><span style="font-size:11px"><strong>HUME, D. Uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre o entendimento. S&atilde;o Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).</strong></span></p>
    Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume

    1. defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo.

    2. entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica.

    3. são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento.

    4. concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos.

    5. atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento.

  6. Questão 6

    O conhecimento é uma ferramenta essencial para a sobrevivência humana. Os principais filósofos modernos argumentaram que nosso conhecimento do mundo seria muito limitado se não pudéssemos ultrapassar as informações que a percepção sensível oferece. No período moderno, qual processo cognitivo foi ressaltado como fundamental, pois permitia obter conhecimento direto, novo e capaz de antecipar acontecimentos do mundo físico e também do comportamento social?

    1. Dedução

    2. Indução

    3. Memorização

    4. Testemunho

    5. Oratória e retórica.

  7. Questão 7

    A dúvida é uma atitude que contribui para o surgimento do pensamento filosófico moderno. Neste comportamento, a verdade é atingida através da supressão provisória de todo conhecimento, que passa a ser considerado como mera opinião. A dúvida metódica aguça o espírito crítico próprio da Filosofia.
    Adaptado de Gerd A. Bornheim, Introdução ao filosofar. Porto Alegre: Editora Globo, 1970, p. 11.
    A partir do texto, é correto afirmar que:

    1. A Filosofia estabelece que opinião, conhecimento e verdade são conceitos equivalentes

    2. A dúvida é necessária para o pensamento filosófico, por ser espontânea e dispensar o rigor metodológico.

    3. O espírito crítico é uma característica da Filosofia e surge quando opiniões e verdades são coincidentes.

    4. A dúvida, o questionamento rigoroso e o espírito crítico são fundamentos do pensamento filosófico moderno.

  8. Questão 8

    Todas as vezes que mantenho minha vontade dentro dos limites do meu conhecimento, de tal maneira que ela não formule juízo algum a não ser a respeito das coisas que lhe são claras e distintamente representadas pelo entendimento, não pode acontecer que eu me equivoque; pois toda concepção clara e distinta é, com certeza, alguma coisa de real e de positivo, e, assim, não pode se originar do nada, mas deve ter obrigatoriamente Deus como seu autor; Deus que, sendo perfeito, não pode ser causa de equívoco algum; e, por conseguinte, é necessário concluir que uma tal concepção ou um tal juízo é verdadeiro.
    (René Descartes. “Vida e Obra”. Os pensadores, 2000.)
    Sobre o racionalismo cartesiano, é correto afirmar que

    1. sua concepção sobre a existência de Deus exerceu grande influência na renovação religiosa da época.

    2. sua valorização da clareza e distinção do conhecimento científico baseou-se no irracionalismo.

    3. desenvolveu as bases racionais para a crítica do mecanicismo como método de conhecimento.

    4. formulou conceitos filosóficos fortemente contrários ao heliocentrismo defendido por Galileu.

    5. se tratou de um pensamento responsável pela fundamentação do método científico moderno.

  9. Questão 9

    De um lado, dizem os materialistas, a mente é um processo material ou físico, um produto do funcionamento cerebral. De outro lado, de acordo com as visões não materialistas, a mente é algo diferente do cérebro, podendo existir além dele. Ambas as posições estão enraizadas em uma longa tradição filosófica, que remonta pelo menos à Grécia Antiga. Assim, enquanto Demócrito defendia a ideia de que tudo é composto de átomos e todo pensamento é causado por seus movimentos físicos, Platão insistia que o intelecto humano é imaterial e que a alma sobrevive à morte do corpo.
    <p><span style="font-size:11px">(Alexander Moreira-Almeida e Saulo de F. Araujo. &ldquo;O c&eacute;rebro produz a mente?: um levantamento da opini&atilde;o de psiquiatras&rdquo;.&nbsp;<a href="http://www.archivespsy.com/">www.archivespsy.com</a>, 2015.)</span></p>
    A partir das informações e das relações presentes no texto, conclui-se que:<br>

    1. a hipótese da independência da mente em relação ao cérebro teve origem no método científico.

    2. a dualidade entre mente e cérebro foi conceituada por Descartes como separação entre pensamento e extensão.

    3. o pensamento de Santo Agostinho se baseou em hipóteses empiristas análogas às do materialismo.

    4. os argumentos materialistas resgatam a metafísica platônica, favorecendo hipóteses de natureza espiritualista.

    5. o progresso da neurociência estabeleceu provas objetivas para resolver um debate originalmente filosófico.

  10. Questão 10

    (UEL, 2011) O principal problema de Descartes pode ser formulado do seguinte modo: “Como poderemos garantir que o nosso conhecimento é absolutamente seguro?” Como o cético, ele parte da dúvida; mas, ao contrário do cético, não permanece nela. Na Meditação Terceira, Descartes afirma: “[...] engane-me quem puder, ainda assim jamais poderá fazer que eu nada seja enquanto eu pensar que sou algo; ou que algum dia seja verdade eu não tenha jamais existido, sendo verdade agora que eu existo [...]”
    <p style="text-align: right;font-size:9pt;"><strong> DESCARTES. René. “Meditações Metafísicas”. Meditação Terceira, São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 182. Coleção Os Pensadores.</strong></p>
    Com base no enunciado e considerando o itinerário seguido por Descartes para fundamentar o conhecimento, é correto afirmar:

    1. Todas as coisas se equivalem, não podendo ser discerníveis pelos sentidos nem pela razão, já que ambos são falhos e limitados, portanto o conhecimento seguro detém-se nas opiniões que se apresentam certas e indubitáveis.

    2. O conhecimento seguro que resiste à dúvida apresenta-se como algo relativo, tanto ao sujeito como às próprias coisas que são percebidas de acordo com as circunstâncias em que ocorrem os fenômenos observados.

    3. Pela dúvida metódica, reconhece-se a contingência do conhecimento, uma vez que somente as coisas percebidas por meio da experiência sensível possuem existência real.

    4. A dúvida manifesta a infinita confusão de opiniões que se pode observar no debate perpétuo e universal sobre o conhecimento das coisas, sendo a existência de Deus a única certeza que se pode alcançar.

    5. A condição necessária para alcançar o conhecimento seguro consiste em submetê-lo sistematicamente a todas as possibilidades de erro, de modo que ele resista à dúvida mais obstinada.